Os principais grupos que disputam espaço nas candidaturas majoritárias e proporcionais no Espírito Santo travam uma batalha “silenciosa”, ainda sem declaração formal de guerra. O embate ocorre, sobretudo, no abalo das estruturas adversárias.
Hoje, desenham-se dois polos centrais, sem desconsiderar outros flancos. De um lado, o grupo liderado pelo governador Renato Casagrande (PSB), que já escolheu o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) como seu candidato natural à sucessão. De outro, o bloco que passou a reunir o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB).
O primeiro impacto estrutural partiu justamente de Vila Velha. Arnaldinho recusou apoiar Ricardo e decidiu trilhar outro caminho. Embora ainda se declare aliado de Casagrande, seus movimentos indicam direção distinta. A guinada ficou evidente com a filiação do vice-prefeito canela-verde, Cael Linhalis, ao PSDB — ele era filiado histórico do PSB e amigo de longa data do governador. O gesto foi interpretado como simbólico e estratégico.
No campo oposto ao grupo que ocupa o Palácio Anchieta, outro movimento relevante foi a consolidação do PSD ao lado de Pazolini e Arnaldinho. Era um desfecho esperado, especialmente pela presença do ex-governador Paulo Hartung na legenda, que não demonstra grande afinidade com a dobradinha Casagrande/Ricardo.
As respostas, contudo, começaram a surgir. Sem troca de ofensas públicas, houve o que muitos classificam como “desmonte” do Republicanos, que deve perder seus dois deputados federais com mandato: Amaro Neto e Messias Donato. Trata-se de um movimento com peso político, sobretudo porque o tamanho da bancada na Câmara dos Deputados é determinante para a distribuição de recursos e tempo de propaganda.
Se Pazolini confirmar candidatura ao governo, precisará de uma chapa robusta à Câmara Federal para sustentar o projeto. A eventual saída de dois parlamentares fragiliza a estratégia e impõe desafio ao presidente estadual da legenda, Erick Musso — apontado, inclusive, como possível postulante a uma vaga em Brasília. Fala-se na possibilidade de chegada do deputado federal Evair de Melo (Progressistas). A dúvida é: em que condições? E haveria espaço para acomodar compromissos já sinalizados?
Como esta coluna já destacou, o tabuleiro eleitoral capixaba se assemelha a uma partida de “War”. Os grupos avançam sobre territórios estratégicos, buscam alianças e trabalham garantias futuras. Até aqui, prevalece um jogo de movimentos calculados, sem ataques frontais — algo que parte do eleitorado tende a aprovar, sobretudo após campanhas recentes marcadas por confrontos intensos. A lógica, neste momento, é de guerrilha política: ocupar bases, enfraquecer redutos adversários e ampliar áreas de influência.
É certo que, em algum momento, a guerra será declarada, com acusações explícitas e nomes no centro do debate. Mas todos aguardam o timing adequado. Em disputa tão equilibrada, um passo mal calculado pode custar caro. E há muito em jogo no Espírito Santo.
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Mão amiga
Fontes ouvidas pela coluna afirmam que a saída de Amaro Neto do Republicanos contou com articulação do prefeito de Guarapari, Rodrigo Borges — também de saída da legenda — e do ex-deputado estadual Sérgio Borges (MDB). Ambos mantêm excelente relação com Ricardo Ferraço.
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E aí? I
Anotações que seriam do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) sobre apoios a candidaturas majoritárias nos estados deram o que falar. Para o Espírito Santo, como publicou o ES Hoje, as prioridades seriam Pazolini, para o governo, e o deputado federal Evair de Melo (Progressistas), para o Senado. O PL estadual já divulgou nota afirmando que “não procede o conteúdo divulgado em listas extraoficiais que circulam na internet”.
E aí? II
O burburinho coloca o senador Magno Malta (PL) sob nova pressão, já que a eventual preferência por Evair partiria do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Vale lembrar que, até o momento, Magno é defensor irrestrito da candidatura da filha, Maguinha Malta (PL), ao Senado. Inclusive, chegou a ser ventilada a possibilidade de ele próprio disputar o governo do Estado para fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
E aí? III
Diante disso, surgem alguns questionamentos. O primeiro: Pazolini passou a ser visto pela direita como um nome alinhado a Bolsonaro? Ou o palanque dele poderia estar sendo estruturado para fortalecer a candidatura do filho do ex-presidente?
E aí? IV
O PL do Espírito Santo já cogita, a partir das especulações em Brasília, uma eventual composição com o Republicanos? Há espaço para todos, considerando que ainda estão no jogo o PSDB, de Arnaldinho Borgo, e o PSD, de Renzo Vasconcelos?
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Perguntar não ofende
O que pensa o ex-governador Paulo Hartung (PSD) sobre essa possível união de forças?
Fica a pergunta no ar: valeria manter a qualquer custo essa articulação?
Saídas
A Prefeitura de Vila Velha vem registrando diversas exonerações, a pedido, de servidores comissionados.
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Po-li-la-mi-ni-na
Sessões lotadas, tanto no Palácio Anchieta quanto na Assembleia Legislativa, para homenagear a pesquisadora Tatiana Sampaio, bióloga responsável pelo estudo com a polilaminina — substância utilizada em tentativas de restabelecer a comunicação entre o cérebro e o corpo após lesões graves e que se tornou esperança para pacientes que perderam movimentos. Alguns políticos capixabas, visivelmente, ainda não aprenderam a pronunciar o nome da proteína.
Barrados no baile
Foi tanta autoridade presente que não houve cadeiras. Muitos políticos ficaram de pé no Palácio Anchieta.
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Mais uma homenagem I
O ex-governador Gerson Camata receberá nova homenagem. Projeto do Executivo estadual denomina com o nome dele o trecho da Rodovia ES-115 entre Nova Almeida e a Ponte de Piraqueaçu, nos municípios da Serra e de Aracruz.
Mais uma homenagem II
Esse segmento integra uma das principais apostas do governo estadual: a continuidade do Contorno de Jacaraípe. A próxima etapa prevê a ligação do contorno atual a um novo trecho em Nova Almeida e outro em Praia Grande (Fundão), além da conexão com a Ponte de Piraqueaçu, em Aracruz.
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Na moita
Há quem diga que haverá muita conversa para uma possível mudança de destino de um pré-candidato. Isso porque uma pretensão esbarra na vontade de outro agente, que teria muito a cobrar…
Tá na rede
“Como disse a ministra Cármen Lúcia: ‘Quantas Marielles o Brasil permitirá serem assassinadas?’ Acham que matar uma de nós é fácil porque desumanizam nossas existências.”
Camila Valadão (Psol), deputada estadual










