O paladar infantil é um comportamento alimentar em que a
criança rejeita um grupo de alimentos, na maioria das vezes, saudáveis, como
legumes, frutas, verduras, e prefere se alimentar de pratos sem ingredientes
nutritivos. É importante destacar que a fome é um sentido instintivo, natural
do ser humano, mas o comportamento alimentar é ensinado ao longo da vida, além
de ser influenciado por diversos fatores sociais. O consumo excessivo de
comidas industrializadas pode influenciar nesse comportamento. Pesquisa
divulgada pelo Hospital de Michigan, nos Estados Unidos, realizada com crianças
a partir dos 3 anos, revelou que 20% dos pais entrevistados afirmam que os
filhos consumiram fast food com mais frequência durante a pandemia.
Nutricionista capixaba ressalta a importância da educação alimentar na rotina
das crianças.
Para Dayanna Miranda Camizão, a escola desempenha um papel fundamental na
construção dos hábitos alimentares das crianças. “Muitos pais têm dificuldade
para introduzir alimentos saudáveis na dieta dos filhos e, por conta disso,
realizar essa introdução de forma pedagógica, criativa e educativa, em um
ambiente escolar, pode transformar esse processo em algo divertido para as
crianças. É normal existir uma certa dificuldade de incluir determinados
alimentos, mas quando deixa de ser algo ocasional e se torna repetitivo, e a
criança se recusa totalmente a experimentar novos alimentos, é hora de se
preocupar. O ambiente escolar faz toda a diferença nesse sentido, uma vez que,
ao explicar a importância de cada alimento, de uma forma pedagógica, existe uma
probabilidade maior das crianças se interessarem em explorar as refeições”,
explica a nutricionista da Upuerê Educação Infantil.
Desenvolvimento infantil e alimentação
Uma alimentação saudável é essencial para o desenvolvimento da criança, já que promove benefícios para a saúde, tanto física, quanto mental. Por isso, a má alimentação na infância pode ocasionar anemia, emagrecimento ou obesidade, falta de disposição, além de distúrbios psicológicos e motores. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), revelou que seis em cada dez crianças demonstram dificuldades alimentares, que variam entre o baixo consumo de alimentos nutritivos até a resistência em experimentar novos alimentos. Diante desse cenário, é de extrema importância que os pais estejam atentos ao que os filhos consomem, e, caso necessário, procurem um profissional qualificado.
5 dicas para aumentar o repertório alimentar das crianças
1– As crianças se inspiram e admiram os pais, uma vez que a família exerce uma enorme influência em sua personalidade e costumes. Desse modo, é indispensável que os familiares sejam um bom exemplo no comportamento alimentar, com uma alimentação ampla e variada. Além disso, é importante comer junto com a criança, então as refeições em família favorecem uma relação amigável com a comida, de modo que ela associará o momento de alimentação a um momento feliz.
2– É importante não ligar aparelhos eletrônicos na hora da refeição, como televisão, celular, tablets.
3– Para ajudar na aceitação de alimentos novos, é preciso ter pelo menos um alimento do qual a criança já tenha familiaridade na hora de compor o prato.
4– É preciso haver um ambiente agradável na hora de apresentar novos alimentos, mesmo que o processo seja difícil e a criança recuse diversas comidas, sem forçar e ameaçar colocar de castigo, para que ela não associe o ato de se alimentar a algo negativo, como uma obrigação.
5– Ouvir os palpites das crianças na hora de fazer o cardápio e ir ao supermercado também é preciso, para que eles se sintam parte do processo, e que não haja somente imposições por parte dos responsáveis.









