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Era digital: corpos editados ou reais?

No universo digital e na busca pela perfeição visual, as redes sociais desempenham um papel crucial na formação da autoimagem e autoestima, especialmente entre as mulheres.

Desde tenra idade, somos incentivadas a perseguir padrões de beleza inatingíveis, e essa pressão atinge o ápice no cenário online, onde filtros e a constante busca pela aparência ideal exacerbam as complexidades emocionais associadas à imagem pessoal.

Recentemente, a cantora Sandy revelou uma dificuldade pessoal em se expor sem o auxílio de filtros nas redes sociais. “Eu vejo vocês postando fotos sem filtro, eu não consigo”, confessou a artista.

Ela destacou a importância da maquiagem em sua rotina, revelando que não se sente à vontade expondo a verdadeira aparência. “Eu não me acho bonita e não me sinto confortável”, afirmou.

A cantora explicou essa relação com a maquiagem ao longo da vida. “Acho que é porque eu cresci assim, me vendo maquiada, arrumada. Pra mim é muito normal, minha cara é aquela. A minha cara é essas que as pessoas veem pronta. Eu estou desacostumada da minha cara normal”.

Esse relato de Sandy evidencia não apenas a pressão estética enfrentada pelas mulheres, mas também como as influências desde a infância moldam a percepção individual da própria imagem.

A cirurgiã plástica Patricia Lyra diz que, nas redes sociais, todos os corpos são perfeitos, mas só após a aplicação de filtros. O problema é que isso cria a falsa possibilidade de se ter um corpo, muitas vezes, inalcançável.

“Sou favorável à cirurgia, inclusive, já me submeti a duas. Então, posso falar com propriedade que a cirurgia realizada buscando a melhor versão para a pessoa tem tudo pra ser sucesso”, diz ela.

Porém, quando se busca a melhor versão de um outro corpo para si, a chance de insatisfação é grande. Segundo Patrícia, é função do cirurgião plástico alertar a paciente sobre as reais possibilidades e resultados.

A cirurgiã plástica acredita que as mulheres podem tomar decisões conscientes sobre cirurgias plásticas sem ceder excessivamente às pressões sociais, principalmente quando bem orientadas pelo cirurgião plástico.

Mundo perfeito

A psicóloga Tainá Machado lembra que as redes sociais não são a realidade. As imagens são vendidas por meio de filtros que buscam esconder estrias, celulites, manchas e espinhas, consideradas imperfeições.

Isso impacta muito na percepção da autoimagem e autoestima das mulheres, onde elas veem uma pessoa que tem um corpo lindo, todo escultural, e, ao se olharem nos espelhos, não enxergam isso em si mesmas.

“E aí elas entram em uma busca incansável pela perfeição, através de procedimentos, de complexos, de transtornos, devido a uma perfeição que é vendida, porém que não existe”.

Ver toda hora algo perfeito, faz com que você ache que aquilo é real, de que é daquela forma que você tem que ser, de que é aquele padrão que deve ser seguido, sendo que ninguém é igual a ninguém, destaca ela.

Vida saudável

A genética influencia no formato do corpo e a estrutura óssea define muito também, mas a pessoa quer aquilo visto na internet e acaba indo atrás de cirurgias como uma forma mais rápida e fácil, sendo que é possível levar uma vida mais saudável através de dietas e exercícios físicos.

“Só que demora, precisa de persistência, constância e as pessoas são imediatistas, não querem nada que demore. Elas querem algo que seja rápido e prático, optam por cirurgias e procedimentos estéticos e vão tapando cada vez mais rugas ou coisas que podem denunciar uma certa “imperfeição”, já que o que é mostrado são filtros que afinam o nariz, bochecha, que dão boca, que tiram rugas e linhas de expressão”.

Segundo Tainá, isso faz com que as pessoas acreditem que elas são imperfeitas e que estão fora de um padrão e o padrão é aquilo que está nas redes sociais, sendo que não é bem assim que acontece. Isso acaba acarretando em transtorno de imagem, complexo corporal, anorexia, bulimia, compulsão, depressão, ansiedade e não aceitação de si.

Como estratégias para lidar com essa situação, a psicóloga cita focar em si mesmo, não usar ninguém como parâmetro e não se comparar. “Viva a sua vida dentro das suas limitações, da sua liberdade, rotina e entenda que você não precisa ser igual a ninguém. Você não precisa se colocar como parâmetro pra nada e ninguém precisa ser seu parâmetro. Você é você”.

A especialista ainda orienta sempre buscar ajuda a qualquer pequeno sinal de uma possível ansiedade, de um sinal de depressão, anorexia, bulimia e qualquer coisa que não seja o habitual. “Seja você, entenda qual é o seu limite, o que você gosta, como que você é, o que você quer pra você, mas não porque o outro fala que tem que ser assim”.

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