fevereiro sangrentoFevereiro chegou e na memória dos capixabas ainda está muito viva a lembrança de 2017, quando o Espírito Santo viveu sua maior crise na segurança. Entre 3 e 24 de fevereiro daquele ano um movimento envolvendo policiais militares (PMES) e suas famílias, paralisou as atividades da tropa. E, como resultado, uma série de crimes e mortes.

O caso foi parar nas páginas do livro “Fevereiro sangrento”, que será lançado no dia 19. De acordo com o professor de história e autor do livro, Bruno Brandão, a greve está sendo contada, com detalhes, por ele e o escritor Marcos Bubach. Os autores tiveram acesso a um celular que guarda fatos, conversas, fotos, áudios entre os policias daquela época (vários grupos no WhatsApp).

“”Fevereiro Sangrento” será uma trilogia. A obra traz acontecimentos e histórias misturadas ao elemento ficcional. O primeiro livro abordará os dias “mais sangrentos”, os primeiros dias da paralisação. O movimento inicialmente tinha as mulheres como personagens de relevância na narrativa, com o passar do tempo foram surgindo militares preocupados com a segurança dessas e interessados também no movimento que estava sendo feito visando melhorias que a classe estava necessitando. Com isso apareceram nomes como Capitão Conceição, Sd. Silva, Sd. Vilela, Sd. Gomes, Capitão Figueiredo, Cabo Martini, Coronel Florêncio, Sub. Tenente Almir Sales… que passaram a organizar o movimento em frente aos batalhões para que as mulheres não sofressem tanto com a falta de alimentos, água, sol, cansaço, insegurança… (algumas das mulheres que passaram a se reunir em frente aos portões dos batalhões eram esposas desses homens e de outros militares”, detalhou Bruno.

Nesta entrevista Bruno Brandao e Marcos Bubach dão mais detalhes do trabalho que vai ser apresentado.

Como surgiu a ideia do livro, e a parceria?
Bubach: Sempre tive interesse por casos curiosos e polêmicos regionais, após a manifestação de fevereiro de 2017 tive a ideia de registrar os fatos curiosos daquele vinte poucos dias em um livro mas ao mesmo tempo sabia que diante de tantos escritores considerados mais renomados que eu em Vitória, logo imaginei que esse assunto seria material certo para eles fazerem publicações. Passando o tempo percebi que ninguém se interessou em trabalhar aquele conteúdo tão rico, trágico, mas rico de informações e acontecimentos em nossa terra.

Após conhecer o livro MEU BRASIL VERDE E AMARELO do autor Bruno Brandão e Jessica Polese, vi ali parceria certa para revivermos o – fevereiro de 2017 – e imortalizá-lo em uma brochura: FEVEREIRO SANGRENTO.

Conversamos traçamos metas, fizemos contatos diversos, adquirimos informações de diversos meios de comunicação e, enfim, demos início às primeiras linhas.

Por mais que tenhamos conseguido fontes, de certa forma, confiáveis e um bom material isento de manipulações foi inevitável conter a veia litero-poética. A fantasia e a criação estão livres e serpenteiam entre a realidade crua e a ficção. O leitor será totalmente envolvido com novidades, surpresas, revelações… e se pegará diversas vezes em dúvidas sobre a veracidade dos fatos.

Como tiveram acesso e foram compilados os fatos dos bastidores da greve?
Bruno Brandão: Boa parte das informações que foram passadas para a população derivava das mídias sociais, que em muitas vezes, não apuram verdadeiramente o ocorrido ou alteram a essência das causas mediante segundas intenções. Nós fomos diretamente às fontes buscar as informações, não desconsiderando, é claro, as publicações jornalísticas da época.

Conversamos com as associações, com policias da reserva, com policias da ativa, com praças e oficiais e, tivemos acesso a um celular que guarda todos os fatos, conversas, fotos, áudios entre os policias daquela época (vários grupos no WhatsApp). Ali tinha, tem, o que não fora divulgado na mídia e essa é a base de nosso livro. (Celular, entrevistas e matérias nas mídias sociais)

Esse primeiro livro da trilogia retrata os primeiros cinco dias do triste evento. Explique como serão distribuídos os episódios de toda a manifestação?
Bubach: A ideia inicial de nossa ficção era fazermos apenas um livro com todo o conteúdo, mais diante de tantas informações ficou impossível trabalhar dessa forma. Em todos os dias aconteceu algo mirabolante, surpreendente, misterioso, tenso, sanguinário… a tensão era constante e até os pequenos detalhes eram de grande valia no campo investigativo-literário. Tinham dias que eram impressas cerca de 20 páginas (jornal) falando sobre a paralisação da PM e seus desfechos.

Esse fator nos fez dividir a história em 3 livros: o primeiro falando da forma que se deu o início do movimento [“Bastidores da Greve” que trará uma narrativa cheia de acontecimentos desde o sábado (3/2/17) até a terça-feira(7/2/17)]. [O segundo livro, a princípio, trará o subtítulo “Governo Omisso” (8/2/17) até (15/2/17) e abordará entre muitos outros fatos a ineficiência das negociações do governo com as representantes do movimento]. [O terceiro livro “Consequências” trará o resultado sentido na corporação e na sociedade. O fim da paralisação, acompanhamento médico a alguns militares, suicídios de outros devido à pressão que sofreram, detenção de alguns PMs, processos administrativos e o desinteresse operacional da corporação que, de heróis defensores da sociedade passaram a ser meros profissionais limitados às burocracias de suas funções e delimitações.

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