O Diretório Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) se reúne no próximo sábado (7) para discutir uma possível federação com o Partido dos Trabalhadores (PT) com foco nas eleições de 2026. A proposta enfrenta resistência interna. Entre os posicionamentos contrários está o da deputada estadual Camila Valadão, uma das principais lideranças da sigla no Espírito Santo.
A parlamentar afirma ser contrária à federação por diferentes motivos e sustenta que o Psol deve preservar autonomia em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para votar, defender e se posicionar em temas que beneficiem a classe trabalhadora, bem como se colocar de forma contrária quando entender que não há benefício.
Camila também aponta que, em uma eventual federação, o Psol ficaria submetido às táticas eleitorais do PT nos estados, destacando que existem diferenças de posicionamento entre os partidos em várias regiões. Ela observa que o PT já integra federação com Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV), avaliando que a inclusão de mais um partido poderia reduzir a intervenção da esquerda. Segundo a deputada, a atual federação entre Psol e Rede Sustentabilidade contribui para ampliar candidaturas do campo progressista e da esquerda nas ruas, e a possível mudança poderia diminuir essa atuação. Ela acrescenta que há quase consenso interno no Psol sobre o apoio à reeleição de Lula.
A parlamentar ressalta que sua posição contrária à federação não representa postura sectária em relação ao PT e afirma manter apoio à construção de aliança com os petistas no Espírito Santo já no primeiro turno das eleições, em torno das pré-candidaturas do deputado federal Helder Salomão ao governo estadual e do senador Fabiano Contarato à reeleição.
No Estado, embora o Psol mantenha posição firme contra a federação, a deputada defende a aliança no primeiro turno por considerar importante ampliar a intervenção da esquerda. Ela avalia que a disputa pode alterar a correlação de forças no Espírito Santo, com possibilidade de ampliar a bancada de esquerda na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.
A prioridade do partido no Espírito Santo é a reeleição de Camila Valadão, primeira deputada do Psol a conquistar uma cadeira na Assembleia. Paralelamente, a legenda trabalha na montagem das chapas para 2026.
Sem citar nomes, a deputada informa que o partido vem sendo procurado por ex-prefeitos interessados na disputa eleitoral, mas afirma que o foco é formar uma chapa com lideranças oriundas dos movimentos políticos e sociais. Ela projeta que o cenário ainda pode sofrer mudanças até abril e avalia que a atual federação é vista como alternativa por lideranças médias, destacando que o grupo possui duas cadeiras na Assembleia Legislativa.









