A recente reclassificação e reautorização de 13 peptídeos pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador dos Estados Unidos, colocou novamente essas moléculas no centro das discussões sobre longevidade, alta performance e medicina regenerativa.
De acordo com a endocrinologista Gisele Lorenzoni, esses peptídeos têm um potencial muito relevante dentro da medicina regenerativa. “Eles atuam especialmente em processos como ativação mitocondrial, envelhecimento saudável, recuperação muscular e até neuroproteção, além da modulação hormonal”, explica.
Entre os compostos incluídos na nova determinação estão BPC-157, CJC-1295, GHK-Cu, Ipamorelin, Melanotan II, MOTS-C, Epitalon, GHRP-2, GHRP-6, Kisspeptin-10, PEG-MGF, Thymosin Beta-4 e Selank Acetate, substâncias que vêm sendo amplamente estudadas por seu potencial terapêutico em diferentes frentes da saúde.
No Brasil, no entanto, o cenário é bem mais restritivo e cauteloso do que o movimento recente observado nos Estados Unidos com o Food and Drug Administration. Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autoriza o uso clínico rotineiro de peptídeos experimentais como BPC-157, CJC-1295 e Ipamorelina.
“No país, esses peptídeos ainda não têm aprovação para uso clínico rotineiro pela Anvisa. Isso reforça que estamos falando de substâncias promissoras, mas que ainda precisam de validação científica robusta antes de chegarem com segurança ao consultório”, ressalta a especialista.
Apesar do entusiasmo, a médica faz uma ressalva: a decisão do FDA não representa uma liberação ampla para uso clínico indiscriminado. “Essa reautorização regulatória não significa que essas substâncias estejam aprovadas para uso generalizado. Há agora um reconhecimento do valor científico dessas moléculas, que ainda estão sendo estudadas com rigor dentro do cenário internacional”, destaca.
Segundo Gisele, é fundamental que o tema seja tratado com responsabilidade, principalmente diante da crescente popularização dos peptídeos nas redes sociais e no universo da alta performance.
A endocrinologista também ressalta que essas substâncias não substituem os pilares básicos da saúde. “Os peptídeos potencializam resultados de um metabolismo que já funciona bem. Não adianta investir em tecnologias avançadas se o paciente não dorme bem, não tem uma alimentação equilibrada e vive em um estado inflamatório constante”, conclui a médica.









