
O presidente Jair Bolsonaro teria pedido a troca da chefia da Polícia Federal no início de março ao então ministro da justiça, Sérgio Moro. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
“Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”, teria dito Bolsonaro a Moro, por mensagem de WhatsApp, segundo transcrição do depoimento à PF, que aconteceu no último sábado (2).
O depoimento, que a Folha teve acesso foi divulgado inicialmente e na íntegra pela CNN Brasil, nesta terça-feira (5).
Moro disse que “durante o período que esteve à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública, houve solicitações do Presidente da República para substituição do Superintendente do Rio de Janeiro, com a indicação de um nome por ele, e depois para substituição do Diretor da Polícia Federal, e, novamente, do Superintendente da Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro, que teria substituído o anterior, novamente com indicação de nomes pelo presidente”.
Disse ainda que durante sua gestão, “apenas concordou com a primeira substituição, pois, circunstancialmente, o Superintendente do RJ, RICARDO SAAD, havia manifestado interesse de sair, por questões familiares, e a sua troca já estava planejada pelo Diretor Geral, sendo nomeado um nome com autonomia pela própria Polícia Federal, o que garantia a continuidade regular dos serviços de Polícia Judiciária”.
Moro afirmou que durante a coletiva de anúncio da demissão, em 24 de abril de 2020, “narrou fatos verdadeiros, cujo objetivo era esclarecer os motivos de sua saída, preservar autonomia da Polícia Federal, da substituição de Diretor e de Superintendentes, sem causa e com desvio de finalidade, como reconhecimento posteriormente pelo próprio Supremo Tribunal Federal em decisão proferida no dia 29 de abril que suspendeu a posse do DPF ALEXANDRE RAMAGEM”.
Quando perguntado se identificava nos fatos apresentados na coletiva alguma prática de crime por parte do Presidente da República, “esclarece que os fatos ali narrados são verdadeiros, que, não obstante, não afirmou que o presidente teria cometido algum crime”, e que quem falou em crime “foi a Procuradoria Geral da República na requisição de abertura de inquérito e agora entende que essa avaliação, quanto a prática de crime cabe às Instituições competentes”.









