A Polícia Civil (PCES) detalhou, nesta quinta-feira (23), as investigações sobre dois homens presos em Fundão, no Norte do Espírito Santo, suspeitos de vender carne de cavalo como se fosse carne bovina para açougues, restaurantes e churrasquinhos da Grande Vitória.
Durante a prisão, realizada na terça-feira (21), os policiais encontraram com a dupla 390 quilos de carne de cavalo armazenados de forma inadequada dentro de um veículo.
A princípio, os suspeitos negaram o crime, mas confessaram após a perícia da Polícia Civil e de médicos veterinários confirmarem que a carne era realmente de cavalo.
Segundo o delegado Leandro Sperandio, as investigações começaram após denúncias sobre abates clandestinos de animais que abasteceriam estabelecimentos nas regiões de Grande Jacaraípe e Nova Almeida, na Serra, e também em Vila Velha.
Abates em condições cruéis

De acordo com a investigação, os animais eram abatidos de forma cruel, com disparos de arma de fogo e até machadadas na cabeça. O processo era totalmente clandestino, sem qualquer tipo de fiscalização sanitária, e o transporte da carne era feito sem refrigeração e sem condições de higiene, o que o delegado classificou como uma situação “deplorável”.
Segundo a polícia, os dois presos seriam responsáveis por comprar os animais, realizar o abate ilegal, transportar e revender a carne. Eles foram autuados por maus-tratos, crimes contra as relações de consumo e contra a saúde pública.
“Cemitério de ossos” em Aracruz
Durante as investigações, os policiais também localizaram um cemitério de ossos na região de Cupido, zona rural de Aracruz, onde os abates clandestinos eram realizados. No local, havia cerca de 17 cabeças de cavalos e bois em decomposição, além de ossadas e um cavalo abatido recentemente.

A Polícia Civil suspeita que parte dos animais abatidos ilegalmente possa ter sido furtada na região. Outros possíveis envolvidos no esquema continuam sendo investigados.
Ainda segundo o delegado, há indícios de que alguns comerciantes sabiam da origem irregular da carne, enquanto outros podem ter sido enganados ao adquiri-la como se fosse carne bovina.
As investigações seguem sob responsabilidade da Delegacia de Fundão e da Divisão Especializada de Crimes Contra o Patrimônio (DECCP). A carne apreendida foi incinerada, pois não era própria para o consumo.










