Os números são alarmantes em escala global: 900 mil mortes por ano são causadas pelo câncer colorretal. Também conhecido como câncer de intestino, o tumor ocupa o 2º lugar no ranking de cânceres mais comuns entre homens e mulheres, excluindo o câncer de pele não melanoma. A doença fica atrás apenas dos cânceres de próstata nos homens e de mama nas mulheres. No Brasil, são 45 mil casos por ano. No ES, a estimativa é de 600 diagnósticos anualmente. Por isso, a campanha Março Azul entra em mais uma edição com a missão de chamar a atenção da população para se prevenir.
Em 2026, a campanha traz o tema “A Jornada da Vida”, buscando conversar, principalmente, com o público acima dos 45 anos de idade, ao fazer um alerta: não deixe para depois. Pessoas acima dessa idade estão mais suscetíveis ao câncer colorretal (CCR), por isso os médicos recomendam o início do rastreamento por meio da colonoscopia a partir dos 45. Se houver histórico familiar, os exames devem se tornar rotineiros ainda antes, geralmente aos 40 anos ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do parente.
Entre as principais ações da campanha Março Azul neste ano estão atividades em uma praça de Colatina, no dia 15 de março, e em uma das praias de Vitória no dia 22 de março. Nesta edição, a campanha realizará dois mutirões de colonoscopia, um no Hospital Universitário (Hucam), em Vitória, no dia 20 de março, e outro na Clínica PROVIDEO, em Colatina, no dia 26 do mesmo mês.
A campanha também se estenderá, durante todo o mês de março, aos ambulatórios de serviços de saúde da Grande Vitória e clínicas médicas privadas apoiadoras, com a exposição de banners, vídeos e distribuição de panfletos informativos.
A gastroenterologista e coordenadora da Campanha Março Azul no Espírito Santo, Roseane Bicalho, destaca que a doença costuma evoluir sem apresentar sintomas e, por isso, frequentemente é descoberta apenas em fases mais avançadas, o que reduz de forma significativa as possibilidades de cura. A médica também reforça a importância da prevenção do câncer colorretal para homens e mulheres a partir dos 45 anos.
A campanha Março Azul é realizada pelas Sociedades Brasileiras de Endoscopia Digestiva (Sobed) e de Coloproctologia (SBCP), Sociedade Regional Leste de Coloproctologia (SRLCP), Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo (SOGES), Colégio Brasileiro de Cirurgia Capítulo Espírito Santo (CBC/ES), Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD).
Segundo câncer que mais mata no mundo
O câncer colorretal é uma doença de evolução silenciosa, mas que apresenta altas chances de cura quando diagnosticada precocemente. No Brasil, os números acendem um alerta: dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam um crescimento de 79,9% na incidência do câncer de intestino nos últimos 17 anos.
Além do aumento expressivo de casos, observa-se uma mudança no perfil da doença, com registros cada vez mais frequentes em pessoas mais jovens. O risco passa a crescer de forma significativa a partir dos 45 anos de idade.
Estudo conduzido pela gastroenterologista Dra. Roseane Bicalho, coordenadora da Campanha Março Azul no Espírito Santo, aponta que a mortalidade por câncer colorretal aumentou de forma relevante no país, especialmente entre pessoas com mais de 50 anos.
“Temos acompanhado um crescimento preocupante das mortes por câncer de intestino nos últimos anos, inclusive em faixas etárias abaixo dos 60 anos. A detecção precoce é decisiva para reduzir a mortalidade e ampliar as chances de tratamento eficaz”, destaca a médica.
A doença pode ser evitada ou identificada ainda em fases iniciais por meio de exames como a colonoscopia, que permite localizar e remover lesões precursoras – como adenomas ou lesões serrilhadas – que levam, em média, de 10 a 15 anos para evoluir para o câncer. Em alguns casos, quando a doença está em estágio inicial, o próprio câncer pode ser retirado durante o exame.
A campanha deste ano reforça a recomendação de realização da colonoscopia a partir dos 45 anos, com repetição a cada 5 a 10 anos, caso o exame esteja normal, ou em intervalos menores, conforme alterações encontradas. Para pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, o rastreamento deve começar aos 40 anos, com periodicidade de cinco anos ou conforme orientação médica. Já pacientes com doenças inflamatórias intestinais, como Doença de Crohn e retocolite ulcerativa, devem iniciar o acompanhamento após oito anos do diagnóstico, com colonoscopias anuais ou bianuais.
Outro método importante de rastreamento é a pesquisa de sangue oculto nas fezes, realizada anualmente, capaz de reduzir a mortalidade por câncer de intestino em 15% a 30% após 10 anos de acompanhamento. Em caso de resultado positivo, a colonoscopia é indicada. Esse exame, no entanto, não é recomendado para pessoas que realizaram colonoscopia há menos de cinco anos, salvo em situações como anemia ou deficiência de ferro.
“Muitos pacientes ainda chegam ao diagnóstico em estágios avançados, quando o tratamento se torna mais complexo e as chances de cura diminuem. A conscientização e a realização dos exames de rotina são fundamentais para mudar esse cenário”, reforça a Dra. Roseane Bicalho.
Fatores de risco e sintomas
Entre os principais fatores de risco para o câncer de intestino estão o sedentarismo, a alimentação inadequada, o consumo excessivo de carnes vermelhas e processadas, além do tabagismo e do uso frequente de bebidas alcoólicas.
Sinais de alerta como alterações no hábito intestinal (diarreia ou constipação persistentes), presença de sangue nas fezes, cólicas abdominais recorrentes, perda de peso sem causa aparente, anemia ou deficiência de ferro devem ser investigados o quanto antes.
Além de informar e conscientizar a população, a campanha Março Azul também tem como objetivo mobilizar o poder público para garantir acesso equitativo aos exames preventivos, como a colonoscopia e a pesquisa de sangue oculto nas fezes, para toda a população capixaba em idade de risco médio e para grupos de alto risco, incluindo parentes de primeiro grau de pessoas com câncer de intestino, endométrio, ovário e mama.









