Inovação em saúde ganha espaço e impulsiona startups no ES

A inteligência artificial começa a transformar a forma como hospitais, clínicas e profissionais lidam com o cuidado à saúde. Um estudo do Connect Fecomércio-ES aponta que a tecnologia está sendo incorporada gradualmente ao setor, trazendo ganhos de eficiência e novas oportunidades de inovação no Espírito Santo e no Brasil.

De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, a digitalização da saúde deixou de ser apenas uma tendência e passou a fazer parte da estratégia de instituições públicas e privadas.

“A inteligência artificial já se apresenta como uma ferramenta capaz de apoiar decisões clínicas e otimizar processos. O desafio agora é preparar organizações e profissionais para utilizar essas tecnologias de forma estratégica e ética”, afirmou.

Os dados analisados mostram que o uso de inteligência artificial ainda é incipiente no país, mas apresenta crescimento. Entre os estabelecimentos de saúde brasileiros, a adoção passou de 3% para 4%, segundo o levantamento KPMG CEO Outlook 2025. No setor privado, o avanço foi maior, de 4% para 6%. Já unidades com mais de 50 leitos registraram aumento de 5% para 16%, indicando que instituições de maior porte lideram a incorporação dessas tecnologias.

Segundo Spalenza, esse movimento está ligado ao potencial de transformação da inteligência artificial no funcionamento das organizações de saúde. A tecnologia pode automatizar tarefas administrativas, melhorar o gerenciamento de dados e apoiar diagnósticos com mais rapidez e precisão, permitindo que os profissionais se concentrem mais diretamente no atendimento aos pacientes.

Hoje, as ferramentas mais utilizadas no setor são as voltadas à automação de fluxos de trabalho, presentes em 67% das instituições. Em seguida aparecem a inteligência artificial generativa (63%) e as soluções de análise de linguagem (49%), de acordo com a Pesquisa TIC Saúde 2024. Essas tecnologias ajudam desde a organização de processos internos até o atendimento e a análise de informações clínicas.

O impacto também pode ser significativo na produtividade. Um estudo da consultoria McKinsey & Company indica que operações redesenhadas com o uso de inteligência artificial podem elevar a produtividade em até 45%, além de reduzir custos operacionais e melhorar a eficiência das equipes.

Além dos ganhos administrativos, a aplicação da tecnologia na assistência médica também avança. Sistemas de inteligência artificial já são utilizados para apoiar triagens, interpretar exames e auxiliar na tomada de decisão clínica, ampliando a capacidade diagnóstica e contribuindo para atendimentos mais ágeis e precisos.

No campo da inovação, o Espírito Santo também apresenta dinamismo no ecossistema de saúde digital. O estado registrou o maior crescimento relativo de healthtechs do país entre 2021 e 2022, com aumento de 66%, bem acima da média nacional de 13,7%. Atualmente, concentra cerca de 2,5% das startups de saúde do Brasil e ocupa o oitavo lugar no ranking nacional, segundo dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação.

Para Spalenza, esse ambiente favorável pode impulsionar o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas voltadas ao setor. “O crescimento das healthtechs mostra que há um ecossistema em formação no estado, com potencial para desenvolver ferramentas que melhorem a gestão, a assistência e o acesso aos serviços de saúde”, destacou.

As perspectivas de mercado também são expressivas. Estimativas da consultoria Grand View Research indicam que o setor de inteligência artificial aplicada à saúde no Brasil pode crescer de US$ 84 milhões para cerca de US$ 789 milhões até 2030 — uma expansão de quase nove vezes em menos de uma década.

Apesar do potencial, especialistas destacam que o avanço da tecnologia exige planejamento, investimentos em infraestrutura digital, integração de dados e qualificação profissional. “A adoção da inteligência artificial demanda mudanças na cultura organizacional e na capacitação das equipes. As instituições que conseguirem integrar tecnologia e conhecimento humano estarão mais preparadas para a nova economia da saúde digital”, concluiu o coordenador.

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