Medicamentos como Ozempic e Monjaro, populares na perda de peso rápida, estão associados a um efeito colateral pouco falado: a flacidez na região íntima feminina. Originalmente indicadas para o controle do diabetes tipo 2, essas medicações têm sido amplamente usadas para emagrecimento, mas especialistas alertam para impactos que vão além da estética.
De acordo com o especialista em harmonização íntima, Waslley Leite, a perda de gordura provocada por esses remédios é sistêmica e atinge também regiões como os grandes lábios e o monte pubiano, responsáveis por proteção e sustentação da área íntima. Quando esse volume desaparece, surgem queixas físicas e emocionais, comprometendo o conforto físico, a saúde sexual e a autoestima de muitas mulheres.
“Essa região tem gordura subcutânea que serve como proteção e sustentação. Quando ela desaparece, algumas pacientes relatam dor ao caminhar, desconforto ao pedalar e sensibilidade aumentada durante o sexo”, explica.
Em entrevista a EShoje, a fisioterapeuta pélvica, Thais Pagio, explica que para minimizar esses efeitos decorrentes do emagrecimento repentino, o ideal é que o processo de perca de peso seja acompanhado por médico, nutricionista e fisioterapeuta pélvico.
“As pessoas lembram de fortalecer braços e pernas na academia, mas esquecem da musculatura pélvica. Ela também precisa ser trabalhada”, reforça
Já nos casos em que a flacidez já está presente, a especialista assegura que a fisioterapia oferece recursos como treinos personalizados de fortalecimento do assoalho pélvico e tecnologias como laser e radiofrequência para estímulo de colágeno.
Quando o assunto é a estética íntima, técnicas como preenchimento com ácido hialurônico e bioestimuladores ganham espaço como opção complementar. “Não se trata apenas de estética. Estamos falando de qualidade de vida e bem-estar íntimo feminino”, finaliza Waslley Leite.
“Perdi peso, mas perdi autoestima”

Quem viveu isso de perto entende o impacto. Uma paciente de Waslley, que prefere não se identificar, conta que, aos 43 anos, após eliminar mais de 15 kg com o uso das canetas injetáveis, se deparou com um novo desafio.
“O corpo estava ótimo, mas percebi que a minha região íntima estava diferente. Sentia mais flacidez e isso mexeu muito com minha autoestima”, conta
Outro caso é de uma vendedora de 37 anos. Segundo ela, após o emagrecimento a região íntima acabou ficando com uma aparência bastante flácida, impactando a autoestima e vida sexual. “Comecei a sentir a região mais murcha. Na hora da relação, ficava insegura, e isso afetou até meu prazer. Procurei a harmonização íntima como forma de me reencontrar”, desabafa.
Funções afetadas e o papel da fisioterapia pélvica
De acordo com Thais Pagio, a flacidez não é o único risco. A perda de peso acelerada sem acompanhamento adequado também pode acabar comprometendo o assoalho pélvico, estrutura essencial para funções fisiológicas e sexuais.
“Infelizmente ainda não temos artigos científicos que abordam as alterações específicas no assoalho pélvico decorrentes do uso dessas medicações. Mas, com base na fisiologia, sabemos que a perda de massa muscular significativa pode afetar essa musculatura, gerando alterações nas funções”, explica.
Thais acrescenta que também há consequências indiretas, causadas pelas mudanças hormonais e gastrointestinais associadas aos medicamentos. “Isso pode impactar negativamente o assoalho pélvico, gerando alteração de receptores de sensibilidade, tensão muscular e outros sintomas”, explica.
Segundo a especialista, os pacientes podem sentir incômodos durante as relações sexuais — como alterações de libido, dificuldade de excitação, dificuldade na lubrificação — ou até dificuldades para evacuar, como necessidade de fazer mais força, fissuras anais e sensação de esvaziamento incompleto.
Do ponto de vista fisioterapêutico, a flacidez íntima pode ser classificada em dois tipos: flacidez da pele, decorrente da perda de gordura e colágeno;, e flacidez muscular, relacionada à tensão da musculatura e à falta de atividade local.
“A flacidez muscular pode ocorrer devido à baixa de nutrientes, comum nesses casos, e à falta de estímulo à região pélvica, que costuma ser esquecida na rotina de fortalecimento físico”, alerta Thais
Apesar das mudanças, ela explica que a perda de gordura por si só não afeta diretamente a função sexual. “Pelo contrário, o tratamento da obesidade pode trazer benefícios nesse aspecto. No entanto, é preciso considerar os efeitos colaterais do uso das canetas emagrecedoras, como privação nutricional e alterações hormonais, que podem sim interferir na saúde sexual e funcional da mulher”, pontua.










