O comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Douglas Caus, deve em breve se despedir da caserna para ingressar definitivamente em outro campo de batalha: a política. A tendência é que o oficial deixe a farda e queira assumir o terno e a gravata para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.
Caus chega à possível disputa eleitoral com um currículo relevante dentro da corporação. Ele é o comandante mais longevo da história da Polícia Militar capixaba. Assumiu o cargo em 7 de abril de 2020, em meio a uma grave crise na segurança pública, e permanece na função há quase seis anos.
Naquele momento, sua chegada integrou um movimento mais amplo no governo do Estado, que também levou o Coronel Alexandre Ramalho (Republicanos) ao comando da Secretaria de Estado da Segurança Pública. Com o tempo, Ramalho acabou rompendo politicamente com o grupo do governador Renato Casagrande (PSB). Caus, no entanto, seguiu no posto e manteve alinhamento institucional com o Palácio Anchieta.
O experiente oficial da PM possui posicionamentos que dialogam mais diretamente com setores da direita e do centro do espectro político. Por isso, uma eventual filiação ao PSB, partido de Casagrande, seria considerada improvável. Nesse cenário, duas alternativas ganham força para abrigar sua futura candidatura: o Podemos, liderado no Estado pelo deputado federal Gilson Daniel, e a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, sob a batuta do deputado federal Da Vitória (Progressistas).
No campo discursivo, Caus construiu uma imagem de linha dura na segurança pública. Em diversas ocasiões, adota mensagens diretas e até caricatas contra a criminalidade, afirmando, por exemplo, que criminosos que enfrentam a Polícia Militar “não voltam para casa” — expressão utilizada em sentido figurado. O tom agrada parte do eleitorado, sobretudo em um contexto em que a segurança pública costuma ocupar posição central nos debates eleitorais.
Dentro desse cenário, o coronel também pode desempenhar papel estratégico no tabuleiro político estadual. Sua presença tende a reforçar o diálogo do grupo governista com segmentos conservadores e com a própria categoria militar, contribuindo para ampliar o alcance da candidatura do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) ao Palácio Anchieta.
É verdade que sua gestão pode receber críticas ou questionamentos. Ainda assim, o fato de permanecer por quase seis anos à frente da Polícia Militar sugere que há mais do que simples conveniência política em sua permanência no cargo. Há, no mínimo, reconhecimento institucional por sua condução da corporação.
Caso a candidatura se confirme, Caus também poderá representar um ativo político para o próprio governador Renato Casagrande, que vai disputar uma vaga no Senado. Uma eventual eleição do comandante-geral serviria como vitrine para a política de segurança pública implementada durante o atual governo.
Diante desse cenário, a missão do coronel será clara: converter sua trajetória na segurança pública em capital eleitoral. Para isso, precisará convencer o eleitorado de que pode exercer na Assembleia Legislativa uma presença tão consistente quanto a que manteve no comando da Polícia Militar.
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Oxalá! I
Durante a filiação do deputado federal Messias Donato ao União Brasil, nesta quarta-feira (11), o deputado federal Da Vitória (Progressistas), que lidera a federação União Progressista, referiu-se ao vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) como o próximo “governador do Espírito Santo”.
Oxalá! II
Governador ele será, de qualquer forma, já que Renato Casagrande (PSB) deverá renunciar ao cargo no dia 2 de abril para disputar o Senado, movimento antecipado por Poder ESHOJE.
Oxalá! III
O que está em jogo, na verdade, é a consolidação do apoio político para a eleição. Nesse aspecto, o alinhamento da federação União Progressista com a candidatura de Ricardo parece cada vez mais avançado. Até o presidente nacional do União Brasil, Antônio de Rueda, reforçou o compromisso de caminhar ao lado do emedebista na disputa estadual.
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Mais uma pesquisa I
Novos levantamentos de intenção de voto devem movimentar o cenário político capixaba nos próximos dias. O primeiro deles, conforme já divulgado pela coluna Poder ESHOJE, é do instituto Paraná Pesquisas, com divulgação prevista para esta sexta-feira (13).
Mais uma pesquisa II
Outra empresa que iniciará o monitoramento do quadro eleitoral no Espírito Santo é a Real Time Big Data. O levantamento começa nesta sexta-feira (13) e tem divulgação prevista para a próxima segunda-feira (16).
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“Minha prefeita” I
Algumas autoridades e representantes de órgãos públicos já passaram a tratar a vice-prefeita de Vitória, Cris Samorini (Progressistas), como “prefeita”. Nos bastidores, inclusive, problemas administrativos já começam a ser encaminhados diretamente a ela, diante da possibilidade de o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) deixar o cargo para disputar as eleições.
“Minha prefeita” II
Caso assuma de fato a chefia do Executivo municipal, Cris terá pela frente o desafio de reorganizar parte da estrutura administrativa. Atualmente, algumas secretarias acumulam funções, como ocorre com Regis Mattos Teixeira, responsável pelas pastas da Fazenda e da Gestão, e Luciano Forrechi, que responde por Governo e Cidadania.
“Minha prefeita” III
A própria Cris Samorini também acumula funções, já que ocupa a Secretaria de Desenvolvimento da Capital. Outro possível desfalque na equipe é o de Soraya Manato (Republicanos), titular da Assistência Social, que deve deixar o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
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Na moita
Um “bicão” tem incomodado muita gente em eventos oficiais. PS: aparentemente, ninguém tem imposto limites.
Tá na rede
“O debate sobre a qualidade da água nas praias do Espírito Santo não pode ser ignorado. A nossa saúde está em jogo.”
Camila Valadão (PSOL), deputada estadual










