A reta final das eleições na seccional do Espírito Santo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) está sendo marcada por vazamento de áudios, processos, perícias e acusações. O pleito acontece sexta-feira (22) e a disputa pela presidência estadual está entre o presidente, José Carlos Rizk Filho (chapa 1), Ben-Hur Farina (chapa 3) e Erica Neves (chapa 10).
Na última semana tomou as redes sociais e os grupos de discussão sobre o pleito um áudio de suposta reunião da concorrente Erica com duas pessoas, sendo um deles um representante de empresa de administração e terceirização de serviços de mão de obra que tem contrato com a Ordem na atual gestão, Condonal. No encontro eles falam do pleito e a voz feminina diz que não tem interesse em perseguir a empresa prestadora de serviço a seccional e subseções.
O áudio é a base de ações que Erica Neves moveu contra membros da chapa de Rizk Filho no último sábado (16), bem como, nesta segunda-feira (18) contra o próprio concorrente. É, também, a motivação para, nesta segunda o candidato da chapa 3 denunciar Erica por abuso de poder econômico e tráfico de influência na disputa eleitoral da instituição.
“Com a proximidade das eleições, a requerente e seu grupo político passaram a ser alvo de fake news, sobretudo após a divulgação, pela imprensa, das reais chances de vitória. Foi nesse contexto que a autora tomou conhecimento de vídeo de nítido cunho calunioso e difamatório compartilhado pelo interessado no aplicativo de mensagens WhatsApp. Trata-se, infelizmente, de estratégia de campanha criminosa, que tem sido vista nas eleições políticas de todo o mundo e que passou a ser replicada nas eleições da OAB”, diz trecho do documento da ação de Erica contra Rizk.
O áudio
No áudio uma voz feminina, atribuída a Erica Neves, fala de ajuda financeira para sua campanha bem como não ter interesse em perseguição a qualquer prestadora de serviço da atual administração. “Eu não quero caça às bruxas”, diz em trecho e depois que toda ajuda financeira seria bem vinda. “Não sou feminista, adoro que paguem para mim”.
As falas foram em reunião com “Pedro ou Pedrão” – supostamente Pedro Henrique Martins Pires, que está na chapa 10 e cuja família foi proprietária do Grupo Condonal no Espírito Santo – e Bertrand Henri Junior, que hoje é membro da diretoria do grupo no Brasil.
O áudio foi gravado de forma escondida e nas rede sociais passou a ser divulgado apontando tentativa de extorsão. Com um laudo pericial assinado por Renan Costa Loyola, a pedido de Alencar Macedo Ferrugini, Ben-Hur Farina representou, também nesta segunda, contra Erica Neves.
Segundo o laudo que ES Hoje teve acesso, a gravação foi realizada em março desse ano e o perito concluiu que o há evidências de que no áudio a conversa é conduzida pela advogada candidata. “Suporta fortemente a hipótese dos registros vocais do locutor, identificado no material sonoro padrão como “Erica Neves”, ser a fonte das falas questionadas, no caso, do locutor identificado no material questionado como “Erica””, diz a perícia.
A reportagem procurou o grupo Condonal questionando sobre o motivo da gravação e o interesse em divulgar o áudio, mas, em nota, a Condonal informou, apenas, que “não possui relação comercial com Erica Neves e que não fará comentários sobre o assunto”. O advogado Pedro Henrique também foi procurado, mas não quis comentar.









