A agenda do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), foi intensa no fim de semana. Com visitas a municípios de norte a sul do Estado, o roteiro sinaliza mais do que compromissos institucionais: indica movimentações políticas do grupo liderado por ele.
Não se tratou de uma agenda qualquer. O republicano passou por cidades como Montanha, Pinheiros, Alfredo Chaves, Castelo, Guarapari e Cariacica nos últimos dias. É um percurso típico de quem mira algo além da gestão municipal. Pazolini esteve acompanhado de aliados como o deputado federal Evair de Melo (Progressistas), que ainda avalia qual cargo pretende disputar, e do presidente da Câmara de Vitória, Anderson Goggi (Republicanos), que busca uma vaga na Assembleia Legislativa.
Diante de um adversário como o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), que vai assumir o comando do Estado após a renúncia de Renato Casagrande (PSB) — de olho no Senado —, é consenso que Pazolini precisa ampliar sua presença e reconhecimento nos municípios do interior. A Grande Vitória concentra quase metade do eleitorado, é verdade, mas ignorar o peso das demais cidades seria um erro estratégico.
Tradicionalmente, municípios do interior mantêm relação mais próxima com o Executivo estadual, sobretudo em razão de orçamentos mais limitados. Obras locais, como unidades de saúde, escolas e melhorias viárias, costumam depender de recursos do governo do Estado. As agendas de Casagrande ao longo dos mandatos são exemplo disso.
Nesse contexto, Pazolini tem a tarefa de demonstrar viabilidade política e garantir que eventuais parcerias para obras estruturantes sejam mantidas — algo que marcou as gestões tanto de Casagrande quanto de Paulo Hartung (PSD), guardadas as devidas proporções entre os dois governos.
Mais do que recall eleitoral, uma eleição se constrói com lideranças políticas. Nesse ponto, o grupo governista leva vantagem natural, fruto do tempo no comando do Executivo e das relações políticas consolidadas. Ainda assim, isso não significa vitória garantida. Basta lembrar que Casagrande, após perder a eleição de 2014, percorreu o Espírito Santo a partir do ano seguinte, mantendo-se competitivo até retornar ao governo.
É verdade que Pazolini conquistou apoios relevantes, como o do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB). Os dois devem alinhar os próximos passos eleitorais. Por outro lado, o governo também se movimentou nos bastidores para retirar quadros importantes do Republicanos, como os deputados federais Amaro Neto e Messias Donato. E, apesar da recente foto com o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos (PSD), ainda é cedo para afirmar que a aliança com o PSD está totalmente consolidada.
Diante desse cenário, gastar sola de sapato pelo interior será tarefa indispensável para quem pretende sair vitorioso na próxima eleição.
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Spoiler
Em suas redes sociais, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), revelou que o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) deve tomar posse como chefe do Executivo estadual no dia 2 de abril, uma quinta-feira. Detalhe: se a data se confirmar, a cerimônia ocorrerá na Quinta-Feira Santa, quando os católicos recordam a última ceia e o ritual do lava-pés.
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Determinação I
A possível data da posse de Ricardo coincide com as diretrizes divulgadas pelo governo estadual em portaria publicada nesta segunda-feira (9). Servidores comissionados, secretários, subsecretários, diretores de órgãos e o próprio governador precisam se afastar de suas funções até o dia 3 de abril.
Determinação II
Já para os servidores efetivos, a portaria estabelece que o afastamento deverá ocorrer até o dia 3 de julho.
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Agenda
Falando em Marcelo Santos, ele recebeu, nesta segunda-feira (9), o secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann (PSB), que, em breve, deve retornar à Assembleia Legislativa.
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Vem pesquisa nacional I
O Instituto Paraná Pesquisas, que atua em nível nacional, abre o ciclo de levantamentos sobre intenções de voto no Espírito Santo. A empresa registrou a pesquisa na última sexta-feira (7) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o número ES-05588/2026. A divulgação está prevista para esta sexta-feira (13).
Vem pesquisa nacional II
Entre os nomes testados para o governo do Estado estão Ricardo Ferraço, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), e o deputado federal Helder Salomão (PT). Também haverá consultas sobre intenções de voto para o Senado e a Presidência da República, além de avaliações das gestões do presidente Lula (PT) e do governador Renato Casagrande (PSB).
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Aviso
O ES Hoje, como de costume, também manterá sua tradição de realizar pesquisas eleitorais, contribuindo para o processo democrático e para a divulgação de informações com credibilidade.
E o PT?
Falando em PT, reportagem nacional do portal Poder360 destaca que o partido ainda demora a estruturar seu palanque na região Sudeste. A matéria menciona que a legenda já tem Helder Salomão como pré-candidato ao Palácio Anchieta e que haverá uma reunião neste mês, com o presidente Lula, para tratar do tema e consolidar a indicação.
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Definição I
Espera-se que ainda nesta semana o governador Renato Casagrande anuncie quem será o procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para o biênio 2026-2028. Na última sexta-feira (6), o atual chefe da instituição, Francisco Martínez Berdeal, recebeu 168 votos dos membros, contra 116 de Danilo Raposo Lírio.
Definição II
Berdeal, por sinal, teve encontro com Casagrande no fim de semana, neste domingo (8), durante evento em que foram anunciadas políticas públicas voltadas às mulheres.
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Mais mulheres na política

A mesa diretora da Câmara Municipal de Vitória nesta segunda-feira, 9 de março, contou só com mulheres. As vereadoras Karla Coser (PT), Ana Paula Rocha (Psol) e Mara Maroca (Progresisstas) conduziram os trabalhos, a partir do convite do Presidente Anderson Goggi, em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres.
Procura-se I
Falando em mulheres, conversas nos bastidores partidários indicam dificuldades para a formação de chapas femininas. Algumas legendas têm enfrentado desafios para cumprir essa tarefa. É triste registrar isso, considerando que as mulheres são maioria da população e que candidaturas competitivas são fundamentais para garantir representatividade.
Procura-se II
Na Câmara dos Deputados, a única representante capixaba é Jack Rocha (PT). Já na Assembleia Legislativa estão Camila Valadão (PSOL), Iriny Lopes (PT), Janete de Sá (PSB) e Raquel Lessa (Progressistas).
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Na moita
Um político tem sido visto como elemento desagregador. Se um acordo cair por terra, os planos dele também podem ir por água abaixo.
Tá na rede
“Vorcaro é um homem-bomba prestes a explodir nas estruturas do poder.”
Magno Malta (PL), senador










