Entre maio de 2022 e abril de 2023, o estado realizou 60.334 mamografias, segundo o Sistema de Informação do Câncer (SISCAN). A série histórica mostra recuperação após o impacto da pandemia: foram 62.069 exames em 2018, queda para 31.548 em 2020 e nova alta para 50.555 em 2022, conforme dados do SIA/SUS.
Mesmo com 140 mamógrafos cadastrados — dos quais 138 estão em uso —, a rede pública ainda enfrenta gargalos de distribuição. Apenas 65 unidades pertencem ao SUS, o que concentra o atendimento em regiões metropolitanas e dificulta o acesso no interior.
O Atlas da Radiologia no Brasil 2025, elaborado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), reforça esse cenário. O documento mostra que o país possui 6.826 mamógrafos registrados, sendo cerca de metade disponível no SUS. No Espírito Santo, o Atlas destaca uma das maiores taxas de operação dos aparelhos do país — mais de 90% dos equipamentos cadastrados estão ativos —, mas também evidencia a concentração de serviços em Vitória, que reúne quase 80% da infraestrutura de diagnóstico por imagem do estado.
A cobertura entre mulheres de 50 a 69 anos atingiu 25,52%, colocando o Espírito Santo em 6º lugar nacional. Embora o índice supere a média brasileira (18,37%), especialistas alertam que o percentual ainda está abaixo do ideal para o rastreamento eficaz.
Em outubro de 2024, a Secretaria de Saúde do Estado ampliou o público-alvo da mamografia para mulheres a partir dos 40 anos, após constatar aumento de casos nessa faixa etária. A medida segue diretrizes mais recentes do Ministério da Saúde e deve elevar a demanda por exames nos próximos anos.
O CBR destaca que a distribuição desigual dos mamógrafos — concentrados em grandes centros urbanos — é uma das principais barreiras para o diagnóstico precoce. Em estados como o Espírito Santo, a boa disponibilidade técnica nem sempre se traduz em acesso real, por limitações de pessoal, manutenção e fluxo entre as unidades.









