Dólar Em baixa
5,369
17 de janeiro de 2026
sábado, 17 de janeiro de 2026
Vitória
21ºC
Dólar Em baixa
5,369

Romualdo Gianordoli: denúncias não têm relação eleitoral, mas não descarta

A troca de denúncias e acusações entre o delegado de Polícia Civil, Romualdo Gianordoli, e a Polícia Civil – instituição – bem como a secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp) no Espírito Santo ganham cada dia novos capítulos. Mas os contornos políticos chamam atenção. Gianordoli, antes discreto e voltado para as investigações e serviço de inteligência, agora usa suas redes sociais para falar de operações e dar dicas de segurança.

Romualdo negou que seus posicionamentos representem atuação política estruturada. “Não se trata de atuação política nem de projeto eleitoral. Trata-se de um posicionamento técnico e de experiência institucional. Eu falo a partir da experiência de quem esteve na linha de frente do combate ao crime organizado e conhece falhas estruturais reais do sistema de segurança pública”, declarou.

O delegado, que já foi subsecretário de Inteligência da Sesp e foi exonerado por motivos ainda não revelados – do lado do Governo do Estado fala-se em insubordinação e vazamento de informações. Já Romulado Gianordoli garante que retaliação pelo que ele descobriu durante a Operação Baest. O policial vai além: diz que o combate ao crime organizado no Espírito Santo enfrenta interferências.

“Não tenho dúvidas de que o enfrentamento ao crime organizado no Espírito Santo sofre interferências e limitações que não são apenas técnicas, mas também institucionais. Isso é um dado estrutural que aparece na prática diária de quem estava na linha de frente”, afirmou.

Eleições 2026

Questionado sobre filiação partidária, o delegado disse não integrar nenhuma sigla no momento. “Não sou filiado a nenhum partido político. Já houve conversas e aproximações institucionais, como é natural quando se ocupa ou ocupou funções técnicas de relevância pública, mas não existe qualquer filiação, compromisso partidário ou definição política”, afirmou.

Sobre o Partido Novo, citado nos bastidores, foi direto: “Nenhuma conversa”. Em relação a outras legendas, Romualdo reconheceu diálogos gerais, mas reforçou que não há qualquer definição.

“Existem diálogos institucionais e conversas de natureza geral, mas não há filiação, compromisso partidário ou definição de qualquer projeto político”.

O delegado também comentou sua participação em debates promovidos por movimentos ligados à segurança pública, como o Missão, partido recém-criado e associado ao MBL. Segundo ele, o diálogo ocorre no campo técnico. “Existe diálogo no campo do debate técnico sobre segurança pública. No caso do Missão, há afinidades ideológicas em relação à prioridade dada ao enfrentamento do crime organizado, mas esse diálogo se mantém no plano técnico e institucional, sem qualquer definição de projeto político ou partidário”.

Romualdo Gianordoli: denúncias não têm relação eleitoral, mas não descarta
Foto: Acervo Pessoal

Ao falar sobre posicionamento ideológico pessoal, Romualdo afirmou que, como cidadão, se identifica com valores da direita democrática. “Tenho uma visão de mundo que se alinha a valores como meritocracia, liberalismo econômico e responsabilidade individual”, disse, ressaltando que, no plano público, sua atuação permanece técnica e institucional.

Sobre uma eventual candidatura em 2026, o delegado negou qualquer decisão. “No momento, não há decisão sobre disputa eleitoral, tampouco sobre eventual cargo. Meu foco segue sendo técnico e institucional”, afirmou. Ele também evitou rótulos ao ser questionado sobre se apresentar como a “voz do combate ao crime organizado” na política. “Não me coloco sob rótulos nem títulos. O que faço é tratar de um tema que conheço tecnicamente”.

Operação Baest

O delegado Romulado Gianordoli ganhou projeção estadual após liderar a prisão do traficante Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, em março de 2024. Ação que gerou sua promoção a subsecretário de Inteligência, em setembro do mesmo ano. Entretanto, em outubro de 2025 ele foi exonerado do cargo e transferido para a assessoria da Sesp, sendo dispensado em 16 de dezembro de 2025 por decisão direta do governador Renato Casagrande (PSB).

A exoneração foi sabida por Gianordoli, segundo ele, após a publicação no Diário Oficial (DIO). Em 30 de dezembro ele publicou um vídeo em sua rede social Instagram anunciado que aos poucos explicaria o se desenvolveu entre ele e o Governo, destacando que tudo começou na Operação Baest.

“Há, sim, uma relação direta de contexto e de tempo entre a conclusão da Operação Baest e a minha saída. Isso não é uma interpretação subjetiva, é um dado objetivo de sequência factual”, afirmou, acrescentando que a operação “atingiu interesses sensíveis”.

Romualdo Gianordoli: denúncias não têm relação eleitoral, mas não descarta
Marujo foi preso nesta sexta-feira (08) – Foto: reprodução

Sobre a prisão de Marujo, Romualdo afirmou que o ponto mais sensível da investigação não foi a prisão, mas o avanço sobre o fluxo financeiro. “Quando se passou a seguir o dinheiro e a estrutura de financiamento, interesses relevantes passaram a ser alcançados. Qualquer informação além disso violaria dever legal”.

Sem poder dizer nomes, no entanto, ele garantiu que empresários e figuras influentes estão envolvidas no esquema. “Todas as informações relevantes foram devidamente formalizadas em relatórios técnicos e peças de inquérito, dentro dos trâmites legais, antes mesmo da minha saída da Subsecretaria de Inteligência. (…)Todas as informações e encaminhamentos necessários foram devidamente formalizados e os órgãos competentes foram cientificados”, disse.

Ao comentar sobre perseguição dentro da Polícia Civil, Romualdo disse que ela não se restringiu à exoneração. “Ficou mais evidente em uma sequência de decisões administrativas que impactaram diretamente equipes, fluxos de trabalho e a continuidade de investigações sensíveis”, afirmou. Ele também mencionou questionamentos jurídicos e administrativos relacionados à condução institucional da corporação.

Romualdo confirmou que move ações judiciais contra o delegado-chefe da Polícia Civil e, segundo ele, a medida foi motivada por declarações públicas. “As medidas judiciais e administrativas foram adotadas em razão de declarações inverídicas e infelizes feitas publicamente, que atingiram minha honra funcional e reputação”, afirmou, negando relação direta com sua exoneração.

Por fim, ao ser questionado se esses conflitos o levaram a considerar a política, o delegado afirmou não se colocar como pré-candidato, mas apontou limites estruturais. “Os episódios que vivi deixam claro um limite estrutural: há um ponto em que o sistema passa a impedir mudanças reais”, disse. Ele concluiu afirmando que a sociedade pode esperar o mesmo compromisso que marcou sua atuação na Polícia Civil. “A sociedade pode esperar, sim, o mesmo compromisso com o enfrentamento técnico e responsável ao crime organizado, desde que existam condições institucionais reais para isso”, finalizou.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas