O Espírito Santo registrou uma redução de 10,8% nos casos de gravidez na adolescência. Em 2025, foram contabilizados 4.650 partos de nascidos vivos de mães com idades entre 10 e 19 anos, contra 5.213 partos registrados em 2024. Os dados são do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc).
No Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, em 2025, foram realizados 242 partos em crianças e adolescentes de 10 a 19 anos. Já em 2026, entre os dias 1º e 23 de janeiro, foram registrados 13 partos nessa faixa etária na unidade. No mesmo período de 2025, haviam sido realizados sete partos.
No Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), foram registrados 112 partos de crianças e adolescentes de 10 a 19 anos em 2025. Em 2026, entre 1º e 23 de janeiro, foram realizados três partos. No mesmo intervalo de 2025, o hospital contabilizou seis partos nessa faixa etária.
Dados no Espírito Santo
De acordo com o Sinasc, em 2020 o Espírito Santo registrou 6.842 partos de nascidos vivos de mães entre 10 e 19 anos. Já em 2025, esse número caiu para 4.650 partos, evidenciando uma tendência contínua de redução ao longo dos últimos anos.
| Ano do nascimento | Total de nascidos vivos |
| 2020 | 6.842 |
| 2021 | 6.508 |
| 2022 | 5.724 |
| 2023 | 5.568 |
| 2024 | 5.213 |
| 2025 | 4.650 |
*Em 21/01/2026.
Semana de prevenção
A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência ocorre de 1º a 7 de fevereiro. Durante o período, ações de conscientização serão realizadas em todo o Espírito Santo.
Segundo o médico ginecologista e referência técnica da Saúde da Mulher na Rede Alyne, da Secretaria da Saúde (Sesa), Eduardo Pereira Soares, a gravidez na adolescência representa um desafio relevante para a saúde pública, por ocorrer em uma fase marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais.
“A prevenção é fundamental e passa, sobretudo, pelo acesso à informação e ao cuidado. O debate contínuo sobre sexualidade, sexo seguro e métodos contraceptivos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), aliado ao envolvimento das famílias e à realização de encontros coletivos, fortalece a autonomia das adolescentes e reduz riscos. Já nos casos em que a gestação ocorre, o acolhimento adequado é essencial, com captação precoce no pré-natal, estímulo à adesão ao acompanhamento e garantia de assistência qualificada ao parto e ao nascimento da criança”, destaca o médico.
Sob a perspectiva clínica, o fato de o corpo da adolescente ainda estar em desenvolvimento aumenta o risco de intercorrências durante a gestação e o parto. Entre os principais problemas estão anemia, infecções, hipertensão gestacional, parto prematuro e recém-nascidos com baixo peso. Soma-se a isso a dificuldade de adesão ao pré-natal, muitas vezes iniciado de forma tardia ou irregular, o que compromete o acompanhamento adequado da gravidez.
Além dos impactos biológicos, a gestação precoce gera consequências sociais e emocionais significativas, como a interrupção dos estudos, a redução de perspectivas profissionais e a dependência econômica, fatores que contribuem para a manutenção de situações de vulnerabilidade social. Esses efeitos também se refletem na sociedade, ampliando a demanda por serviços de saúde, assistência social e educação.
As repercussões alcançam ainda a vida da criança, que pode enfrentar maiores riscos à saúde nos primeiros anos, além de dificuldades no desenvolvimento emocional e social, especialmente quando a mãe não dispõe de uma rede de apoio estruturada.
“Diante desse cenário, o enfrentamento da gravidez na adolescência passa pela adoção de estratégias preventivas, como a educação sexual baseada em informação de qualidade, a ampliação do acesso a métodos contraceptivos e o acolhimento dos adolescentes nos serviços de saúde. Essas ações são fundamentais para promover cuidado, orientação e proteção, contribuindo para um futuro mais saudável para mães, filhos e para a sociedade como um todo”, ressalta o especialista.
A ampliação do acesso à informação e à orientação voltada ao público jovem conta ainda com o apoio do Programa Saúde na Escola (PSE), política pública desenvolvida nos 78 municípios do Espírito Santo, que alcança 2.101 escolas da rede pública. A iniciativa é executada de forma integrada por profissionais da Atenção Primária à Saúde e da educação básica, com articulação entre as Secretarias de Estado da Saúde (Sesa) e da Educação (Sedu).
Entre as estratégias do programa estão ações voltadas à saúde sexual e reprodutiva, com foco na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e do HIV. O tema integra o conjunto das 14 ações estruturantes do PSE e figura entre as cinco prioridades do ciclo 2025–2026.
Conforme dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), em 2025 o PSE no Espírito Santo realizou 1.226 atividades coletivas com o tema “Saúde sexual e reprodutiva”, envolvendo a participação de 76.255 estudantes.
A referência técnica do PSE na Sesa, Josymara Siqueira Duque, destaca a importância da abordagem dos direitos sexuais e reprodutivos no ambiente escolar.
“As escolas são espaços estratégicos para o desenvolvimento de ações educativas, com criação de ambientes de escuta, acolhimento e respeito. Essas iniciativas contribuem para a desconstrução de tabus, mitos e estigmas relacionados à sexualidade e possibilitam que adolescentes e jovens façam escolhas mais conscientes, vivenciando sua sexualidade de forma segura e responsável, reduzindo riscos como infecções sexualmente transmissíveis, exposição à violência, coerção, discriminação e gestações não planejadas”, afirma.











