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Stalking: Espírito Santo registrou 462 casos até abril

Você já deve ter ouvido ou lido a expressão “stalking” na internet. O termo stalker geralmente é usado para identificar alguém que acompanha o perfil e as postagens de determinada pessoa com frequência.

A palavra, no entanto, vai muito além e serve para definir um perseguidor obsessivo, insistente e que dispensa atenção exagerada a alguém. É importante ressaltar que stalking é considerado um crime e o Espírito Santo registrou mais de 450 casos até abril deste ano.

“Bebê Rena” é uma série baseada em uma história real, que narra a saga de um comediante, que vive uma versão ficcional de si, perseguido por uma stalker. Segundo Richard Gadd, a stalker enviou 41.071 e-mails, 350 horas de mensagens de voz, 744 publicações no Twitter, 46 mensagens no Facebook e até mesmo 106 páginas de cartas.

No Brasil, uma mulher foi presa no último dia 8 de maio por agredir um médico em Minas Gerais. Ela foi presa em uma Universidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O alvo da mulher afirmou que chegou a receber mais de 1.300 mensagens e fazer mais de 500 ligações para ele em apenas um dia. Em defesa, o médico fez mais de 40 boletins de ocorrência contra ela.

A motivação de quem que pratica stalking varia. De acordo com a psicóloga Luiza Bazoni, algumas pessoas podem se comportar dessa maneira alegando amor, vingança, inveja, brincadeira ou qualquer outra causa subjetiva.

“Em algumas situações o indivíduo que comete o stalking pode passar a ficar obcecado e a adotar atitudes compulsivas, podendo ser identificado algum problema emocional. Por trás de um stalker compulsivo podem existir diversos problemas mal resolvidos, como insegurança, traumas e rejeições. Existe uma crença ilusória no destino romântico, um desejo de recuperar um relacionamento, um desejo sádico de atormentar a vítima ou uma super identificação psicótica com essa vítima”, explicou.

A psicóloga também explica que as causas do stalking ainda estão sendo investigadas. “Eles se sentem motivados a estarem próximos ao indivíduo que os causa essa reação, querendo “participar” da rotina e do dia a dia dessa pessoa”, disse.

Stalking tem tratamento? 

Pesquisadores destacam que existem diferentes categorias para essa prática, o que, de acordo com Luiza Bazoni, facilita entender as peculiaridades de cada uma reconhecendo o grau de problema da situação.

  • Stalking circunstanciais: possuem algum impacto emocional junto com fragilidades e, por isso, começam a perseguir a vida de alguém;
  • Stalking sociopatas ou psicopatas: não importa quem seja e qual a circunstância, eles assediam a vida de qualquer um. Não conseguem raciocinar direito e pensam nos modos que podem utilizar para stalkear pessoalmente também. Dessa forma, se atropelam nas regras sociais e utilizam da perseguição para amenizar o que sentem;
  • Stalking fixadores: possuem cisma com uma única pessoa e fazem da existência dela um motivo de viver. Sendo assim, procuram uma maneira de participar dos momentos e sentimentos dessa pessoa. Exemplo: fãs fanáticos por seus ídolos.

“Ou seja, o que existe é um certo desequilíbrio emocional, principalmente, diante à uma rejeição ou qualquer outro motivo que cause a insegurança, tristeza ou inferioridade e que. na maioria das vezes. precisa de acompanhamento psiquiátrico e psicoterapêutico”, diz a psicóloga.

Luiza Bazoni ressaltou ainda que não existe uma personalidade típica do stalking. “O que existem são comportamentos de perseguição. O acompanhamento psicológico ou psiquiátrico se faz necessário para que seja investigada a causa e a adoção de medidas para combater essa sensação e desejo”, finalizou.

Stalking: Espírito Santo registrou 462 casos até abril
Stalking é crime – Foto: reprodução/web

No Espírito Santo

No Espírito Santo, os dados sobre esse crime começaram a ser coletados a partir de 2021, Desde então, foram coletados 353 casos. Em 2022, foram 953 registros, enquanto no ano passado as ocorrências chegaram a 1.160. Já em 2024, até o mês de abril, foram registrados 462 casos.

Dentro da Região Metropolitana, os dados entre 2021 e abril de 2024 mostram 1.334 casos de stalking.

De acordo com a Polícia Civil (PCES), as vítimas desse tipo de crime podem registrar ocorrências em qualquer delegacia, a fim de identificar os suspeitos e aplicar a devida punição.

O Disque-Denúncia 181 é uma ferramenta que também pode ser usada pela população para auxiliar a polícia, fornecendo informações que possam levar à prisão dos criminosos, disponível também pelo site disquedenuncia181.es.gov.br.

O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas minuciosamente. Em casos de crimes em andamento, recomenda-se acionar o número de emergência 190.

Stalker e a lei

Antes da implementação da lei prevista no artigo 147-A do Código Penal Brasileiro, em 2021, casos de perseguição costumavam ser tipificados como contravenção penal. Quem explica é o especialista em Direito Criminal, Sandro Câmara.

“A Lei 14.132, de 31 de março de 2021, introduziu o artigo 147-A no Código Penal, que aborda a prática do crime de perseguição, comumente conhecido como “stalking”. Pelo novo artigo, é crime seguir ou observar uma pessoa de forma persistente ou repetida, ameaçando sua integridade física ou mental, ocasionando situações embaraçosas e intimidatórias que resultem na limitação ou na perturbação de sua liberdade ou privacidade”.

De acordo com o especialista, um exemplo de stalking é a dificuldade em se distanciar, após o fim de uma relação. “Se recusar a aceitar o término de um relacionamento e passar a contactar insistentemente o ex-parceiro, visitá-lo em sua residência ou local de trabalho sem convite, recorrendo a vários métodos para dissuadi-lo de iniciar um novo relacionamento. A pena prevista para essa conduta é de 6 meses a 2 anos de reclusão, além de multa. Há previsão de aumento de até a metade da pena nos seguintes casos: I) quando o crime é cometido contra criança, adolescente ou idoso; II) quando direcionado a uma mulher devido ao gênero feminino; e III) quando praticado por duas ou mais pessoas ou com o uso de arma”, explicou Sandro Câmara.

Como se proteger?

O advogado diz que é possível solicitar medidas protetivas para casos de stalking. “As medidas protetivas serão concedidas pelo poder judiciário no bojo de ações destinadas a garantir a segurança e a proteção da vítima em situações de violência ou ameaça, incluindo o stalking. Essas medidas podem incluir restrições específicas ao agressor, como a proibição de se aproximar da vítima, de fazer contato direto ou indireto com ela, de frequentar determinados lugares frequentados pela vítima, entre outras medidas que visam prevenir a ocorrência de novos episódios de stalking e proteger a integridade física e psicológica da vítima. É importante que a vítima de stalking busque ajuda de autoridades policiais e de um advogado para solicitar as medidas protetivas adequadas ao seu caso”, afirmou Sandro Câmara.

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