O Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen/ES) foi escolhido pelo Instituto Butantan para integrar o projeto Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS). A parceria, firmada oficialmente nesta quarta-feira (11), vai incluir o laboratório capixaba no monitoramento genômico de arboviroses e vírus respiratórios circulantes no Brasil.
O CeVIVAS tem como objetivo identificar as variantes em circulação no país para subsidiar a atualização e a eficácia das vacinas desenvolvidas pelo Butantan. Criado em 2022, o projeto realiza vigilância genômica contínua de vírus como Influenza, SARS-CoV-2 e dengue (DENV), acompanhando mutações e padrões de disseminação.
Com a adesão ao projeto, o Lacen/ES será responsável pelo sequenciamento genômico de amostras de arboviroses e vírus respiratórios coletadas no Espírito Santo e, se necessário, em outras regiões. A participação do Estado começa ainda neste mês, após o Carnaval.
Durante a visita ao Espírito Santo, representantes do Butantan conheceram a estrutura do laboratório e os dados produzidos pela equipe capixaba na área de vigilância genômica. Participaram do encontro o subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso; o diretor do Lacen/ES, Rodrigo Rodrigues; a diretora do Centro de Desenvolvimento Científico (CDC) do Butantan e gestora do CeVIVAS, Sandra Coccuzzo; além de técnicos das duas instituições.
Segundo o Butantan, o monitoramento realizado pelos laboratórios parceiros é fundamental para comprovar a eficácia e a cobertura das vacinas oferecidas à população.
Referência em vigilância genômica
O Lacen/ES é referência no Estado em vigilância genômica, processo que monitora continuamente microrganismos causadores de doenças por meio do sequenciamento genético. A técnica permite acompanhar a evolução de vírus, identificar novas variantes e orientar medidas de controle e prevenção.
Nos últimos anos, o laboratório capixaba realizou o sequenciamento de 3.034 amostras de Covid-19 — número superior à média de cerca de 2 mil sequenciamentos registrados por outros laboratórios públicos que executam o mesmo procedimento.
Em relação às arboviroses, como dengue, Zika, chikungunya e Oropouche, o sequenciamento começou em 2023. Em dois anos, o Lacen/ES analisou 1.142 amostras e identificou a circulação dos sorotipos DENV-1, DENV-2, DENV-3, além dos vírus chikungunya (CHIKV) e Oropouche (OROV). O volume representa mais de 400% a mais que a média de cerca de 225 sequenciamentos realizados por outros laboratórios públicos no mesmo período.
Com a nova parceria, a tendência é que o Espírito Santo amplie ainda mais a participação nas estratégias nacionais de vigilância viral e no acompanhamento da eficácia das vacinas.











