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Mulheres enfrentam estigmas e solidão na luta contra o vício, aponta pesquisa

Um estudo recente divulgado pela Universidade de São Paulo (USP) revela um cenário preocupante: o estigma social em torno do tratamento de vícios para mulheres. A pesquisa, que entrevistou 100 mulheres em tratamento para dependência química, expõe as dificuldades enfrentadas por elas em busca de recuperação.

Cerca de 60% das mulheres relataram sentir medo ou vergonha de buscar ajuda por causa do julgamento da sociedade. Esse julgamento é especialmente intenso para mulheres que se desviam do papel tradicional de mãe e esposa, sofrendo ainda mais críticas e isolamento.

Uma das consequências mais críticas é o retardo no início do tratamento, pois o estigma leva à autoexclusão, dificultando a recuperação. O agravamento do problema acarreta um menor sucesso no tratamento, impactando diretamente a saúde mental das mulheres, aumentando a ansiedade e a depressão.

As comunidades de apoio, como os grupos mistos dos Alcoólicos Anônimos (AA), também foram apontadas como ambientes desfavoráveis para as mulheres. A pesquisadora Kátia Varela Gomes, em um estudo realizado no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, identificou um ambiente hostil e tóxico para mulheres em grupos de apoio a dependentes químicos.

Mulheres enfrentam estigmas e solidão na luta contra o vício, aponta pesquisa
Foto: reprodução

“Falta um tratamento adequado. Fiquei chocada ao ver que as frases que os homens falavam eram exatamente as mesmas que eu havia encontrado na literatura (científica): ‘mulher quando usa droga fica facinha’, ‘se é feio para homem beber, imagina para a mulher’, etc”, afirma a psicóloga. “As mulheres se calavam e depois de algumas semanas, desistiam do tratamento “, completou .

Segundo o antropólogo Edemilson de Campos, coordenador da pesquisa, em um inventário feito recentemente, as mulheres representam apenas 13% dos participantes de grupos de apoio para pessoas com algum tipo de dependência, o que, a seu ver, é um número que pode estar subnotificado em virtude do preconceito que elas sofrem por se encontrarem nessa condição.

Ainda segundo o estudo, entre outros dramas, as mulheres que sofrem de alcoolismo estão mais propensas ao isolamento. Em geral, a sociedade vê com olhos condescendentes os homens que bebem em bares, já a mulher não tem o mesmo julgamento. O sentimento de vergonha por beber em público leva as mulheres a beberem sozinhas, muitas vezes na solidão de suas casas, acentuando assim a perda da autoestima e de amizades.

A pesquisa sugere a necessidade de ampliar espaços de apoio exclusivamente femininos para atender às demandas específicas das mulheres, principalmente em questões relacionadas ao estigma de gênero, relacionamentos e uso indevido de álcool, para combater o estigma e criar um ambiente mais acolhedor para mulheres em busca de recuperação.

Outras medidas citadas no estudo:

  • Campanhas de conscientização: Informar sobre a natureza do vício como doença e a importância do tratamento.
  • Abordagem humanizada: Acolher as mulheres sem julgamentos e oferecer apoio emocional.
  • Empoderamento feminino: Fortalecer a autoestima e a autonomia das mulheres.

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