
“Não fiz aliança com Bolsonaro, só percebi que ninguém levantava a voz para defender”. A afirmação é do ex-deputado federal e presidente do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), Roberto Jefferson, que nos últimos tempos tem se mostrado como a maior liderança política defensora do Governo Jair Bolsonaro. Em entrevista a ESHOJE, o ex-parlamentar fez muitos elogios ao seu ex-correligionário e alguns ataques. Principalmente ao ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro.
Na avaliação do petebista, o presidente tem maus conselheiros políticos, as eleições 2020 devem ser mantidas para outubro e o isolamento social precisa ser mais seletivo para o Brasil “não quebrar”. Ele ainda conceituou nova e velha política e destacou os nomes da direita, esquerda e centro político brasileiro.
Delator do esquema do Mensalão do PT, quando deputados recebiam mesadas que variavam de R$30 mil a R$50 mil, Roberto Jefferson disse que, diferentemente de Moro, ele nunca traiu ninguém pelas costas.
“Naquela época, eu não deixei o Mensalão no PTB, meu maior confronto foi com os deputados chefes de bancada, principalmente Waldemar Costa Neto (PP). Na época fui ao presidente Lula, em abril de 2005, e disse pessoalmente que queria relatar o mensalão. Falei que era (José) Genuíno e Delúbio (Soares), ele ficou com os olhos cheios de lagrimas. Passados 30 dias, voltei a falar e ele chamou José Dirceu na sala. (Eu) Disse que persistia o pagamento e estava tão desavergonhado que o dinheiro rolava no barzinho no fundo plenário (da Câmara dos Deputados). A partir deste momento eu achei que a bagunça ia acabar. O mensalão tirou dez deputados que receberam R$200 mil para tirar o partido mais R$30 mil ou R$50 mil, dependendo do grau de importância do deputado. (…) Moro, não respeito, não o nomearia meu ministro. (…) Eu me recordo de um episodio, no governo da presidente Dilma, que o Moro gravou o Lula e numa dessas a presidente. Jamais poderia, perante a Constituição, a lei de Segurança Nacional, a garantia dos Direitos de Cidadania, ele poderia colocar para fora conversa da presidente da República sem afrontar a Constituição e a inviolabilidade do sigilo da autoridade. Esse gesto é ilegal e imoral. Na época foi festejado. Quando se rasga a constituição, a condenação chega. Na democracia todos são iguais perante a lei. Eu, se sou Bolsonaro, não o teria convidado para ministro. Ele é um homem de má fé, homem pequeno. Ele grava as conversas com o presidente desde o primeiro dia. Printar as conversas de celular entre ele, ministro e o chefe de estado, para denunciar o chefe de estado. Isso é um homem de caráter ou moleque, é serio ou leviano? Eu tenho dele a pior impressão, Moro é um Judas que esfaqueia pelas costas”.

ESHOJE: Por que Moro foi convidado para ser ministro? Bolsonaro tem bons aliados?
Roberto Jefferson: Bolsonaro tinha pouca habilidade para construir o governo, ele apanhou demais na eleição, teve pouco apoio, a não ser o meu. Reuni o PTB e fomos o único. Ficou muito isolado e teve muitos conselhos equivocados. Onyx Lorenzoni, por exemplo, foi conselheiro que errou. Pegou o Democratas, partido do “toma lá da cá” e deu o Senado e a Câmara dos Deputados, entregou a Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre (respectivamente). Como, em sã consciência, um articulador politico entrega o pulmão da agenda política do governo na mão de um pequeno partido? Nunca Onyx poderia ter feito isso. O presidente, que não era político articulado, fez do Moro, com a imagem do guardião da pátria, e seu conselheiro, ministro, e Paulo Guedes ministro da Economia.
Aliança com Bolsonaro
Não fiz não. Eu percebi que ninguém levantava a voz para defender. Esse globalismo comunista que temos visto, principalmente nas novelas, apatifa os homens, mulheres são virilizadas e os filhos erotizados, para destruir as famílias. Bolsonaro foi a primeira voz que levantou, corajosamente, para se rebelar contra isso. Ele defendeu os valores cristão, das famílias cristãs, valores que recebemos das famílias de nossos pais, avós. A união das famílias forma município, união dos municípios forma o estado, e a do estado forma o país. Ele passou a falar isso e eu passei a ser admirador profundo. Sou fã do Bolsonaro, todo povo que ora, todos os auferes de Deus são. Eu era um religioso ‘meia boca’, ia às vezes a missa, mas depois da doença em 2012, do câncer do pâncreas que mata 95% dos que tem, Deus me deu a salvação. Mas foi a força da oração que me manteve em pé. As quatro recidivas me deram depressão de um ano e meio que custei a sair dela. (…)Vim tendo despertar da fé e religioso. Sou católico, e minha esposa é evangélica e tenho seguido a cartilha evangélica. Não falei nada com Bolsonaro, nem ele falou comigo, mas entendi que o homem que sintetizava os valores que acredito e os valores que seria capaz de sacrificar meu último suspiro, então me aproximei nas vias virtuais e tenho emprestado meu apoio, nos meios virtuais. A ultima vez que me encontrei com ele foi em 2017.
Quer Bolsonaro no PTB?
Bolsonaro foi meu liderado, na era do Lula, e foi um prazer te convivido com ele, de terninho, gravatas e sapatos baratos, nunca se meteu a fazer projetinhos de leis para beneficiar grupo pronto, ou “jabutis” para defender interesses prontos. Ele se excedia contra movimento gays, era machista, mas homem de bem. Nunca foi de pedir indicação, levar vantagem, sempre foi homem de bem, com convicções fortes. Saiu do PTB e foi para o PP porque não queria ser base de Lula. E hoje está sem partido. Eu quero ele no PTB, não pedi cargo ou ministério. Aqui vai encontrar patriotas e homens que têm virilidade, coragem de defendê-lo em praça pública, no Congresso, no meio da rua, em entrevistas. Nosso partido tem muita identidade com ele.
O Brasil tem direita, esquerda e centro? Quem representa cada posição?
A velha política do Brasil são os senadores e deputados que só votam levando vantagem, no “toma lá da cá”. Os que indicam ministros, diretores de Caixa Econômica, INSS, Banco do Brasil, trocas que objetivam fazer fundos financeiros. A nossa política tem divisão sim, e a esquerda tem como principais líderes Fernando Henrique Cardoso e Lula, com o Foro de São Paulo, que prega um só partido na América do Sul. Lula financiou governos na Venezuela, Argentina… FHC é um homem de George Soros (empresário bilionário que financiava movimentos políticos), mas tem ainda Ciro Gomes. Mas Lula é o principal deles. Na direita tem Bolsonaro, ACM Neto (Antônio Carlos Magalhães Neto) e eu, que sou de centro-direita. O centro é mais repleto de personagens, como Geraldo Alkimin, João Dória, Wilson Witzel, Rodrigo Maia, Alcolumbre e mais um espectro de pessoas maior.
O senhor foi autor das denúncias do mensalão, um crítico contumaz, durante governo do PT, das relações entre o Congresso e o Palácio. Como enxerga a relação entre o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional?
São muito ruins. Ano passado, que foi o primeiro ano do governo, as relações chegaram aos limites do suportável, tanto que aprovou a mais importante reforma do país, a da Previdência (…). Foi reforma difícil, com pressão e ele conseguiu fazer. Esse ano é ano de eleição, 4 de outubro, e a velha política quer dinheiro. O fundo partidário não é suficiente para as eleições dos partidos em mais de 5 mil cidades. Todos querem dinheiro, para que o governo faça toma lá da cá para pessoas que ordenam despesas e possam ter caixa 2. O desespero foi agora com a crise de abstinência, e a velha política faz assim. Pressionando, derrubando os vetos, não faz agenda legislativa, não vota, deixa caducar. A pressão brutal que está sendo feita, para que ele (Bolsonaro) abra a porta do tesouro nacional. Bolsonaro é teimoso como um cão. É mais criticado mais por virtudes, ele não rouba e não deixa roubar.
Calendário eleitoral deve ser mantido?
Penso que sim, nós do PTB estamos prontos para as eleições. O partido, no Espírito Santo, construído pelo Adilson Espíndula, está muito bem preparado. No Brasil nos esforçamos muito para fazer fortes bancadas de vereadores e de prefeitos. Acho que o povo não aceitaria prorrogação mandato.
PTB do Espírito Santo
O PTB está muito bem no Espírito Santo. A nova direção está construindo partido, teremos vários candidatos a prefeito e vereador. Cresceu e se agigantou. A liderança do presidente Adilson Espíndula, que é um companheiro excepcional, moderador. Desta forma o partido cresce, na mão de pessoas dedicadas e com capacidade agregar.
Renato Casagrande
Gosto de Casagrande, acho que é um homem honrado, correto. Fomos deputados federais juntos, depois ele foi eleito senador. Tenho por Casagrande muito respeito, nutro por ele muita consideração.
Isolamento social pelo Covid-19
Passei por quatro cirurgias contra um câncer de pâncreas, que retornou, quimioterapia… Por ter comorbidade, estou preso em casa. Isolamento, eu penso que deva ser o vertical, para pessoa com mais de 60 anos, que tem comorbidade. É o mais adequado, foi assim na Suécia, Japão, por exemplo e deu mais resultado. Senão vira esperteza. Muitos governadores e prefeitos têm usado para fugir da licitação para comprar produtos de saúde superfaturados. 15 de abril seria o pico e agora foi “programado” para 15 de maio, e agora vários prefeitos e vários governadores vão levando e isso fica fácil gerenciar. Eu preferia que as pessoas pudessem ir para a rua de máscara e cuidado. Nós poderíamos praticar essa politica no país para não prejudicar a economia.









