Acabando com um ciclo que vem desde 1997, a Serra, a partir de 2025, terá um novo prefeito que vai quebrar o rodízio entre Sergio Vidigal (PDT) e Audifax Barcelos (Progressistas): Weverson Meireles (PDT).
Trata-se de um momento histórico para a cidade, que por quase três décadas se acostumou com essas figuras conduzindo o maior município do Espírito Santo.
Vidigal consegue façanha
Vidigal obtém uma façanha gigantesca, que é a de emplacar um sucessor. É um fato que seu rival, Audifax, não conseguiu fazer em 2020. À ocasião, o ex-prefeito encaminhou seu pupilo, Fábio Duarte, para o segundo turno, no entanto ele perdeu para o pedetista.
O atual gestor serrano, com o auxílio do governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), conseguiu transferir votos para Weverson, o que é muito relevante. Transformou seu candidato, agora prefeito eleito, de azarão para favorito e isso ainda no primeiro turno.
O jovem iniciou a campanha com baixo recall e ao longo da campanha obteve um rápido crescimento, o que promoveu a saída de Audifax do segundo turno, claro que também auxiliado pela popularidade de Pablo Muribeca (Republicanos), candidato vencido neste domingo (27).
Vidigal termina este ano com a sensação de dever cumprido e poderá pensar, com muita calma, no que fará, já visando 2026. Pode ser que pense em voltar para o Congresso, já que seu aliado estará na prefeitura? Pode ser que pense até no governo? Pode ser.
O fato é que o pedetista, talvez, tenha (ou não) o maior período de paz dos últimos anos de sua carreira política.
Vitória da centro-esquerda
Com diversos remendos – inclusive com acenos ao conservadorismo -, a centro-esquerda bateu a direita, com quês de radicalismo, na Serra. Essa vitória dá gás para manter a relevância do PDT, bem como fortalecer o PSB, de Casagrande.
Casagrande fortalecido
Inegavelmente, conforme esta coluna já debateu, Casagrande sai altamente fortalecido desta batalha, principalmente por conseguir bunkers de apoios em Cariacica (Euclério Sampaio/MDB), em Vila Velha (Arnaldinho Borgo/Podemos) e, agora, na Serra, com Weverson.
Obtendo essas parcerias e campos de atuação, além de ter bom prestígio em Vitória, o governador já tem todas as condições para encaminhar sua campanha ao Senado, como é bastante especulado.
O socialista, a partir dos prefeitos, também pode analisar se algum dos nomes é forte o suficiente para a sucessão ao Palácio Anchieta. Além do vice-governador do Estado, Ricardo Ferraço (MDB), Arnaldinho é bastante cotado para a corrida ao governo daqui a dois anos.
O resultados das urnas deixa claro que será necessário os atores políticos, inclusive aqueles que ensaiam voos solos, dialogarem com o socialista, seja para ratificar parcerias ou indicar novos caminhos.
Nova liderança
Weverson se consolida como nova liderança no cenário serrano. Ele tem possibilidades de fazer um governo no seu ritmo, mas, claro, apoiado por Vidigal e por Casagrande. Mas ele será muito visado, seja na Assembleia Legislativa, seja na Câmara dos Vereadores.
Ele sabe que necessitará de fazer um mandato exitoso para manter forte tanto Vidigal – seja lá qual seja a decisão de futuro dele – quanto Casagrande.
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Muribeca não está morto
O deputado estadual, com sua ampla votação, não é um player a ser descartado. Ele se consolida como liderança no município e tem boas chances de, novamente, ir para um segundo turno na Serra, em 2028.
Copo meio cheio
Caso tenha vontade de disputar o Palácio Anchieta, como é especulado, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), já começou se apresentando à população da Serra. Apesar de não sair vitorioso, seu grupo tem vereadores e lideranças que podem lhe auxiliar. A verificar.
E Audifax?
É preciso observar o que Audifax fará na sua carreira, principalmente após sucessão de derrotas. Um dos caminhos especulados é o de que ele tente vaga na Assembleia Legislativa. Aguardamos.
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Na mosca
As pesquisas do Instituto Perfil, a pedido de ES Hoje, demonstraram com precisão o que poderia acontecer na cidade, em termos de votos válidos. Trabalho que auxilia para o fortalecimento da democracia no Espírito Santo.
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Abstenção
É preciso verificar o tamanho da abstenção na Serra: foram mais de 100 mil pessoas, ou seja, 33% do eleitorado, um terço do todo. O sufrágio não conseguiu engajar todos. Bom para Weverson, ruim para Muribeca.
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Campanha de 2026 I
Alguém duvida que a campanha de 2026 começa nesta segunda-feira (28), justamente no Dia do Servidor?
Campanha de 2026 II
Será que em 2026 haverá a repetição da disputa entre Pazolini e Vidigal ao governo do Estado?
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