A tribuna livre da Câmara Municipal de Vitória foi marcada por esclarecimentos sobre o crime organizado e também um momento oportuno para a vereadora Karla Coser (PT) mandar um recado direto para a vice-prefeita da capital, Cris Samorini, durante a sessão que abriu os trabalhos legislativos de 2026 nesta segunda-feira (02). O recado ocorreu durante o momento em que os parlamentares da capital faziam perguntas para o delegado Romualdo Gianordoli Neto, que falou sobre crime organizado e investigações em andamento no Espírito Santo.
Ao se manifestar após a exposição do delegado, Karla Coser destacou uma fala de Gianordoli sobre dificuldades enfrentadas em investigações criminais. “Você foi preciso em uma de suas falas que me chamou muito a atenção: ‘quando a investigação chega em quem faz a engrenagem girar, os financiadores e lavadores de dinheiro, é quando a investigação é parada’”, afirmou a vereadora.
Na sequência, Karla direcionou uma crítica contundente à vice-prefeita de Vitória ao mencionar a recepção, segundo ela, de um investigado por tráfico de drogas na Prefeitura. “Me traz um choque gigantesco que a vice-prefeita da cidade de Vitória tenha recebido com pompa e circunstância um investigado, um réu por tráfico de drogas ligado ao PCC”, declarou, citando o nome de Renato Cariani e afirmando que ele teria sido recebido na sede do Executivo municipal.
A vereadora comparou o episódio com outras situações envolvendo trabalhadores da capital. “Se fosse como aconteceu com os trabalhadores da obra da escola de São Benedito, teve um auê danado. Um trabalhador que já tinha pagado pena e estava reinserido na sociedade foi tratado como marginal”, disse. Segundo Karla, há diferença no tratamento dado a pessoas de acordo com a condição social. “Quando chega nas pessoas brancas e ricas, a investigação é parada. E são recebidos com pompa e circunstância”, afirmou.
Durante sua fala, Karla Coser também mencionou informações apresentadas por Gianordoli sobre investigações relacionadas ao tráfico internacional de drogas envolvendo Cariani. “Segundo as investigações, produtos químicos eram desviados para a fabricação de cocaína e crack e abasteciam uma rede criminosa comandada pelo PCC”, declarou, ao defender investimentos na Polícia Civil. “Dar o exemplo e investir na Polícia Civil é uma questão fundamental”, completou.
Ao longo da tribuna livre, o delegado Romualdo Gianordoli Neto relatou entraves enfrentados em investigações sobre o crime organizado e afirmou sofrer perseguições após avançar sobre estruturas financeiras de organizações criminosas. O episódio evidenciou o acirramento do debate político na Câmara de Vitória logo no início do ano legislativo de 2026, com repercussões na relação entre vereadores e integrantes do Executivo municipal.











