O Instituto Casa Lilás, organização da sociedade civil, premiada com o Edital da Rede Abraço 2025 da Secretaria de Governo do Estado do Espírito Santo, inicia o projeto inovador de transformação social comunitária com objetivo de apoiar, oferecendo cuidados e formação para mulheres ciganas e seus filhos. O projeto “Autonomia Calin com mulheres ciganas tradicionais”, será realizado entre janeiro a maio, no acampamento cigano de Campo Verde, em Cariacica.
Nesta sexta-feira (16), às 9 horas, Dia Nacional da Mulher Cigana, a equipe do instituto inicia as oficinas de costura criativa e mentoria de fortalecimento empreendedor com 20 mulheres ciganas e seus filhos.
O Dia Nacional da Mulher Cigana é uma data que celebra a luta e a resistência das mulheres ciganas contra o racismo cultural e responde a uma lacuna histórica de reparação, ao lançar luz sobre as trajetórias, resistências e contribuições dessas mulheres para a cultura e a identidade plural do Brasil. A escolha da data – 16 de janeiro – remete à memória da ativista Jordana Tereza Aristides, cigana romi, cuja atuação no campo das artes e de proteção à infância cigana se converteu em símbolo de protagonismo feminino frente ao preconceito estrutural.
O projeto surgiu diante da necessidade apontada na pesquisa de tese de doutorado da Universidade Federal do Espírito Santo, da pesquisadora e jornalista capixaba, Déborah Sathler, que trabalha e convive há 15 anos com comunidades ciganas brasileiras.
“A história das mulheres ciganas de diversas etnias no Brasil é marcada desde a diáspora indo-europeia por intensas experiências de discriminação e múltiplas formas de violência, mas também por resiliência, protagonismo e contribuição significativa à vida social e cultural brasileira. As mulheres da etnia cigana calon, são responsáveis pelas invenções e manutenção da arte cigana nos acampamentos, e produzem o que chamamos de tecnologia social da memória coletiva e ancestral, frente a tentativa de apagamento cultural, e merecem visibilidade e cuidados”, falou a coordenadora do projeto.
O Brasil é o terceiro país do mundo em número de pessoas ciganas, só perdendo para a Romênia e os EUA, somente em 2024 o governo federal lançou o Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos.
No Espírito Santo, cerca de 25 municípios possuem acampamentos ciganos calons, de acordo com dados da Associação Internacional Maylê Sara Kali (Amsk). O projeto “Autonomia Calin com mulheres ciganas tradicionais” é um projeto inédito e inovador que protagoniza mulheres ciganas em situação de vulnerabilidades diversas, incluindo invisibilidade.
Nilcelia de Jesus, coordenadora da única associação que representa as etnias ciganas capixabas, AMEC | ES falou que “é muito relevante termos um projeto focado nas mulheres ciganas capixabas, que resultará em visibilidade para a causa cigana, dados para uma pesquisa local, e principalmente com uma equipe especializada que adaptou o projeto a realidade do território do acampamento e a vivência das mulheres calins”.
Ana Paula Soares, 30 anos, vive no acampamento de Cariacica mãe de três filhos, e vão participar do projeto da Casa Lilás “para nós vai ser muito bom, precisamos que nos vejam, vão chegar máquinas de costuras novas para produzirmos nossas vestimentas, as bonecas ciganas e vamos aprender coisas novas, estamos felizes aqui na comunidade”.
A equipe do Instituto Casa Lilás é formada por profissionais da educação, instrutores de formação em arte, arteterapeutas e psicólogas com experiência em projetos comunitários e vivências em comunidades tradicionais.











