Morte de comandante da GCM quebra mais de 650 dias sem feminicídio em Vitória

A comandante da Guarda de Vitória, Dayse Barbosa, foi a primeira vítima de feminicídio na capital capixaba em 650 dias. Em janeiro deste ano, a cidade havia alcançado a marca de 600 dias sem registros de assassinatos por motivo de gênero.

A mulher de 37 anos foi assassinada pelo ex-companheiro, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que não aceitava o fim do relacionamento. Ele acessou a varanda da casa da vítima utilizando uma escada, arrombou a fechadura e disparou diversas vezes contra a nuca de Dayse. Em seguida, ele foi para outro cômodo da casa e tirou a própria vida.

Atuação contra violência

Entre os recursos utilizados no apoio às vítimas está o botão do pânico, dispositivo discreto que, ao ser acionado, envia um alerta imediato à Central de Monitoramento da Guarda de Vitória — instituição comandada por Dayse.

Em entrevista coletiva, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, afirmou que o marco alcançado é, em grande parte, resultado do trabalho da comandante, que era uma voz ativa no combate à violência contra a mulher.

Formada em pedagogia e pós-graduada em Segurança Pública, Dayse estudava e dava palestras sobre o tema para ajudar vítimas a identificar e denunciar sinais de abusos por parte dos companheiros. A delegada Michele Meira, gerente de Proteção à Mulher da Sesp, relembrou a atuação da comandante:

“Nós participamos juntas de algumas ações voltadas ao enfrentamento à violência contra a mulher; ela participou de um curso nacional de atendimento à violência doméstica. A perda da comandante, da maneira que foi, é irreparável para a instituição e para a família”

Bastante ativa nas redes sociais, Dayse chegou a dar entrevistas falando sobre o recorde alcançado pela capital capixaba de 1 ano e 7 meses sem feminicídio e, comemorou, por meio de uma publicação feita há menos de dois meses.

“Como comandante da Guarda de Vitória, tenho orgulho da instituição que faço parte por atuar com firmeza, sensibilidade e tecnologia para enfrentar a violência contra a mulher. Mas esse resultado só é possível porque existe trabalho integrado, políticas públicas sérias e uma rede de proteção que funciona”.

Morte de comandante da GCM quebra mais de 650 dias sem feminicídio em Vitória

 

Comandante da Guarda é assassinada a tiros por namorado

Karla Silveira
Karla Silveira
Jornalista graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), pós-graduada em Análise de Cenários e Marketing Estratégico.

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