Espírito Santo passa a usar nova tecnologia no tratamento de arritmia cardíaca

No Dia Mundial do Coração, celebrado nesta terça-feira (29), o Espírito Santo deu um passo significativo no tratamento de arritmias cardíacas. O estado passa a contar com uma nova alternativa terapêutica: a ablação por campo pulsado (PFA), uma tecnologia que utiliza pulsos elétricos de alta precisão para tratar, simultaneamente, diferentes áreas do coração responsáveis pelo ritmo irregular.

A novidade chega por meio de duas instituições capixabas. O Hospital Vitória Apart está entre as primeiras instituições do Brasil a utilizar o sistema, tendo realizado seu primeiro procedimento com a nova técnica na última quarta-feira (30). Já o Hospital Santa Rita, também em Vitória, realizou na manhã desta quarta-feira (30) os primeiros procedimentos do estado para tratar fibrilação atrial (FA) com o sistema Volt™ Pulsed Field Ablation (PFA) e o cateter de ablação TactiFlex™ Duo, ambos da Abbott. Os pacientes passam bem.

Espírito Santo passa a usar nova tecnologia no tratamento de arritmia cardíaca
Operação Inédita no estado

A revolução na ablação cardíaca

A fibrilação atrial é um dos tipos mais frequentes de arritmia. Estima-se que cerca de 1% da população brasileira tenha a condição, o equivalente a aproximadamente 2 milhões de pessoas. Com o envelhecimento populacional, a tendência é que esse número cresça nos próximos anos. A doença provoca um ritmo irregular do coração e pode causar sintomas como palpitação, cansaço, falta de ar e tontura, além de estar relacionada a um risco cerca de cinco vezes maior de AVC.

Quando medicamentos e outras estratégias não são suficientes para controlar a doença, a ablação cardíaca minimamente invasiva surge como alternativa. Tradicionalmente, a técnica utiliza radiofrequência para cauterizar os focos de arritmia, geralmente ponto a ponto. A nova tecnologia, no entanto, representa uma evolução.

De acordo com Márcio Augusto Silva, cardiologista do Hospital Vitória Apart, a nova técnica direciona pulsos elétricos altamente direcionados às células responsáveis pela alteração do ritmo cardíaco, reduzindo a possibilidade de atingir tecidos próximos à área tratada. O sistema é integrado a uma plataforma de mapeamento cardíaco tridimensional que permite à equipe médica visualizar o coração e identificar com precisão os locais que precisam ser tratados.

“Na prática, conseguimos tratar uma área maior de forma mais rápida e com menos aplicações. Isso reduz o tempo do procedimento e a exposição do paciente, além de permitir uma atuação mais precisa sobre as regiões que precisam ser tratadas”, afirma o cardiologista.

Tecnologia aprovada e disponível no Brasil

O Sistema Volt™ de Ablação por Campo Pulsado (PFA), da Abbott, foi utilizado em estudos clínicos internacionais e recebeu aprovação da FDA, nos Estados Unidos, em dezembro de 2025. Na Europa, recebeu o CE Mark em março de 2025 e, no Brasil, o registro da Anvisa foi concedido em janeiro de 2026.

Segundo Fabrício Vassalo, eletrofisiologista do Hospital Santa Rita e doutor em Ciências Médicas pela USP, a ablação de campo pulsado não gera energia térmica, ou seja, não produz calor, como a radiofrequência, nem frio, como a crioablação. “Até hoje contávamos apenas com uma tecnologia que se limitava a tratar a forma mais simples da fibrilação atrial. Agora, passamos a ter mais dois modelos de cateteres que permitem fazer o tratamento rápido e eficaz tanto das formas mais simples da fibrilação atrial como das mais complexas, além da possibilidade de usarmos também no tratamento das arritmias ventriculares”, afirma o médico.

Diferenciais das novas tecnologias

O sistema Volt™ PFA foi desenvolvido para simplificar o procedimento: com um único cateter, os especialistas realizam etapas importantes do tratamento, como o mapeamento e a ablação, reduzindo a necessidade de trocar de dispositivo durante a cirurgia. A plataforma também foi projetada para se adaptar a diferentes anatomias cardíacas, ampliando as opções para os médicos.

Já o cateter TactiFlex™ Duo permite alternar de forma contínua, no mesmo procedimento, entre duas modalidades de energia: a radiofrequência (RF) e a ablação por campo pulsado (PFA). Com isso, o médico pode adaptar a estratégia às necessidades clínicas e às características anatômicas de cada paciente.

Para Letícia Baltazar, gerente geral da Divisão de Eletrofisiologia da Abbott para a América Latina, a área vive um momento de transformação. “Com a chegada de Volt™ e TactiFlex™ Duo, ampliamos o portfólio de eletrofisiologia da Abbott no Brasil e as alternativas disponíveis para os especialistas no tratamento das arritmias cardíacas, sempre com foco em melhorar a experiência médica e os desfechos para os pacientes”, afirma.

A chegada das novas tecnologias faz parte da estratégia da Abbott de ampliar seu portfólio de soluções em cardiologia e fortalecer seu ecossistema de eletrofisiologia no país, reforçando o compromisso com a evolução do tratamento das arritmias cardíacas.

Com a adoção dessas tecnologias por instituições capixabas, o Espírito Santo se posiciona na vanguarda do tratamento cardiológico no Brasil, oferecendo aos pacientes opções mais modernas, seguras e eficazes para o controle da fibrilação atrial e outras arritmias.

 

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