A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI do INSS) foi encerrada sem relatório final após sete meses de trabalhos, mas deixou um rastro de pedidos de indiciamento que incluem nomes de peso — entre eles, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o empresário Maurício Camisotti e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O parecer do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi rejeitado por 19 votos a 12. Logo após o resultado, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu encerrar os trabalhos sem submeter à votação o relatório alternativo apresentado pela base governista.
A tentativa da senadora Eliziane Gama (PSD-MA) de levar o texto alternativo à análise foi negada por Viana, que também não indicou um novo relator para leitura do documento.
Apesar do encerramento sem consenso, Viana afirmou que as investigações terão continuidade. Segundo ele, cópias do relatório rejeitado serão encaminhadas a órgãos como o Ministério Público Federal (MPF) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Já o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) informou que o relatório da base governista será enviado à Polícia Federal.
Relatório cita Lulinha e mais de 200 indiciamentos
Com mais de 4 mil páginas, o relatório de Alfredo Gaspar pedia o indiciamento de 216 pessoas. Entre os nomes citados estão empresários, ex-ministros, ex-dirigentes do INSS e parlamentares.
Entre os alvos está Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, empresário e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o relator, ele teria recebido repasses de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, por meio da empresária Roberta Luchsinger, também incluída na lista de indiciamentos. O documento também cita o empresário Maurício Camisotti e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Relatório alternativo inclui Bolsonaro e aliados
Já o relatório alternativo, apresentado pela base governista, pede o indiciamento de 201 pessoas. Entre os nomes, estão o ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como líder de uma suposta organização criminosa, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citado por envolvimento em organização criminosa.
Investigação e encerramento
A CPMI do INSS foi instalada em agosto de 2025 para investigar descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Ao longo dos trabalhos, a comissão ampliou o foco para apurar possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master na concessão de empréstimos consignados.
A apresentação do relatório ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar, na quinta-feira (26), o pedido de prorrogação da comissão. Com isso, os trabalhos precisavam ser encerrados até este sábado (28).
A reunião final teve início na manhã de sexta-feira (27) e se estendeu até depois da 1h da madrugada.









