Rodrigo Júdice tenta novamente a vaga de desembargador pela advocacia

Dizem que filho de peixe, peixinho é. Na vida de Rodrigo Marques de Abreu Júdice, esse dito popular se encaixa perfeitamente. Filho e neto de advogados renomados no Espírito Santo, desde muito cedo ele teve contato com o Direito e decidiu seguir os mesmos passos do pai, Fernando de Abreu Júdice, e do avô, Macário Ramos Júdice, ambos já falecidos. O advogado de 52 anos vai disputar pela segunda vez a vaga de desembargador no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) pelo Quinto Constitucional.

A decisão de concorrer à vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional é vista por Rodrigo como uma oportunidade de retribuir à sociedade e à comunidade jurídica a experiência acumulada ao longo dos anos.

“Primeiro que eu acho a atribuição do cargo relevantíssima. Julgar a vida, a liberdade, o patrimônio das pessoas não é algo trivial e necessita de muita maturidade. Eu já tenho uma longa experiência na advocacia, tive uma experiência de ocupar a cadeira de juiz eleitoral pela classe dos juristas por três mandatos, de forma que as experiências de vida que eu adquiri, somadas à advocacia, tornaram essa uma oportunidade de prestar um serviço à comunidade jurídica, à sociedade, retribuindo tudo o que a sociedade e a advocacia me ofereceram”, diz Rodrigo, que já ocupou o cargo de procurador geral do Estado e de secretário de Estado de Meio Ambiente.

Rodrigo acredita que é possível ser um magistrado de uma forma simples e serena, sensível às questões sociais e com o equilíbrio necessário para entender as relações institucionais, fundamentais para manter o equilíbrio entre os Poderes. “Tudo isso eu adquiri, acredito, ao longo dos anos, nos cargos que ocupei,” afirma. Ele foi conselheiro seccional da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Espírito Santo (OAB-ES) por três mandatos e destaca que, de certa forma, retribuir esses longos anos de advocacia em prol da sociedade é uma maneira de prestar um serviço que possa colaborar para uma Justiça mais célere e mais equânime.

O advogado destaca a importância de garantir as prerrogativas da advocacia e ampliar o acesso à Justiça, enfatizando que isso é um princípio constitucional e obrigação de qualquer magistrado, seja de carreira ou vindo do Quinto Constitucional. Ele acredita que a sociedade precisa de representantes qualificados, que debates são essenciais para identificar os mais preparados tecnicamente e que possuem uma história de vida digna. “Eu acho que a característica mais relevante do juiz oriundo do Quinto Constitucional é não ter receio, muitas vezes, de ser a voz contramajoritária, no plenário, se assim for necessário, para defender as prerrogativas da advocacia que, ao fim e ao cabo, são as prerrogativas do próprio cidadão, do próprio Estado democrático de direito”, enfatiza.

Rodrigo afirma que “a experiência e a musculatura que a advocacia militante oferece” são diferenciais importantes, fornecendo um olhar clínico e sensível necessário para a função de desembargador do Tribunal de Justiça. Ele ressalta, ainda, que o conhecimento técnico é crucial para aplicar corretamente o Direito e que os eleitores devem buscar esses atributos nos candidatos. Em sua última disputa para o Quinto Constitucional, o advogado obteve 1.785 votos, ficando em 8º lugar, faltando apenas 72 votos para entrar na lista sêxtupla. Ele expressa que, se não for contemplado, torce para que o escolhido tenha esses atributos, pois deseja um bom desembargador para poder despachar quando continuar no exercício de sua advocacia.

Faculdade familiar

Nascido e criado no bairro Bento Ferreira, em Vitória, Rodrigo diz que respira o direito desde sempre. “Eu digo que eu tive duas universidades. A primeira foi dentro de casa, respirando Direito desde pequeno. Muitas questões jurídicas eram levadas para dentro de casa porque meu pai tinha o hábito de atender os advogados, os clientes, muitas vezes, em casa. Ele adquiriu esse hábito do pai dele, que era oriundo de Cachoeiro de Itapemirim, uma cidade do interior e adquiriu esse hábito de receber muitos clientes, muitos se tornavam amigos dele e eu via aquele ambiente pujante, de muitas pessoas frequentando a casa, além dos parentes. Ele gostava muito de conversar com os clientes na varanda da casa, então da conversa da demanda que ele defendia já virava outro assunto. Meu pai era muito proativo, era um advogado muito diligente, que adquiriu muito renome e prestígio no Espírito Santo. Esse ambiente eu acho que me contaminou para seguir a carreira jurídica”, recorda.

Rodrigo formou-se em Direito na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1995. Sua carreira na advocacia começou imediatamente após a conclusão do curso superior. Ele também passou por uma experiência de estudo na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, onde fez um mestrado que, embora não concluído, agregou um conhecimento valioso.

“Eu acabei não defendendo a dissertação porque logo em seguida passei no concurso para procurador do Estado”, explica. A aprovação no concurso foi um marco significativo na vida de Rodrigo, mas a militância na advocacia privada nunca cessou. O escritório fundado pelo pai há 46 anos é onde ele iniciou sua carreira e trabalha até hoje.

No Escritório Abreu Júdice Advogados há oito sócios, um deles é Luciana Júdice, irmã de Rodrigo. Lá, eles atendem pessoas físicas e jurídicas em várias áreas do Direito. “Atuamos nas áreas cível, comercial, empresarial, Direito societário, tributário, aduaneiro, Direito administrativo, Direito público, imobiliário, Direito de família, Direito sucessório, trabalhista de sindicato patronal, advogamos para o Sindicato do Comércio de Importação e Exportação do Espírito Santo, o Sindiex, na área aduaneira, atendemos várias empresas do setor de tecnologia, do setor imobiliário, do setor do comércio varejista”, elenca Rodrigo. O ensino também fez parte da jornada do advogado. Durante alguns anos ele lecionou na Escola da Magistratura do Trabalho.

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