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Deputado abre mão de benefícios e critica privilégios na classe política

Usando seu direito de falar na tribuna da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), o deputado estadual Sérgio Meneguelli (Republicanos) criticou privilégios e gastos excessivos da classe política, cobrando mais coerência e compromisso com a população. Conhecido por sua postura austera, Meneguelli, segundo sua assessoria de comunicação, abriu mão de diversos benefícios oferecidos pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), como tíquete-alimentação, telefone celular, verba de gabinete, carro oficial e cota de combustível.

Em pronunciamento feito na sessão ordinária desta terça-feira (25), Meneguelli fez duras críticas à criação de cargos comissionados e ao aumento de despesas na Câmara de Colatina, sua cidade natal. O parlamentar expressou indignação com a aprovação de um auxílio-saúde para vereadores e a criação de oito novos cargos comissionados em Colatina, classificando a medida como “vergonhosa” e um desrespeito ao eleitor. Segundo Meneguelli, enquanto a população enfrenta dificuldades e o poder público falha em áreas essenciais, como saúde e educação, políticos seguem ampliando seus próprios privilégios.

“Os políticos estão perdendo a vergonha na cara, estão achando que o povo é besta, que o povo esquece, mas, na verdade, (…) nós não passamos de empregadinhos do povo. E muitos se humilham para ser empregado, fica catando voto de casa em casa pedindo ‘pelo amor de Deus, me dê uma oportunidade’.  E quando chegam aqui ou chegam lá em Brasília, a oportunidade que eles pedem é engrandecer seus salários, engrandecer os correligionários. Olha quantos derrotados nessas últimas eleições estão sendo aproveitados agora em cargos políticos, fazendo manobras já pensando nas próximas eleições. E quem está bancando isso é o povo”, afirmou.

Meneguelli lembrou que, quando presidiu a Câmara de Vereadores de Colatina, tentou moralizar o Legislativo local, congelando os salários dos vereadores e cortando benefícios, como cotas de gasolina e passagens. No entanto, segundo ele, esses privilégios voltaram a ser concedidos após as eleições.

Meneguelli também criticou o fato de que políticos eleitos, que deveriam dar exemplo, preferem recorrer a hospitais particulares em vez de usar o Sistema Único de Saúde (SUS). Para ele, isso demonstra descaso com o atendimento público.

“O SUS não vai pra frente porque quem deveria usá-lo, para dar exemplo, procura os grandes hospitais. O prefeito, na educação municipal, ele tem que colocar seu filho pequeno na escola, porque se ele governa pra todos, é pro filho, porque se não presta pro filho dele, também não presta pro filho do trabalhador. É isso que tá faltando, é coerência na classe política, quando nós só vemos realmente absurdos, cada um se aproveitando de um cargo que foi confiado”, disse.

Além das críticas ao uso indiscriminado de dinheiro público, Meneguelli reforçou que mudanças estruturais na política só acontecerão se o eleitorado for mais exigente e crítico. Para ele, a classe política não se moralizará por conta própria e continuará buscando privilégios, a menos que a população cobre posturas mais responsáveis.

“Fica aqui o meu apelo: para com essa farra de dinheiro, de passagem, de gasolina, enquanto os postos de saúde, enquanto os serviços públicos realmente todos deixam a desejar. E depois falam que estamos no melhor estado. Não é nada disso, isso é tudo demagogia pra tampar buraco. Na verdade, o eleitor às vezes cai em grande enrascada quando ele vota com fé, mas ele vê que aquele que teve a humildade, ou a cara de pau, de pedir uma oportunidade, foi lá para olhar pelo seu próprio umbigo”, lamentou.

A reportagem do ES Hoje tentou contato com o presidente da Câmara de Vereadores de Colatina, Felippe Tedinha (PP), para entender algumas questões citadas por Meneguelli em seu discurso e perguntar para quais funções os cargos comissionados foram nomeados, qual é o valor do auxílio-saúde aprovado e quando o pagamento começará a ser feito, mas não conseguiu retorno.

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