Uma expedição científica realizada em uma área oceânica ligada ao Espírito Santo revelou possíveis novas espécies de peixes e coletou mais de 200 amostras da biodiversidade marinha em uma região ainda pouco explorada do país.
A pesquisa ocorreu na cadeia de montanhas submarinas Vitória-Trindade, a cerca de 1.200 quilômetros da costa capixaba — um dos pontos mais ricos e menos conhecidos do Atlântico Sul.
Ao longo de 20 dias, os pesquisadores coletaram 155 amostras de corais, de 12 espécies, e 67 amostras de peixes, distribuídas em 29 espécies diferentes. Parte desse material foi retirada de recifes em profundidades de até 200 metros.
O destaque da expedição é o registro de três possíveis novas espécies de peixes, que ainda serão analisadas em laboratório para confirmação. Também foram identificados ambientes recifais de alta biodiversidade em locais como o Monte Columbia e o arquipélago de Martim Vaz.
Para acessar áreas de difícil alcance, a equipe utilizou tecnologias avançadas, como equipamentos de mergulho de circuito fechado e veículos operados remotamente (ROVs), capazes de registrar imagens em alta resolução em grandes profundidades.
Além das coletas, os cientistas realizaram censos visuais subaquáticos e mapeamentos inéditos da fauna marinha — dados considerados essenciais para o monitoramento ambiental e a conservação das áreas protegidas.
A expedição reuniu instituições como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e centros de pesquisa de outras regiões do país.
As amostras serão analisadas por especialistas e incorporadas a coleções científicas, incluindo acervos capixabas, ampliando o conhecimento sobre a vida marinha em águas profundas.
Potencial ainda pouco conhecido
Segundo os pesquisadores, a cadeia Vitória-Trindade funciona como um verdadeiro corredor de biodiversidade no oceano e ainda guarda espécies e ecossistemas pouco estudados.
O avanço das pesquisas na região reforça não apenas o protagonismo do Espírito Santo na ciência marinha, mas também a necessidade de ampliar estratégias de conservação em áreas oceânicas remotas.









