Em poucos dias, o governador Renato Casagrande (PSB) passou a figurar no noticiário nacional, com forte repercussão no Espírito Santo. As reportagens colocaram sob questionamento um dos pilares que o socialista cultiva e que seus aliados frequentemente destacam: a imagem de honestidade e de uma gestão sem manchas de corrupção.
A coletiva concedida nesta segunda-feira (2) deixou dois pontos evidentes. O primeiro: a esperada renúncia ao Palácio Anchieta para disputar uma vaga ao Senado, colocando uma agenda positiva de divulgação e de continuidade do projeto político do seu grupo, com o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) como seu candidato e sucessor natural.
O segundo: a convicção de que tem consciência limpa dos fatos que o rodearam nos últimos dias. Casagrande sustenta que, até aqui, o que há são denúncias, sem fatos concretos.
É verdade que houve episódios desconfortáveis ao longo de seu mandato, como a Operação Decanter, que chegou no entorno de aliado seu. No entanto, o então secretário de Estado da Fazenda, Rogélio Pegoretti, já havia pedido exoneração antes da deflagração da ação policial, sob a alegação de motivos pessoais. Casagrande, assim, não teve culpa alguma.
Na última sexta-feira (27), a divulgação de conversa entre Casagrande e o desembargador federal Macário Judice acrescentou um novo capítulo à crise. O governador respondeu por meio de nota e, à noite, publicou um vídeo. Houve quem avaliasse que ele parecia menos espontâneo ao ler o teleprompter, demonstrando certo desconforto. São interpretações. Outros entenderam que o contraditório foi apresentado de forma adequada e que caberá ao eleitor dizer “sim” ou “não” diante dos elementos expostos.
O caso ganhou novo fôlego com o desdobramento envolvendo a saída do delegado Romualdo Gianordoli Neto da Subsecretaria de Inteligência, em meio ao contexto que também envolve Macário Judice, preso sob suspeita de tráfico de influência e venda de sentenças. O episódio reacende questionamentos e volta a tensionar o discurso de integridade e transparência do governo. Nos bastidores, ainda há especulações sobre eventual candidatura de Romualdo. Sobre o delegado, o governador foi seco: “ele sabe o porquê de ter sido demitido”.
Voltando ao vídeo, Casagrande afirmou que “pessoas se aproveitam desse tipo de notícia para tentar criar versões, espalhar desinformação e antecipar disputas políticas”. Ao convocar a coletiva e pautar sua sucessão – e ainda falar laconicamente das repercussões nacionais -, o governador demonstrou que pretende criar e fomentar temas positivos em detrimento de alimentar polêmicas.
O ambiente, que já vinha marcado por movimentos de bastidores e estratégias típicas de pré-campanha, tende a se intensificar.
Especialmente agora que está tudo cada vez mais definido no QG que comanda o Palácio Anchieta. Ricardo, candidato a governador; Casagrande, na corrida pela primeira cadeira ao Senado. Agora, faltam ajustes com os devidos aliados.
Contexto I
Reportagem da Folha de S.Paulo, publicada no fim da noite de domingo (1º), destaca que Casagrande mandou exonerar o delegado da Polícia Civil Romualdo Gianordoli Neto da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública, após investigação detectar suspeitas envolvendo Macário.
Contexto II
Segundo a Folha, os diálogos suspeitos de Macário, encontrados pela Polícia Civil, foram obtidos no curso da Operação Baest, deflagrada em maio de 2025 contra o suposto “braço financeiro” da facção Primeiro Comando de Vitória.
Contexto III
Um dos alvos da ação foi o empresário Adilson Ferreira, cujo celular continha conversas com Macário Júdice que indicariam a atuação do magistrado em licitações no âmbito da gestão Casagrande.
Contexto IV
Para a Folha, o secretário de Estado da Segurança Pública, Leonardo Damasceno, afirmou que nem ele nem o governador têm conhecimento da existência de diálogos envolvendo o magistrado. Disse também que as exonerações ocorreram em razão do desgaste de parte da equipe que atuou no inquérito junto ao delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda.
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Consequência
Grupos de direita, principalmente os mais radicais, passaram a intensificar os ataques contra Casagrande nas redes sociais, sempre questionando sua honestidade.
Sem conexão
Protesto liderado pelo senador Magno Malta (PL), nesse domingo (1º), não reuniu o mesmo número de manifestantes das últimas ocasiões e ficou mais concentrado em Vila Velha.
Fala que eu te escuto
Em determinado momento, no trio elétrico, o senador passou a palavra a Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, para conversar com os manifestantes presentes no ato.
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Sinais I
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), esteve em Vila Velha, mas preferiu cumprir agenda na Feira de Aribiri ao lado do colega canela-verde Arnaldinho Borgo (PSDB).
Sinais II
O deputado federal Evair de Melo (Progressistas) e Erick Musso, que participaram do ato de Magno, reforçaram posteriormente a comitiva dos prefeitos.
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Conclusões
Alguns observadores e lideranças partidárias avaliam que o PL deveria buscar maior conexão com outros partidos, a fim de unificar a direita. No entanto, isso depende do aval de Magno, decisão considerada pessoal e estratégica do senador.
Mais uma agenda
Pazolini também esteve presente, nesse domingo, à partida do Vitória, na qual o alvianil garantiu vaga na semifinal do Capixabão para enfrentar o Porto Vitória.
Leis de Vila Velha
Nova lei do município proíbe a exposição de crianças vulneráveis, com menos de 12 anos, pedindo dinheiro ou comercializando produtos em vias públicas. Segundo a norma, caberá ao Poder Executivo municipal adotar as medidas necessárias para a proteção dessas crianças.
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Eleição I
Nesta sexta-feira (6), acontece a eleição para procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES). Disputam o cargo o atual chefe da instituição, Francisco Berdeal, e o promotor de Justiça Danilo Raposo Lírio.
Eleição II
Como de praxe, a lista será entregue ao governador. A tarefa, porém, não será realizada por Berdeal, que está afastado em razão da campanha. A conferir.
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Na moita
Um político é fã do famoso lanche “podrão”. Suas parceiras de refeição são as mais variadas possíveis, segundo observadores.
Tá na rede
“A mensagem do nosso ministro (Guilherme Boulos) é clara: precisamos de unidade para vencer essas eleições.”
Karla Coser (PT), vereadora de Vitória










