Uma troca de mensagens entre o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza e uma colega de trabalho, divulgada pelo jornal Metrópoles, revela o clima de medo vivido pela servidora que denunciou o agente por importunação sexual. Diego é apontado como autor do assassinato da ex-namorada, a então comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, na madrugada da última segunda-feira (23), na capital capixaba.
Na ocasião, o policial invadiu a casa da vítima e efetuou disparos enquanto ela dormia. Depois do crime, ele tirou a própria vida.
Após a repercussão do caso, foi revelado que o agente já havia sido alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) por importunação sexual contra uma servidora da própria Polícia Rodoviária Federal. Os dois trabalhavam juntos em uma unidade da corporação em Niterói, no Rio de Janeiro.
O print divulgado pelo jornal Metrópoles mostra uma mensagem enviada pela servidora após um episódio de constrangimento. No texto, ela demonstra abalo emocional e pede para não manter contato com o policial.
“Diego, eu não vou te ligar. O que aconteceu foi horrível. Eu não estou bem com isso, mas fique tranquilo, que eu vou fingir que isso não aconteceu. Só que eu não vou ficar no plantão. E, por favor, não fale mais comigo”, escreveu.

As informações sobre como ocorreu a importunação não foram detalhadas na reportagem, mas, segundo divulgado recentemente, a suspeita é de que ele tenha tentado tirar a roupa dela à força, no ambiente de trabalho.
Segundo o Metrópoles, durante o processo administrativo, a servidora relatou ter vivido dias de “terror” e “medo” após denunciar o colega, afirmando que temia pela própria vida por considerar que ele não tinha controle emocional. À reportagem aponta ainda que, nesse período, o marido da servidora passou a aguardá-la após os plantões, armado dentro do carro, com receio de um possível ataque por parte de Diego.
Mesmo com a denúncia, o policial não foi afastado das funções. Após cerca de 60 dias de apuração, a PRF no Rio de Janeiro não determinou o afastamento preventivo e deixou a decisão para a unidade onde ambos atuavam. Ele continuou em serviço e manteve o porte de arma.
Segundo a reportagem, a arma utilizada no crime contra a comandante da Guarda de Vitória era a mesma que estava sob posse do agente.
Procurada, a Polícia Rodoviária Federal informou que o processo disciplinar foi aberto em setembro e estava em fase final. Sobre o porte de arma, a corporação afirmou que não havia base legal para retirá-lo durante a investigação.
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