Se há um mês fosse feito o questionamento “O deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania) vai peitar ações do governo?”, a resposta, provavelmente, seria “não”. Nesta quarta-feira (15), contudo, um dos parlamentares mais alinhados com o ninho do governador Renato Casagrande (PSB), na última legislatura, mostrou mais um indicativo de que está refazendo sua rota política no Espírito Santo. Em tempos atrás, atacar um projeto vindo do Palácio Anchieta seria inimaginável.
Um histórico é necessário antes da leitura política. Em 2014, o vereador integrou a chapa de Renato Casagrande, que perdeu a reeleição para Paulo Hartung (sem partido). Seguiu seu caminho como vereador de Vitória, alinhadíssimo com o ex-prefeito Luciano Rezende (Cidadania). Em 2018, torna-se deputado estadual e, quando assume, em 2019, vira o presidente da poderosa Comissão de Constituição e Justiça.
Em 2020, foi candidato a prefeito de Vitória, na articulação mal realizada pelo governo, que deixou vários aliados participarem e deu brecha para o crescimento de Lorenzo Pazolini (Republicanos), vencedor do pleito. Se reelegeu em 2022 e, agora, em 2023, só é presidente da Comissão de Meio Ambiente.
Não que o colegiado que aborde o meio ambiente não seja importante. Mas ser o fio condutor da constitucionalidade dos projetos governamentais e alheios, podendo pedir prazo quando quiser, confere status de jogador importante. Um camisa 8 ou até 10 do time, sendo pensador e articular das jogadas.
Postas as cartas na mesa, verifica-se a conjuntura de um Gandini mais solto, com menos necessidade de pedir tantas bênçãos ao governo. Assim sendo, ele não mediu esforços para pedir aumento no valor de auxílio a estudantes da 4ª série do ensino médio. Peitou o que vinha do Palácio Anchieta e ainda provocou a primeira saia-justa envolvendo Tyago Hoffmann (PSB), do núcleo de chumbo de Casagrande.
Tyago, de um modo mais imperativo, alertou que a Casa seria responsabilizada se o projeto fosse vetado pela ação do deputado, que não poderia criar gastos ao Estado. Gandini retrucou e avisou que não haveria espaço para terrorismo.
Nesta celeuma, como ESHOJE publicou, a emenda de Gandini saiu-se vencedora, tendo adesão de oposicionistas e até de membros da situação, como Adilson Espindula (PDT) e José Esmeraldo (PDT). À liderança do governo, com o apaziguador Dary Pagung (PSB), coube realizar a recomposição de quórum, para votar a matéria só depois do Carnaval, após ser feita nova articulação para resolver esse imbróglio.
Gandini, neste mandato, tem verificado o seguinte panorama, caso tente novamente a disputa da Prefeitura de Vitória. De um lado, mais à esquerda, João Coser (PT) tem excelente relação com o governador. Do outro, à direita, vê a aproximação de Pazolini com o ninho socialista, tentando sufocar quaisquer movimentações de aliados de Casagrande.
Então, faz mais sentido Gandini ser um “independente”, estando a favor ou contra conforme for seu entendimento, justamente por não estar, a princípio, entre as prioridades do governo.
Outro ponto que fica evidente de um possível atrito com a gestão estadual é com relação ao uso do carro oficial. Como publicado primeiramente pelo colunista Leonel Ximenes, de A Gazeta, e confirmado por Poder ESHOJE, Gandini utilizará o veículo neste ano. E salientou ao colunista que tinha abdicado para devolver recursos ao Estado, mas não viu resultados. Alfinetada e com mais um questionamento para os observadores: por que renunciar, se há prejuízo para ele?
O ano de 2023 é de planejamento estratégico para Gandini. Não à toa também tem feito barulho na Comissão Especial que analisa as questões da BR-101 e da BR-262. Tomou até protagonismo maior, nos últimos dias, do que a gestão estadual para resolução dos problemas que cercam a rodovia federal que corta a região serrana.
Onde estará a maior capilaridade dele? Em Vitória ou em todo o Estado? E como fazer isso: com ou sem a ajuda do Palácio Anchieta? Hora de pegar o GPS para os caminhos com menos trânsito.
Eis os questionamentos que rondam o gabinete 604.
Pano de fundo?
Bem-te-vis muito ligados ao ninho socialista piaram que haveria insatisfação de Gandini, de Adilson Espindula e de José Esmeraldo com o corte de cargos de pessoas ligadas a esses políticos. Verdade ou não, a cutucada feita por Vandinho Leite (PSDB) joga luz a um detalhe interessante. Segundo o tucano, alguns deputados da base são mais valorizados, e outros, menos – ou até com nada.
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Emprestado
O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (União Brasil), visitou a Assembleia Legislativa na manhã desta quarta-feira (15). E para entrar no plenário, contou com a ajudinha dos servidores. Teve de pegar emprestado blazer e gravata para seguir a regra da entrada dos homens no local das sessões.
Filtro chiquérrimo

A deputada estadual Raquel Lessa (Progressistas) se empolgou no uso do filtro, nas redes sociais, para dar bom dia aos seguidores nesta quarta-feira (15). Ela utilizou de um que coloca cílios mais volumosos e maquiagem. Sobrou para o colega de plenário, Lucas Scaramussa (Podemos), ficar “montado” pelo efeito especial. Chiquérrimo!
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Solidariedade
A coluna Poder ESHOJE se solidariza com os ataques feitos ao colega Vitor Vogas, do ES360. Reforça-se aquilo que o Barão de Itararé, bastante parafraseado por políticos locais, costumava dizer: “O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro”.
Ops!
O senador Marcos Do Val (Podemos) encaminhou, nestes dias, uma mensagem a um grupo (provavelmente, seria para um senador) em que diz: “Fala irmão (sic)”. Depois, afirma que precisa de ajuda para presidir a Comissão de Segurança Pública e ser titular das Comissões de Relações Exteriores e da de Constituição e Justiça. Ele afirmou ainda que já oficializou com o partido dele.
Conexão Mimoso x BSB
A caravana de Mimoso do Sul, com o prefeito Peter Costa (Republicanos), seguiu por Brasília. Eles foram ao gabinete do coordenador da bancada federal capixaba, deputado federal Da Vitória (Progressistas), solicitar recursos para o Hospital Apóstolo Pedro, para a Pestalozzi e para o custeio da saúde do município. O grupo também visitou o deputado federal Amaro Neto (Republicanos).
Expectativa de queda
Deu no Valor, nesta quarta-feira (15). “A Vale deve reportar queda de quase 60% no lucro do 4º trimestre de 2022, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A média das estimativas compiladas pelo Valor aponta lucro líquido de US$ 2,206 bilhões. Na comparação com o 3º trimestre de 2022, a queda deve ser de 50,5%. A mineradora divulga seus resultados na quinta-feira (16)”.
Cuidado com a (s) gripe (s)
O boletim Infogripe, da Fiocruz, aponta que o Espírito Santo possui tendência de alta das Síndromes Respiratórias Agudas (SRAG) a longo prazo. Todo cuidado é pouco.
Date
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), publicou foto com a esposa, Andressa Barcelos, para celebrar o dia de São Valentim, aquele dos românticos, comemorado nessa quarta-feira (14).
Procedimento preparatório
O Ministério Público abriu procedimento preparatório para “apuração de supostas irregularidades na realização de curso de armamento para a Guarda Municipal de Vitória, quando era proibido o porte de arma aos agentes municipais”. Fato datado de 2018.
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Na moita
Parlamentar estava levando, humildemente, seu pãozinho para o plenário. Até que recebeu a informação de que havia lanche à disposição. A pessoa ficou surpresa e disse que na Câmara não tinha essa benesse.
Tá na rede
“O que vimos foi a força do amor dos habitantes da Grande Vitória por suas cidades”
João Gualberto Vasconcellos, mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura e colunista do ESHOJE









