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Fevereiro Laranja: ES registra 240 novos casos de leucemia por ano

Com estimativa de 240 novos casos por ano no Espírito Santo, entre 2023 e 2025, a leucemia segue como um desafio para a saúde pública e reforça a importância do diagnóstico precoce e da doação de medula óssea. O alerta ganha força durante a campanha Fevereiro Laranja, que ao longo do mês chama a atenção da população para a prevenção, o reconhecimento dos sintomas e o incentivo ao cadastro de doadores.

Ao longo de fevereiro, a Secretaria da Saúde (Sesa) promove ações de conscientização voltadas à doença, que atinge tanto crianças e adolescentes quanto adultos, destacando que a identificação precoce pode ser decisiva para o sucesso do tratamento.

No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a leucemia ocupa a 10ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes na população brasileira, desconsiderando o câncer de pele não melanoma. Para cada ano do triênio 2023–2025, vigente em 2026, são estimados mais de 11.500 novos casos.

No Espírito Santo, a estimativa anual é de 240 novos registros, sendo cerca de 120 em homens, com taxa bruta de 5,91 por 100 mil habitantes, e 120 em mulheres, com taxa bruta de 5,74 por 100 mil habitantes.

Diante desse cenário, a responsável técnica do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do Câncer, da Sesa, Cinthia Guerra, destaca que o Fevereiro Laranja vai além da conscientização.

“É um chamado à ação para o diagnóstico precoce, que é o divisor de águas entre o sucesso do tratamento e a progressão da doença, tanto em adultos quanto no público infantojuvenil, aumentando significativamente as chances de sucesso, especialmente em casos de evolução rápida, como as leucemias agudas”, afirmou a enfermeira.

Além da mobilização em torno da leucemia, fevereiro também marca o Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, data dedicada à disseminação de informações sobre prevenção, controle da doença e temas atuais relacionados ao câncer.

A doença

A leucemia é um tipo de câncer caracterizado pelo crescimento acelerado e anormal das células do sangue responsáveis pela defesa do organismo, os leucócitos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado aumentam as chances de cura. Especialistas alertam para sintomas como anemia, cansaço e fadiga, queda da imunidade, diminuição das plaquetas, infecções frequentes, febre, hematomas e sangramentos espontâneos.

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais, como o hemograma, além de exames de bioquímica, coagulação, mielograma, imunofenotipagem e cariótipo, que avaliam a medula óssea.

Os principais sintomas decorrem da falha na produção de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Entre os sinais mais frequentes estão fraqueza, sangramentos, manchas roxas no corpo, dores nas pernas, febre, aumento dos gânglios e dor ou aumento na região esquerda do abdômen, onde fica o baço.

Doação de medula óssea

A conscientização sobre a doação de medula óssea é fundamental para o tratamento de pacientes com leucemia. Dados indicam que, quando surge a necessidade de um transplante, a chance de encontrar um doador compatível é de uma em cada 100 mil pessoas.

Nem sempre é possível encontrar um doador compatível na própria família, o que torna essencial a busca nos registros de doadores voluntários. Por isso, campanhas como o Fevereiro Laranja são importantes para ampliar o número de cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).

A diretora-técnica do Centro de Hemoterapia e Hematologia do Espírito Santo (Hemoes), Soraya Almeida, informou que, em 2025, 3.718 novos doadores de medula óssea foram cadastrados no Estado. Atualmente, o banco do Hemoes conta com 5,9 milhões de voluntários.

Para se cadastrar, é necessário ter entre 18 e 35 anos e seis meses e comparecer ao Hemoes Vitória ou a um Hemocentro Regional, em Linhares, Colatina ou São Mateus, além de campanhas externas e ações da unidade móvel. É preciso apresentar documento oficial com foto. Não há necessidade de agendamento ou jejum. Estando saudável, qualquer pessoa dentro da faixa etária pode se cadastrar.

Após o cadastro, é coletada uma amostra de sangue para exame de compatibilidade e inserção dos dados no sistema do Redome. O cadastro de receptores é feito pelo Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme). As informações dos dois bancos são cruzadas para localizar doadores compatíveis. O voluntário pode ser convocado para doação até os 60 anos de idade.

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