obesidadeNesta quinta-feira (11) é o Dia Mundial de Combate à Obesidade, um dos principais fatores de mortes no mundo. No Brasil, quase uma em cada cinco pessoas (18,9%) são obesas e mais da metade da população das capitais (54%) está com excesso de peso (dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico – Vigitel, de 2017).

O médico Hugo Migliorini tira dúvidas, fala de alimentação saudável e dá dicas sobre a importância da perda de peso para manter o corpo e mente sadios. O médico, especialista em emagrecimento, classificou a obesidade como um dos grandes males da atualidade, causadora de doenças que levam, inclusive, a óbito.

Quais são os riscos e como a obesidade afeta a vida do brasileiro?
A obesidade, para mim, hoje, é o grande mal da humanidade. É o que mata as pessoas, causando doenças. Alguém obeso está inflamado, em geral tem dificuldade de locomoção, está com hormônios alterados. Isso porque o acúmulo de gordura desregula os hormônios, que acabam se tornando nocivos ao corpo. O excesso de peso atualmente é a grande causa de doenças degenerativas, diabetes, infartos, hipertensão. Porque, para chegar à obesidade é muita coisa errada acontecendo no organismo: alimentação ruim, falta de atividade física, alteração metabólica, fisiológica. É um sinal visível de uma pessoa sem saúde.

O sobrepeso é tão alarmante quanto a obesidade?
Sim, porque é um primeiro sinal, é onde você começa a identificar que tem alguma coisa errada. O ideal é perceber, agir e resolver. Antes que fique muito mais difícil a solução.

Quando a pessoa sabe a hora de pedir ajuda médica?
O ideal é a gente avaliar o nosso próprio organismo. Hoje em dia convivemos com uma sociedade que vai tirando nossa saúde dos trilhos. Vamos tendo muito contato com alimentos que desregulam nosso eixo hormonal, nosso intestino. Então o ideal é ir avaliando. Eu falo que chega um momento na vida que a gente ‘tem que’. O que é o ‘tem que’? Começou a reparar que a sua estética não é mais a que você quer, ok, mas aí ainda é só a estética. Só que além disso o seu rendimento não é mais o que você quer. Você trabalha, você treina, e já não está fazendo mais do jeito que gostaria. Vê que realmente a sua saúde está ficando para trás, que antes aguentava um pique que hoje não aguenta. Parece que o peso da idade está vindo, só que, teoricamente, a idade mental não tinha que vir alteração, somente mais tarde, haver uma mudança estrutural. A pessoa não tem que lembrar, por exemplo, que tem intestino. Você não tem que sentir dores. Então a partir do momento que você vê que está constantemente fora do seu normal, acho que é a hora de procurar um médico.

Muitas pessoas recorrem a dietas nem sempre recomendadas pelo médico. Como saber se a dieta é boa ou é uma cilada para a saúde?
Com certeza deve ser uma dieta que respeite o paciente como um indivíduo em suas vontades. Claro que respeitar não é permitir tudo. Sem dúvida nenhuma uma dieta deve ser baseada em menos carboidratos, mais gorduras boas e mais proteínas, o que é muito mais saudável. Por exemplo, carboidrato alimenta o câncer. Para que eu quero comer uma coisa, que se eu tiver uma célula cancerígena, ela será nutrida? Eu não quero. Então se você fizer uma dieta mais saudável, com mais proteína, mais gordura, diversificada e com mais nutrientes, você já está caminhando para o emagrecimento. Porque uma pessoa saudável tem uma tendência a emagrecer, a não ser que tenha uma disfunção metabólica.

Essas mudanças exigem grandes modificações de rotina e de hábitos. É o estresse, o trabalho, a vida corrida – principalmente das mulheres, que ainda enfrentam mais as duplas jornadas e têm modificações mais intensas no corpo. Como as pessoas estão administrando isso? Qual sua recomendação no consultório?
As mulheres hoje estão sofrendo muito ainda com as mudanças na sociedade e a sobrecarga de atividades que vêm acumulando. Então a parte hormonal da mulher vai sofrendo alterações. E como cuidar disso? Realmente, é suplementando, estudando, avaliando, se perguntando. É necessário que as pessoas se conheçam, saibam quem são. Você sabe o que é o seu normal e sabe quando surge alguma coisa que não é sua. E se a coisa não é sua, por que você vai ficar com ela? Mudar essa mentalidade de conformismo. Você é o que você quer ser, sua mente manda. Se você quer ser uma grande profissional, você tem que estar rendendo isso. Se começa a esquecer as coisas, se tiver se sentindo um pouco fora do eixo, você está saindo de quem você é. E a ideia é a gente identificar isso, se está inflamada, se os seus hormônios estão alterados, para ir limpando e organizando tudo com exames, suplementação, tratando cada indivíduo de forma única. Até porque, no fim das contas, quem me fala “estou bem” é você. Não adianta eu falar que sua serotonina está ótima, se a pessoa continua não se sentindo bem com ela mesma. Há coisas que dá para resolver com uma capsula mágica, outras precisam mudar a percepção, os hábitos.

Nesse contexto a alimentação saudável é fundamental. Quais os tipos de alimentos podem contribuir de alguma forma para a perda de peso, seja reduzindo o desejo de comer doce ou amenizando a ansiedade, por exemplo?
Alimentação é tudo. Tem uma frase famosa de Hipócrates, que ele fala que o alimento será seu remédio e o remédio será seu alimento. Eu levo isso muito a sério. A gente tem que se alimentar bem. E eu não quero que ninguém passe vontade. Acontece que tem gente que tem vontade de comer mal, aí é complicado. Se você tem vontade de comer algo diferente, desde que seja ocasionalmente, é super bem-vindo. Há alimentos na flora, como o açaí e o cacau, que são altamente anti-inflamatórios. Oleaginosas, leite de coco, que tem o TCM – aquela gordura que serve como fonte de energia – e outras alternativas. Tem muita coisa que você pode comer sendo saudável. Sem dúvida, quando pensamos numa coisa para saciar e enganar o paladar, é o chocolate. Quando você opta por um chocolate um pouco mais amargo, que é mais saudável, vai tendo a consciência de que não precisa abandonar tudo. Tem as frutas desidratadas também, que são boas opções. Você vai aprendendo e se reeducando. E então quando tiver linda, plena, cheia de saúde, se quiser ir lá comer algo diferente, come. O problema é que hoje em dia você vai, come, chora. E aí, porque está chorando, você come mais. E isso é que não é bom. Quando a gente souber o que comer e como se alimentar, aí então vai poder se deliciar com qualquer coisa, pois sabe o que está acontecendo, entende que hoje pode ser o dia de uma extravagância e amanhã voltar a se alimentar bem.

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