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Dengue tipo 3 e “Aedes 2.0” podem antecipar novo surto no ES

A dengue pode estar avançando de forma silenciosa no Espírito Santo. A reintrodução do sorotipo 3 (DENV-3) após cerca de uma década, somada às ondas de calor previstas para o fim do ano e ao comportamento cada vez mais adaptável do Aedes aegypti — apelidado por pesquisadores de “Aedes 2.0” — forma um cenário que pode antecipar um surto já em dezembro, antes mesmo do tradicional pico de fevereiro e março.

Embora 2025 tenha, até o momento, números menos alarmantes que 2024, especialistas apontam que os indicadores atuais não refletem totalmente o risco real. Em 2024, o Estado registrou 241.879 casos prováveis de dengue e 42 mortes, segundo a Sesa. Já em 2025, até a Semana Epidemiológica 36, são 31.118 casos prováveis, 25.553 confirmados e um óbito. A aparente estabilidade, no entanto, pode ser enganosa.

A confirmação do retorno do DENV-3 em fevereiro acendeu o alerta epidemiológico. O professor Daniel Borges, do Departamento de Patologia da Ufes, explica que grande parte da população capixaba é soronegativa para esse sorotipo — ou seja, vulnerável. “A chegada de um novo sorotipo é um gatilho clássico para epidemias”, destaca. Além disso, a circulação simultânea de diferentes variantes aumenta o risco de formas graves, especialmente em casos de infecção secundária.

O vetor também mudou. Borges destaca que o Aedes aegypti atual se reproduz em água suja, água com matéria orgânica e até água salobra acumulada em embarcações. Ele também passou a picar durante a noite e ocupa áreas mais frias e de maior altitude. Estudos de outras regiões do país apontam ainda resistência crescente aos principais químicos usados no controle vetorial, como piretroides e temefós.

No Espírito Santo, o calor extremo previsto para os próximos meses deve acelerar o ciclo do mosquito e potencializar a transmissão. Para o professor, a antecipação do pico é praticamente certa. “Com temperaturas elevadas e chuvas irregulares, podemos ver aumento significativo de casos já no fim de dezembro, associado à circulação da nova variante”, alerta.

Casos graves

Apesar da reintrodução do DENV-3 e do ambiente favorável ao vetor, o cenário clínico de 2025 mostra redução expressiva na proporção de casos graves. “A taxa de letalidade em 2025 é oito vezes menor que em 2024”, aponta Borges. Ainda assim, ele reforça que a chegada do verão exige atenção redobrada a sinais de alarme e ao monitoramento regionalizado.

A Sesa afirma manter vigilância contínua por meio do COE/ES, com suporte técnico aos municípios, capacitações, insumos e orientações de manejo clínico. O Estado também utiliza painéis atualizados para análise territorial e definição de estratégias. Mas reconhece que o enfrentamento depende da integração entre Estado, municípios e população.

Nos bastidores da saúde pública, cresce a percepção de que o “mapa oculto” da dengue no Espírito Santo — formado pela combinação entre clima, vetor e variante viral — já está em movimento. A pergunta é se o Estado conseguirá frear a escalada antes que ela apareça, de forma contundente, nas estatísticas.

 

Sesa reforça ações

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) afirma que mantém monitoramento contínuo da dengue no Espírito Santo. A vigilância é coordenada pelo Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE/ES), que reúne equipes responsáveis por analisar cenários, orientar municípios e recomendar estratégias de combate ao Aedes aegypti.

Segundo a pasta, o Estado atua com suporte técnico às prefeituras, oferta de capacitações, atualizações periódicas, insumos e materiais educativos. Entre as ações, estão orientações sobre manejo clínico, vigilância de óbitos, protocolos de bloqueio e análises territoriais que orientam decisões locais.

A secretaria destaca que o enfrentamento exige trabalho conjunto entre Estado, municípios e população, especialmente diante do ambiente mais favorável ao mosquito. A pasta informa ainda que disponibiliza painéis atualizados de monitoramento, utilizados para tomada de decisão rápida e alinhamento com equipes municipais.

Apesar da reintrodução do DENV-3 e do alerta feito por especialistas sobre risco de antecipação de surtos, a Sesa afirma que, até o momento, não há evidências de subnotificação significativa que comprometa a análise epidemiológica. A orientação, porém, é clara: atenção redobrada nos meses quentes e manutenção das medidas de prevenção, eliminando focos e reforçando o cuidado com sintomas de alerta.

 

Bairros mais vulneráveis na GV

Municípios da Grande Vitória reforçam ações de combate ao Aedes aegypti, mas nenhum deles disponibiliza dados de circulação viral por bairro — apenas índices de infestação do mosquito, já que a circulação depende das notificações clínicas.

Na Serra, a prefeitura aponta que os bairros com maior infestação são Nova Zelândia, Camará, José de Anchieta III e Bairro Novo, em Nova Almeida. A administração informa que realiza visitas domiciliares, aplicação de larvicidas, orientações e medidas de bloqueio sempre que há registros suspeitos.

Em Vila Velha, as equipes identificaram mais focos nos bairros Polo Industrial, 1º de Maio, Nova Itaparica, João Goulart, Ilha dos Bentos e Santos Dumont. O LIRAa de julho mostrou ainda altos índices em Cobi de Cima, Vista da Penha, João Goulart, Santos Dumont, Cocal e Morro da Lagoa. Com a chegada do calor mais intenso, o município ampliou as frentes de atuação.

Já Vitória afirma atuar com todas as equipes de endemias em campo, realizando inspeções, eliminação de criadouros, bloqueio de transmissão e tratamento de focos. A capital explica que o município é dividido em estratos, e que os maiores índices de infestação estão nas áreas com grande concentração de edificações verticalizadas, onde há maior número de imóveis vistoriáveis.

 

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