Discute-se, vez por outra, que o Espírito Santo é o único Estado da Federação onde os supermercados não funcionam aos domingos. No mundo, em raros países, os supermercados funcionam aos domingos. Na Europa, apenas na França os supermercados funcionam quatro domingos por ano. Tivemos notícias de quem alguém morreu, passou fome, porque os supermercados no Espírito Santo não funcionam aos domingos?

A Acaps – Associação Capixaba de Supermercado congrega todo sistema de supermercado do Estado e, os Sindicatos do Comércio Varejistas de Gêneros Alimentícios filiados à Fecomércio-ES são de uma unidade exemplar.

Uma pesquisa (é feita anualmente) promovida pela Acaps nos dá conta de que 96% dos supermercadistas querem que suas lojas fechem aos domingos. Os empregados no comércio, por seu turno, adoram a medida.

Tem quem entenda que seria justo facultar quem quisesse trabalhar domingo, fosse permitido funcionar. Seria muito bom, meia dúzia abrir aos domingos e o restante permanecer fechado. Entendam o procedimento dos supermercadistas, adepto do não funcionamento de suas lojas como corporativistas, ditatoriais ou coisa semelhante. E daí? Quem sabe dos interesses de funcionar ou não é dos supermercadistas e, para tanto, a maioria quase absoluta não deseja funcionar e, assim, resguarda a obrigação de funciona para todo mundo nos dias de semana, ou quando interessa à maioria.

Inadvertidamente, colocam a “opinião pública” como fatos de pressão para compelir os supermercados a abrirem suas portas. Quem foi que disse que “opinião pública” vai às compras? Quem arruma todos os dias 20 mil, 40 mil itens ou mais, nas prateleiras (gôndolas), revisando diariamente mercadorias vencidas, mantendo tudo em ordem para o consumidor exigente? É a opinião pública?

O meu direito vai até esbarrar com o seu. Estabelecemos aqui, por imitação, a semana inglesa (não trabalhar aos sábados). Que obrigação temos para imitar os ingleses? Por que não trabalhar nos sábados até às 18 horas? Todo mundo!

 Alegam que o governo baixou um decreto estabelecendo o comércio de gêneros alimentícios como essenciais. Quem foi que disse que não é? Não pode, contudo, o governo baixar um decreto estabelecendo obrigatoriedade para os supermercados abrirem aos domingos. Quem sabe de suas dificuldades, do seu bolso, são os supermercadistas.

A função precípua das organizações de classe é proteger o que decide sua maioria. Ninguém, nenhum setor, a opinião pública, têm o direito de obrigar o supermercadistas a ter prejuízo. Deixem que trabalhem como podem e como querem. Ditadura é bom?

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