A derrota agridoce de Pablo Muribeca na Serra

Candidato derrotado no histórico e polêmico segundo turno das eleições da Serra, o deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos) fica com sabor agridoce na boca com o resultado das urnas nesse domingo (27).

Obviamente, perder é ruim sempre, mas derrotas apresentam lições e possibilidades de contornar erros de percursos. A carreira do parlamentar é meteórica. Ele foi eleito, em 2020, como vereador, tendo 1.536 votos pelo extinto Patriota, partido hoje incorporado ao PRD.

Dois anos depois, um boom: alçado para a Assembleia Legislativa, Muribeca angariou 24.555 sufrágios, sendo que 22.785 foram na Serra. Numa rápida conta, claro que comparadas as devidas dimensões dos pleitos, o político viu seu potencial se multiplicar 14 vezes em dois anos.

Mais um biênio se passou. E o segundo turno na Serra colocou 90.227 cidadãos ao lado dele. Claro que é um número menor do que a abstenção na cidade, a “vice” do sufrágio, com 120.527 incidências. No entanto, ainda assim é um quantitativo relevante, considerando que a carreira dele, se pensarmos bem, completou uma legislatura de quatro anos justamente agora em 2024. Sem contar que ele teve outros aliados – além do partido -, como o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (Podemos).

Pablo, porém, nessa trajetória rápida, já acumula desafetos, inclusive dentro do seu partido, como o deputado estadual Hudson Leal (Republicanos), bem como de alas do prefeito da Serra, Sergio Vidigal (PDT) – e a reboque também de aliados do governador do Estado, Renato Casagrande (PSB).

O modo de agir peculiar dele, com acusações de truculência somadas à inexperiência na vida política, pode ter ajudado na rejeição que sofreu no segundo turno, como demonstraram as pesquisas de intenções de votos e as urnas, por consequência.

Só que é inegável que o parlamentar tem carisma e consegue dialogar com estratos do povo, principalmente aqueles que não estão tão forjados assim no conforto e no costume de verificar a alternância entre Vidigal e Audifax Barcelos (Progressistas) no comando da cidade.

Derrotas servem para modificar pensamentos e atitudes. Muribeca tem esse final de ano para pensar, visto que começa 2025 com a cabeça visando a reeleição na Assembleia Legislativa. E precisa ir bem, se quiser ter pretensões de seguir competitivo na busca pela Prefeitura da Serra. Há muitas razões para mostrar que tem um bom caminho, contudo há outras bem volumosas que apontam para série de erros.

“O show tem que continuar”

Muribeca, nesta segunda-feira (28), parabenizou a esposa Lara Ferreira pelo aniversário dela. “Você tem sido uma verdadeira guerreira, especialmente nessa campanha eleitoral, e me sinto orgulhoso demais de você”, declarou o republicano.

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Freio na ambição I

Com a derrota de Muribeca, o Republicanos ficou, na região metropolitana, com as Prefeituras de Vitória (Lorenzo Pazolini) e de Guarapari (Rodrigo Borges).

Freio na ambição II

Caso Pazolini deseje ir em busca do Palácio Anchieta, em 2026, adversários deverão usar o episódio de Central Carapina como ataque, por suposto factoide, analisam interlocutores da política. Isso e o caso do Hospital Dório Silva, em 2020, classificado pelo governo do Estado como invasão à época da Covid-19.

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Balança equilibrada

Marcelo Santos, por sua vez, viu sua aposta de apoiar Pazolini dar certo, mas a de Muribeca, não. Equilibrou em sua libra política uma derrota e uma vitória em decisões políticas que foram diferentes das de Casagrande e companhia em dois colégios eleitorais importantíssimos do Estado.

Alguém viu…

… o deputado estadual Sergio Meneguelli (Republicanos) participar da campanha de Muribeca no segundo turno?

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Sem chances

O que se viu neste ano, conforme publicado por ES Hoje em Dados, nesta segunda-feira (28), foi uma vitória acachapante de Weverson Meireles (PDT). O triunfo foi superlativo, o que já torna o jovem como uma liderança com potencial para ser herdado de seu mestre, o prefeito Sergio Vidigal (PDT).

De Audifax para Weverson

Como ES Hoje em Dados também mostrou, os bairros que tiveram domínio de Audifax passaram para a batuta de Weverson. Pesquisa do Instituto Perfil já demonstrava essa transferência de preferência do eleitor do progressista para o pedetista.

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Sinais do centrão?

Assim como ocorreu no Espírito Santo, o Brasil se deparou com conquistas relevantes de partidos mais vinculados ao centro e à centro-direita. Sinais de um caminho mais para o centro e com retração da polarização?

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A derrota agridoce de Pablo Muribeca na Serra “Barra de cereal”

Durante o último fim de semana, enquanto ocorria um evento sobre sustentabilidade, em Jardim da Penha, Vitória, o governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), apresentou uma famosa “barra de cereal” de um boêmio reduto do bairro a um alemão que prestigiou o encontro. Barra essa, por sinal, que combina muito bem com as ampolas conservadas a menos de zero grau celsius, especialmente aquelas que são de garrafa verde.

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Na moita

Um perdedor de eleições já busca mudança de rota.

Tá na rede

“Como vice-presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, temos a alegria de anunciar 374 novas antenas de telefonia para o nosso Estado, levando internet e sinal de telefone para várias comunidades e regiões do Espírito Santo!”

Gilson Daniel (Podemos), deputado federal

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