Dólar Em alta
4,928
21 de fevereiro de 2024
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Vitória
23ºC

Dólar Em alta
4,928

Especialistas capixabas explicam problema que afeta 65% dos brasileiros

Ter um sono de qualidade é um pilar muito importante para a saúde física e mental de um indivíduo. No entanto, muitas pessoas não dão valor as horas de sono, e outras, por circunstâncias da vida, realmente não conseguem dormir o suficiente para descansar e repor as energias. No Brasil, dormir mal é algo mais comum do que se imagina. Segundo dados de pesquisa realizada pela Associação Brasileira do Sono, 65% dos brasileiros têm problemas de qualidade do sono.

Por ser uma função biológica fundamental na consolidação do corpo e da mente, as interrupções do sono podem acarretar alterações significativas no funcionamento físico, ocupacional, cognitivo e social do indivíduo, além de comprometer substancialmente a qualidade de vida. De acordo o pneumologista, especialista em medicina do sono, Sérgio Barros, todos os organismos vivos possuem os seus ritmos circadianos, ciclos de 24 horas que fazem parte do relógio interno do corpo, responsáveis por sinalizar vários estímulos como fome, sede, sono, entre outros.

O especialista assegura que quando esses estímulos são interrompidos ou dessincronizados, o corpo sente e se manifesta. “Uma pessoa dessincronizada em seus ritmos biológicos pode desenvolver doenças como complicações cardiovasculares, metabólicas e psiquiátricas. Além de distúrbios de sono, tais como insônia, distúrbios respiratórios do sono, distúrbios comportamentais durante o sono, distúrbios comportamentais do sono rem, e mais”, explicou.

Trabalhar à noite e dormir de dia é uma rotina que vai contra uma característica biológica, entretanto, essa é a realidade de muitas pessoas. Como é caso da porteira de condomínio, de 43 anos, que preferiu não se identificar. Em entrevista, ela contou que devido a rotina acabou desenvolvendo insônia e agora luta com as dificuldades na hora de dormir. “Não estou reclamando do meu trabalho, eu gosto do que faço, mas trocar o dia pela noite não tem me feito bem. Nos dias que estou em casa eu não consigo dormir a noite. Já tive até crise de ansiedade porque tenho a sensação de estar sempre cansada, é muito ruim”, contou.

Segundo a médica psiquiatra, Maria Benedita Reis, aqueles que fazem turnos de trabalho alternados ou que trabalham fora do período das 9h às 17 horas têm maior risco de desenvolver distúrbios do ritmo circadiano. A claridade da manhã estimula a liberação do cortisol, que é o hormônio que nos deixa despertos. Já ao anoitecer, ocorre a produção de melatonina, que é o hormônio que leva ao relaxamento e ao sono.

Dessa forma, alterações no ciclo circadiano, por diversas razões (horário de trabalho, viagens, cuidar de bebês e de pessoas doentes, entre outros) impactam negativamente na qualidade de vida e consequentemente na funcionalidade da pessoa. “Sair do ritmo, ou seja, “trocar a noite pelo dia”, pode causar cansaço, indisposição e desatenção. Podem também ocorrer distúrbios metabólicos, com diabetes e obesidade, além de hipertensão arterial”, explicou.

De acordo com a especialista, o ciclo circadiano também tem a função de preparar o corpo para outras atividades; ele disponibiliza as enzimas que ajudam nos processos digestivos, nos horários das refeições, regula o metabolismo de acordo com o gasto energético demandado em cada momento, permite a produção hormonal adequada e o sono reparador, impactando positivamente a saúde física e mental.

“A má qualidade do sono pode causar perda de funcionalidade, desatenção e suas consequências, inadequação no trabalho e perda da qualidade de vida, crises de ansiedade, uso abusivo de medicamentos e outras substâncias, inclusive para dormir e para se manter acordado no dia seguinte, além de sintomas depressivos, entre outros”.

Pessoas com um distúrbio do sono ligados ao ritmo circadiano adormecem em horários impróprios e depois não conseguem ir dormir ou acordar quando precisam ou querem. Seu ciclo de dormir e acordar é interrompido. “Os distúrbios do sono ligados ao ritmo circadiano ocorrem quando o horário interno das pessoas de dormir e acordar (relógio) não alinha com o ciclo de claro (dia) e escuro (noite) da Terra”, frisou a psiquiatra.

Também são distúrbios que decorrem de alterações no ritmo circadiano: disritmia circadiana, distúrbio no ritmo circadiano causado por viagens durante a noite ou através dos fusos horários; transtornos do humor, a falta de exposição ao sol pode levar a condições como depressão, transtorno bipolar e transtorno afetivo sazonal (TAS) e transtornos de trabalho, quando uma pessoa trabalha fora do dia típico de trabalho, ou quando trabalha durante a noite, causando mudanças no ritmo circadiano.

O que fazer para melhorar a qualidade do sono?

Você já deve ter percebido a grande importância em dormir bem e o impacto dessa ação tanto no ponto de vista físico como o mental. Porém, atingir a qualidade do sono ideal pode ser um desafio, ainda mais em um contexto em que temos rotinas cada vez mais agitadas e estímulos frequentes para não cumprir as horas necessárias de recuperação e descanso.
Segundo especialistas, alguns cuidados são necessários para amenizar problemas com o ritmo circadiano. Entre eles, procurar estabelecer uma rotina de sono, ou seja, buscar se deitar e se levantar aproximadamente no mesmo horário, mesmo nos dias de folga, mantendo um número regular de horas de sono é essencial.

Para a psiquiatra, Maria Reis, ter um sono de qualidade também está associado ao controle do ambiente, por é muito importante ter um lugar adequado e calmo na hora de dormir. “Usar cortinas que escurecem, conhecidas como blackout, janelas antirruído ou protetores auriculares e tapa-olhos costumam ser boas opções para simular o ambiente noturno. Manter um ambiente limpo e acolhedor e evitar cafeína, exercícios físicos, uso de telas, como celular e computador, ou luzes fortes duas horas antes de dormir também ajudam”, alertou.

Outras ações que podem ajudar na qualidade do sono são: manter uma alimentação saudável e uma regularidade no horário das refeições, praticar atividades físicas (definir e ter horários fixos para exercitar o corpo, evitando que tais horários sejam perto da hora de dormir), evitar substâncias que afetam o sono pelo menos após às 16 horas, incluindo cafeína, álcool e nicotina, tirar sonecas de dez a 15 minutos depois do almoço e se expor a luz natural do sol, inicialmente após acordar.

“Cabe lembrar que o uso de medicamentos ou suplementos para dormir, quando extremamente necessários, devem ser feitos sob acompanhamento médico regular”, pontuou Reis.

As diferentes fases do sono

O sono pode ser dividido em 5 fases: período desperto, sono leve (estágio 1), sono profundo (estágio 2), sono profundo não REM (estágio 3) e sono REM. Cada fase provoca alterações nos padrões de onda cerebrais, de movimentação dos olhos e de mobilidade do corpo e dos músculos durante o período de repouso.

Segundo os especialistas, vale ressaltar que é durante o sono REM que acontece a atividade relacionada aos sonhos, mesmo que, em muitos casos, eles sejam lembrados só depois, próximo ao despertar. Em geral, a trajetória do estágio 1 (do sono leve) até o sono REM dura entre 90 e 120 minutos e se repete várias vezes durante a noite.

Além disso, cerca de 45% desse tempo é dedicado ao sono profundo, enquanto o sono REM em si ocupa por volta de 25% desse tempo — mais ou menos o mesmo período do sono profundo não REM. Já o sono leve é responsável por cerca de 5% do tempo de uma noite de sono.

Uma noite mal dormida pode ser fatal

Sabia que uma noite mal dormida pode matar? É o que revelou uma pesquisa divulgada pela Universidade de Stanford (EUA) e do Centro Dinamarquês de Medicina do Sono. Segundo dados do estudo, as interrupções noturnas durante o sono podem elevar o risco de morte em 29% e reduzir a expectativa de vida em quase nove anos.

De acordo com a mestre e especialista em medicina do sono, Jessica Polese, uma pessoa pode interromper o sono por vários fatores externos, como barulho, filhos pequenos, entre outros, ou internos, por meio das chamadas “doenças do sono”, como apneia do sono, bruxismo e a síndrome de pernas inquietas.

“Os micro-despertares fazem a pessoa acordar como se fosse começar o dia, por várias vezes durante a noite, e depois não se lembrar do que aconteceu, é só um despertar, que chamamos de eletroencefalográfico”, explicou.

Segundo a especialista, os micro-despertares podem ser consequência dos distúrbios do sono e essa fragmentação do descanso, a longo prazo, tem o poder de desencadear diversos problemas de saúde, sendo os mais comuns: aumento da pressão arterial, depressão, ansiedade e baixa concentração.
“Um sono que é muito interrompido acaba trazendo muitas consequências e elas podem aumentar a mortalidade, ou seja, diminuir o tempo de vida das pessoas. E aqui cabe lembrar das arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, acidentes crânio-encefálicos e vasculares, que também são consequências”, destacou.

Quantidade x Qualidade

Dormir muito nunca é sinal de estar dormindo bem, é o que aponta Polese, que em entrevista explicou que cada pessoa tem a sua necessidade de tempo. “O bebês, por exemplo, quando nascem tem uma necessidade de dormir muito, eles dormem quase o dia todo, cerca de 18h e 20h, e esse tempo vai diminuindo a medida que ele vai envelhecendo”, pontuou.

Ela assegura que uma pessoa normal e saudável dorme em torno de 8h a 7h por dia, mas existem aqueles que precisam dormir mais tempo para se sentir dispostos. “Alguns indivíduos precisam dormir 10h por dia e isso não é doença, se o indivíduo acorda bem e disposto isso significa que está quantidade de horas é o suficiente”, ressaltou.

 

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas