A Polícia Civil do Espírito Santo cumpriu dois mandados de prisão preventiva contra um homem de 46 anos investigado pelos crimes de estupro de vulnerável, assédio sexual e exploração sexual de crianças e adolescentes. A ação foi realizada na última quinta-feira (08) pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
As investigações apontam que o suspeito se aproveitava da condição de professor da rede pública de ensino para aliciar, assediar e abusar sexualmente de meninos com idades entre 10 e 16 anos, em sua maioria estudantes com baixo rendimento escolar. Segundo a Polícia Civil, ele oferecia melhorias nas notas e valores em dinheiro em troca de favores sexuais e do envio de imagens de conteúdo pornográfico.
O cumprimento dos mandados contou com o apoio da Subsecretaria de Inteligência (SEI) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e da Guarda Municipal da Serra.
O “Modus Operandi” da Chantagem
Segundo o inquérito, o professor utilizava sua posição de autoridade para mapear vulnerabilidades dos alunos. Em Vila Velha, o foco eram meninos de 13 a 16 anos com dificuldades escolares. “Ele oferecia a nota mínima para aprovação em troca de fotos das partes íntimas”, explicou o delegado Glauber Guaitolini.
Com o tempo, as ofertas evoluíram para transferências bancárias via Pix (entre R$ 30 e R$ 50) e bens materiais, como pranchas de surfe. Na Serra, o suspeito utilizava sua rede de contatos no meio musical, prometendo encontros com dançarinas de sua banda para atrair adolescentes heterossexuais.
Arquivo do Horror
A crueldade do caso ganhou contornos mais graves após a perícia em dispositivos eletrônicos. A polícia descobriu que o investigado mantinha um catálogo digital meticulosamente organizado. No computador, pastas eram separadas pelas siglas das instituições de ensino e, dentro delas, subpastas com as iniciais de cada vítima, contendo fotos de beijos forçados — muitos registrados dentro das escolas com os alunos uniformizados — e imagens de nudez.
A investigação tomou novo fôlego em fevereiro de 2025, quando uma criança de 12 anos revelou ter sido coagida pelo professor. Além de sofrer toques indesejados no banheiro da escola, o menino era obrigado a assistir a conteúdos de pedofilia sob ameaça. “O professor dizia que sabia onde a família morava e que tinha controle sobre os acessos do jovem na internet”, relatou a delegada responsável.
A mudança de comportamento do garoto — que voltou a dormir com a mãe e passou a ter medo do escuro — foi o alerta que levou à descoberta de mais de dez sites de pornografia infantil no histórico do aparelho da vítima, acessados por ordem do agressor.
Preso e foragido
O suspeito já havia sido detido em novembro de 2024, mas foi liberado em audiência de custódia. Após a decretação de sua prisão preventiva em abril de 2025, ele permaneceu foragido até a última semana, quando foi localizado na casa dos pais, na Serra. Para garantir que ele não escapasse por esconderijos ou rotas de fuga, a polícia utilizou monitoramento aéreo durante a incursão.
O caso segue em segredo de justiça para preservar a identidade das vítimas, mas a polícia acredita que o número de adolescentes atingidos pode ser ainda maior.











