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Resolução amplia acesso a tratamentos e autoriza o cultivo da cannabis medicinal

A aprovação das novas regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o cultivo e a produção de cannabis medicinal no Brasil pode representar um marco histórico para a saúde pública do Brasil. Quem faz a avaliação é o pesquisador em cannabis medicinal, Diego Rodrigues, que destaca o impacto da medida no acesso aos tratamentos.

Segundo o especialista, até agora, a maioria dos brasileiros que utilizam terapias à base de cannabis dependia de produtos importados, o que elevava custos e dificultava o tratamento. “Durante muitos anos, o paciente brasileiro tinha que comprar o medicamento de empresas estrangeiras. Isso criou uma reserva de mercado fora do país e restringiu o tratamento a quem tinha maior poder aquisitivo”, explica.

Com a regulamentação da Anvisa, o Brasil passa a poder produzir seus próprios medicamentos à base da planta, sob controle sanitário rigoroso. Para o pesquisador, isso significa que o país poderá, finalmente, tratar seus próprios pacientes. “O dinheiro que antes saía do Brasil passa a ser reinvestido aqui, gerando empregos, estrutura, arrecadação de impostos e fortalecendo a pesquisa científica”, afirma.

Resolução amplia acesso a tratamentos e autoriza o cultivo da cannabis medicinalOutro ponto destacado por Diego Rodrigues é a redução no custo dos tratamentos. Ele avalia que a produção nacional tende a diminuir significativamente os preços, o que pode ampliar o acesso à terapia.

“É o início de uma democratização da cannabis medicinal. Hoje, muitas pessoas até gostariam de fazer o tratamento, mas não conseguem por causa do alto custo”, diz.

Além do fator financeiro, Diego ressalta ganhos importantes na viabilidade do tratamento. Atualmente, pacientes que dependem de medicamentos importados podem esperar de 15 a 25 dias para receber a medicação. Com a produção nacional, esse prazo deve cair para poucos dias. “A matéria-prima, a planta, passa a estar aqui. Não será mais necessário esperar que o produto venha dos Estados Unidos ou da Europa para só então ser manipulado”, explica.

Diego Rodrigues também chama atenção para o aspecto científico da regulamentação. Segundo ele, a cannabis medicinal é uma terapia altamente individualizada, composta por mais de 500 substâncias diferentes. “A indústria farmacêutica tradicional não consegue atender todas as possibilidades terapêuticas da cannabis. Por isso, muitos médicos ainda recorrem à importação, pela falta de opções disponíveis no país”, afirma.

Com o novo marco regulatório, a expectativa é ampliar as possibilidades de tratamento para doenças como depressão — tema em evidência no Janeiro Branco — além de Alzheimer, autismo, epilepsia e dores crônicas. “Pesquisas mostram que, em alguns casos, poucas gotas de cannabis podem trazer efeitos terapêuticos importantes, inclusive em quadros graves, onde outros medicamentos não apresentam bons resultados”, destaca.

Para o pesquisador, a decisão da Anvisa também tem um caráter de reparação social. Dados indicam que uma parcela significativa da população brasileira vive com renda de até um salário mínimo e, por isso, não tem acesso à cannabis medicinal importada. “A partir do momento em que o Brasil pode plantar, extrair, fabricar, manipular e distribuir esses medicamentos aqui, o custo tende a cair e o acesso pode se ampliar para quem hoje está excluído dessa terapia”, conclui.

A Anvisa reforça que a nova norma não altera a proibição do uso recreativo da cannabis no país, mantendo o foco exclusivo no uso medicinal e científico. A resolução deve ser publicada nos próximos dias e terá validade inicial de seis meses.

Diego Rodrigues é um dos principais pesquisadores e consultores de cannabis medicinal no Brasil e fundador de empresa dedicada a tornar acessíveis produtos de canabinoides de alta qualidade no país. Sua trajetória profissional nasce da própria vivência. Em 2021, sua filha com 2 anos de idade, recebeu o diagnóstico grave de síndrome nefrótica córtico-resistente — condição rara que a colocou entre a iminência da diálise e do transplante renal — Diego acompanhou a introdução de um extrato de cannabis rico em CBD, observando uma resposta clínica significativa, com melhora inflamatória e preservação da função renal.

Essa vivência reforçou seu compromisso com o acesso responsável, ético e científico à cannabis medicinal. No mesmo ano, fundou a empresa, viabilizando a produção e importação de extratos de Cannabis sativa L. com custo mais acessível, dentro das normas regulatórias brasileiras. Desde então, Diego atua também na defesa do acesso à cannabis medicinal, participando de audiências públicas e debates institucionais sobre seu uso terapêutico em diversas condições de saúde.

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