Três pessoas foram presas em Vitória suspeitas de aplicar o chamado “golpe do bilhete premiado” contra idosos no Espírito Santo. De acordo com as investigações, o grupo teria causado um prejuízo de pelo menos R$ 202 mil a três vítimas no estado.
As apurações começaram em novembro de 2025, após o registro de três ocorrências com características semelhantes. A primeira vítima foi uma mulher de 81 anos, moradora do bairro Jardim da Penha, em Vitória. Em seguida, duas idosas da Praia da Costa, em Vila Velha, também relataram o golpe: uma mulher de 84 anos perdeu cerca de R$ 70 mil e outra, de 73 anos, teve prejuízo superior a R$ 100 mil.
Com base nos relatos, os investigadores identificaram o carro usado nas abordagens e passaram a monitorar os suspeitos. Inicialmente, dois integrantes foram reconhecidos, mas o avanço da investigação revelou que pelo menos cinco pessoas participavam do esquema, atuando em sistema de revezamento, o que levou à conclusão de que se tratava de uma organização criminosa.
Os suspeitos chegaram a deixar o Espírito Santo, mas retornaram ao estado no início deste ano com a intenção de aplicar novos golpes. Eles foram localizados e presos no bairro Jardim da Penha, em Vitória, durante uma abordagem feita por equipes da Delegacia Especializada de Defraudações e Falsificações (Defa) na Praia de Camburi.

No carro em que estavam, havia três suspeitos, que foram detidos. Com o grupo, foram apreendidos documentos falsos e um telefone celular usado para enganar as vítimas.
Os presos foram identificados como: Luis Fernando do Carmo, de 36 anos; Daniela Bottega Oliveira do Carmo, de 37 anos; Gabrieli Aparecida de Oliveira Florão, de 24 anos. Segundo as investigações, os suspeitos são naturais de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.
Como o golpe funcionava?
O esquema era bem articulado e explorava a confiança das vítimas, a maioria mulheres idosas. A abordagem inicial costumava ser feita por uma mulher jovem, que se apresentava como religiosa, vinda do interior e supostamente desorientada na cidade. Ela perguntava à vítima se conhecia algum advogado para indicar.
Em seguida, um segundo integrante da quadrilha se aproximava e dizia ser médico. A mulher então afirmava estar com um bilhete premiado, mas sem saber como resgatar o prêmio e por isso precisava da ajuda de um advogado. O suposto médico dizia conhecer alguém que trabalhava na Caixa Econômica Federal e fazia uma ligação para outro comparsa, que se passava por funcionário do banco.
Durante a ligação, o golpista confirmava que o bilhete estaria premiado em cerca de R$ 3 milhões e dizia que seriam necessárias duas testemunhas para retirar o valor. Com isso, os suspeitos convenciam a vítima a entrar no carro, alegando que ela poderia ajudar como testemunha.
No trajeto, os golpistas levantavam questões religiosas, dizendo que o prêmio poderia representar envolvimento com jogos de azar. A golpista, que se dizia religiosa, então mudava o discurso e dizia que não poderia ficar com o dinheiro. Ao mesmo tempo, relatava que precisava do valor, pois estava endividada. A partir daí, o grupo convencia a vítima a comprar o bilhete premiado, até como forma de ajudar a estelionatária. Eles convenciam as idosas a entregar uma quantia em dinheiro em troca do suposto bilhete.
Após receberem o valor, os suspeitos prometiam para a vítima que o pagamento do prêmio ocorreria em poucos dias, alegando ainda a necessidade de resolver questões com advogados. Porém, depois disso, desapareciam com o dinheiro delas.
Suspeitas de mais vítimas
Segundo a polícia, as abordagens ocorriam principalmente em áreas nobres e nas proximidades de bancos. Os suspeitos agiam sempre escolhendo vítimas bem-vestidas, que aparentavam ter boa condição financeira.
A suspeita é de que outras pessoas tenham sofrido o golpe, pois imagens do cerco eletrônico mostram a passagem do veículo dos suspeitos em ao menos oito situações diferentes nas regiões onde eles atuavam.
A orientação da polícia é de que quem tiver sofrido golpes semelhantes faça uma denúncia pelo telefone 181 ou vá até a delegacia para que os criminosos sejam responsabilizados. O caso segue em investigação para identificar outros possíveis envolvidos.











