Marujo está para Pablo Escobar, como Luan Vera para opressor, afirma delegado

Preso na manhã desta sexta-feira (8), o principal procurado pela Polícia do Espírito Santo, Fernando Moraes Pimenta, “Marujo” era visto pela comunidade do bairro Bonfim, em Vitória, como uma espécie de Pablo Escobar.

O superintendente de Polícia Especializada (SPE), delegado Romualdo Gianordoli, detalha a relação de Marujo com os moradores do bairro e como isso dificultou que ele fosse encontrado. “Ele é muito querido na comunidade dele, um líder como Pablo Escobar daquela época, que distribuía dinheiro, medicamentos e muito mais a comunidade”.

O delegado destaca que apesar de querido na comunidade Marujo é um só, diferente dos irmãos Vera – Luan Vera (Camu), Nono (único ainda livre) e Buti – era sozinho. “Com isso sabemos que a situação da região do bairro da Penha ficará muito incerta”.

Outro ponto de distinção entre Marujo e Luan Vera, ressaltado por Gianordoli foi a forma de liderar. “Luan era respeitado porque oprimia a comunidade, mantinha o controle a base do medo”.

Segundo o delegado, foi preciso depreender quatro meses de operações do Centro de Inteligência e Análise Telemática (CIAT) voltadas especialmente para a prisão de Marujo. A polícia precisou apurar a rotina que ele vivia, morando em um bunker no sótão da casa do pai e dormindo apenas 2 horas por dia.

Conforme destaca Gianordoli, as poucas denúncias anônimas que eram recebidas pelas polícias eram sem fundamento. “Algumas davam conta que ele estava aqui e outras que estava no Rio. Foi precisa a ajuda do videomonitoramento para focar nessa rotina”.

Fim da Sicário

Com a prisão de Marujo, foi declarado pela Polícia Civil do Espírito Santo o fim da Operação Sicário que chegou a sexta fase em janeiro de 2024. Segundo o delegado, através da operação foi possível fechar o certo entorno dele. “Primos e irmãos, todos estão presos, assim como pessoas que eram muito respeitadas pelo comando da facção. Os outros que ficaram são muito jovens e por enquanto não há nenhum líder carismático que todos vão seguir”.

A polícia destaca que ainda não sabe quem irá assumir a região, mas que não irá demorar. O superintendente destaca que a vinda de Marujo ao estado foi motivada por declarar guerra ao Terceiro Comando Puro (TCP) comandado pelos irmãos Vera. “Ele ficou muito tempo no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. Mas como não queria perder a liderança, retornou. Todos os tiroteios nos últimos meses foram porque ele deflagrou a guerra e precisou vir para cá gerenciar”.

Com a prisão de Marujo, a vaga de mais procurado do Espírito Santo segue vaga, uma vez que nenhum dos demais presentes possui o peso dele e dos irmãos Vera, afirma o delegado.

Prisão

Delegado Gianordoli destaca que a polícia mirou em todo o círculo de contatos de Marujo para conseguir prendê-lo. “Ao se entregar, a família dele se desesperou e ele disse “perdi”, mas manteve a postura”.

O superintendente afirma que houve um esquema tático para tirá-lo do morro, por ser uma área considerada “protegida” por ele. “Ao contrário de Luan Vera, pego em uma área que não era dele, Marujo estava protegido. Os agentes tiveram que ficar com ele na casa por um tempo, mas mesmo assim a polícia foi hostilizada pelos moradores devido ao carisma que tem na comunidade”.

*Com informações de Thais Rossi

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