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Carbono: entenda os mercados regulado e voluntário

A busca por créditos de carbono no Brasil deve crescer bastante nos próximos anos. No início da próxima década, por exemplo, entrará em operação o mercado regulado de carbono, onde empresas poluidoras serão obrigadas a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. Além disso, governos de vários estados já preparam suas próprias emissões de créditos, de olho nos ganhos financeiros.

Mas, afinal, o que são os créditos de carbono, quais empresas atuam nesse mercado e como o governo se insere nesse negócio? ES Hoje apresenta abaixo as explicações para os questionamentos mais comuns.

O QUE É UM CRÉDITO DE CARBONO?
Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de carbono absorvida da atmosfera ou que deixou de ser emitida. Isso equivale a cerca de 8% do carbono emitido por um avião num voo entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Quando o processo envolve outros gases de efeito estufa, como o metano, é feito um cálculo sobre quanto a absorção ou a não emissão desses gases equivale em toneladas de carbono.

Os créditos foram criados oficialmente em 1997, a partir da assinatura do Protocolo de Kyoto, primeiro tratado internacional com metas vinculantes para a redução de gases de efeito estufa. A ideia da criação dos créditos foi permitir que países e empresas pudessem compensar suas emissões de carbono por meio de projetos ambientais.

Esse mecanismo foi tratado mais detalhadamente em 2015, pelo Acordo de Paris, mas logo no início dos anos 2000 já haviam sido registradas comercializações desses créditos.

QUAIS SÃO AS FORMAS DE SE GERAR UM CRÉDITO DE CARBONO?
No Brasil, a forma mais comum é criar estruturas em áreas ameaçadas pelo desmatamento para evitar que desmatadores derrubem as árvores e, consequentemente, emitam na atmosfera o carbono que estava concentrado nela. A partir disso, empresas especializadas nesses processos calculam quantas emissões de toneladas de carbono a presença dessas áreas de proteção na região conseguiu evitar.

Também tem crescido no Brasil a geração de créditos de restauração florestal. Nesse caso, empresas plantam árvores em áreas degradadas e, após poucos anos, calculam quanto aquelas árvores absorveram de carbono desde que foram plantadas. Em modelo semelhante, há também projetos ligados a plantações de grãos que absorvem carbono, como a soja.

Em termos históricos, no entanto, os créditos mais vendidos foram aqueles gerados por meio de empreendimentos de energia limpa. Nesse caso, calcula-se quanto a geração de energia limpa, como solar e eólica, evitou que toneladas de carbono fossem emitidas na atmosfera por meio de termelétricas movidas a carvão ou a gás natural.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE O MERCADO REGULADO E VOLUNTÁRIO DE CARBONO?
No regulado, o governo determina limites de emissões para empresas de setores poluidores, que precisam ajustar seus processos produtivos para cumprir as regras. Se não cumprirem, essas empresas precisam comprar cotas vendidas pelo governo ou por empresas que conseguiram cumprir para além da meta. Esse mercado foi criado no Brasil em 2024, mas só entrará em operação em 2030.

Já no voluntário, as empresas compram, por vontade própria, créditos de carbono gerados pelas donas de projetos. Elas fazem isso para compensar suas emissões e cumprir metas climáticas impostas por elas mesmas. Esse mercado existe no país há 15 anos, mas ganhou tração nos últimos seis.

COMO OS DOIS MERCADOS SE RELACIONAM?
A lei que criou o mercado regulado de carbono no Brasil prevê que as empresas poderão comprar créditos de carbono para compensar suas emissões. Caberá ao Ministério da Fazenda determinar quantos por cento de suas emissões as empresas poderão compensar com esses créditos –hoje, se discute um limite entre 10% e 25%. A porcentagem deve ser anunciada ainda em 2026.

QUANTO CUSTA UM CRÉDITO DE CARBONO?
As negociações entre os donos de projetos e as empresas poluidoras não são públicas. No entanto, é possível fazer uma estimativa com base na venda desses créditos em bolsas e plataformas especializadas.

De acordo com relatório do Banco Mundial, em abril de 2025 cada crédito de restauração, por exemplo, era vendido a US$ 15,5. Já os de conservação, custavam US$ 5,3 e os de energia limpa, US$ 1.

Em contratos de longo prazo, bastante comum entre as big techs, no entanto, esses créditos podem custar muito mais. Segundo analistas de mercado, aqueles de restauro vendidos no Brasil, por exemplo, são vendidos a mais de US$ 30. Já outros mais caros para serem fabricados, como de compostagem, passam de US$ 100.

QUAL É O TAMANHO DESSE MERCADO NO BRASIL E NO MUNDO?
Em 2021 e 2022, foram gerados anualmente cerca de 350 milhões de créditos de carbono no mundo todo, segundo o Banco Mundial. Nos dois anos seguintes, a geração anual foi de 300 milhões, uma queda provocada pela descoberta de esquemas fraudulentos no setor. As empresas com projetos no Brasil são responsáveis por gerar entre 10% e 15% dos créditos de carbono disponíveis no mundo, de acordo com analistas.

Em 2021 e 2022, o mercado mundial chegou a movimentar anualmente US$ 2 bilhões apenas em fornecimento de curto prazo, valor que reduziu para US$ 500 milhões em 2024. Em 2025, a estimativa de analistas do Itaú é que esse mercado tenha movimentado US$ 1,5 bilhão. Essas estimativas não consideram os contratos de longo prazo, que podem atualmente significar 40% do mercado.

É incerto o tamanho exato desse setor no Brasil. A consultoria Fastmarkets, no entanto, estima que de 2011 a 2025, o país emitiu cerca de 88,5 milhões de créditos de carbono de base florestal, o que, considerando os valores de hoje, representam US$ 588 milhões movimentados.

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