No próximo domingo (18), completa cinco anos do início da vacinação contra a Covid-19, estratégia que se mostrou fundamental para a redução de casos graves e óbitos causados pelo vírus no Espírito Santo e em todo o país. Mesmo não sendo mais destinada à população em geral, como no período mais crítico da pandemia, a vacina segue desempenhando papel essencial na proteção de grupos específicos.
De acordo com o médico infectologista e referência técnica do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica (NEVE) da Secretaria da Saúde (Sesa), Raphael Lubiana Zanotti, a vacinação representou um marco na resposta à maior crise sanitária da geração atual.
“A vacina contra a Covid-19 representou esperança, proteção e uma resposta concreta à maior crise sanitária da nossa geração. Foi a ferramenta que permitiu salvar milhares de vidas, proteger profissionais de saúde, reduzir colapsos hospitalares e iniciar a retomada das atividades sociais e econômicas no Espírito Santo”, destacou o infectologista.
Segundo ele, atualmente o imunizante continua sendo uma importante ferramenta para evitar casos graves, especialmente entre pessoas que, por idade ou condições de saúde, apresentam maior risco de desenvolver formas severas da doença.
Baixa cobertura vacinal preocupa
Mesmo após cinco anos de disponibilidade, a resistência à vacinação ainda impacta diretamente as coberturas vacinais no Espírito Santo. A meta preconizada pelo Ministério da Saúde é de 90% para crianças menores de 1 ano, gestantes e idosos, mas, em 2025, os índices ficaram muito abaixo do esperado.
A cobertura vacinal entre crianças menores de um ano foi de apenas 2,61%. Entre as gestantes, o índice chegou a 12,38%, enquanto a cobertura entre idosos ficou em 3,82%.
“As vacinas são eficazes e seguras, passam por avaliações rigorosas antes de serem incorporadas à rotina da população e mudaram nossa relação com diversas doenças infecciosas. Elas devem ser vistas como aliadas importantes, tanto na proteção individual quanto coletiva”, reforçou Zanotti.
Casos graves e óbitos ainda ocorrem
Dados do Informe Epidemiológico das Vigilâncias das Síndromes Gripais do Programa Estadual de Imunizações apontam que, em 2025, foram confirmados 163 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19 no Espírito Santo. Desse total, cerca de 49,6% ocorreram em pessoas com 60 anos ou mais e 29,4% em crianças de 0 a 4 anos.
No mesmo período, foram registrados 46 óbitos por SRAG causada pela Covid-19. Aproximadamente 63% das mortes foram de idosos com mais de 60 anos, e 4,3% ocorreram entre crianças de 0 a 4 anos.

Quem deve se vacinar atualmente
Desde 2024, a vacina contra a Covid-19 passou a integrar o Calendário Nacional de Vacinação para crianças de seis meses a menores de 5 anos, gestantes e idosos, com aplicação de doses na rotina das salas de vacinação.
Para crianças maiores de seis meses a menores de 5 anos, o esquema vacinal prevê três doses, aplicadas aos 6, 7 e 9 meses de idade. Para idosos com 60 anos ou mais, a recomendação é uma dose a cada seis meses, independentemente do histórico vacinal anterior. Já as gestantes devem receber uma dose em qualquer momento da gestação e a cada nova gravidez.
Além desses grupos, o Ministério da Saúde orienta a aplicação de reforço anual da vacina para pessoas com mais de 5 anos pertencentes a grupos prioritários, como imunossuprimidos, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, pessoas com comorbidades, pessoas privadas de liberdade, população em situação de rua, entre outros.
No caso das puérperas, a vacinação é indicada para aquelas que não receberam o imunizante durante a gestação.
Esquemas para pessoas imunocomprometidas
Para pessoas imunocomprometidas, o esquema vacinal segue orientações específicas. Quem já tem o esquema completo deve receber duas doses anuais, com intervalo de seis meses. Já crianças de 5 a 11 anos, adolescentes e adultos imunocomprometidos que nunca se vacinaram devem receber um esquema primário de três doses, com intervalos de quatro semanas entre a primeira e a segunda dose e de oito semanas entre a segunda e a terceira.
A Sesa reforça a importância de que a população procure a sala de vacinação mais próxima para verificar a situação vacinal e manter a proteção em dia, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.











