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13 de junho de 2024
quinta-feira, 13 de junho de 2024

Cristãos e as eleições #8: a liberdade e o perigo de um Estado absoluto

A liberdade e o perigo de um Estado absoluto e totalitário, por Wagner Rocha*

Cristãos e as eleições #8: a liberdade e o perigo de um Estado absolutoE disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se mova sobre a terra. (…) Assim o homem deu nomes a todos os rebanhos domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens.
GÊNESIS 1:26; 2:20(a)

De acordo com o texto acima, além da capacidade de dominar sobre a criação, Deus capacitou o ser humano a fazer escolhas, ou seja, deu liberdade para que ele pudesse pensar e tomar as suas próprias decisões.

Falar sobre política sob um olhar cristão pode ser interpretado de forma equivocada como a mistura entre Igreja e Estado, algo muito debatido ultimamente e que, pelas convicções dos Batistas brasileiros, por exemplo, é algo que deve permanecer separado – isso, levando em consideração a liberdade que ambos os setores da sociedade devem ter para exercer suas respectivas funções, sem que haja interferência de um e outro.

Entretanto, o cristão precisa, sim, buscar estar envolvido em assuntos políticos. Afinal de contas, a igreja é parte da sociedade e, tal qual a política, tem sua parcela de contribuição para o bem coletivo.

Dito isso, precisamos refletir sobre as eleições. Infelizmente tendo em vista os últimos acontecimentos políticos em nosso país, bem como a polarização que tomou conta de todo o cenário político, esse não é um assunto muito fácil de lidar. É só observar como ultimamente as escolhas políticas têm se tornado motivo de desavenças e facções entre pessoas da mesma família, de um mesmo ambiente de trabalho e, ainda, entre pessoas que professam a mesma fé e/ou confissão religiosa.

Sofrimento cristão diante de um Estado totalitário

liberdade
Por reconhecerem somente Jesus como Senhor e Deus e rejeitarem o título de kurios (senhor) ao imperador, cristãos foram perseguidos pelo império romano, lançados às feras para serem devorados como espetáculo no Coliseu, queimados em postes, dentre outras penas

A luta contra um Estado absoluto e totalitário não é novidade na vida do cristão. No primeiro Século d.C. os cristãos sofreram severas perseguições por parte do Estado, principalmente a partir de 64 d.C. através de Nero, que imprime forte perseguição aos cristãos, tendo o apóstolo Paulo como peça chave para essa perseguição. Títulos que até então eram dados ao imperador, começaram a ser usados por cristãos para se referirem a Cristo. Exemplo disso vemos na palavra grega Kurios que significa “senhor”. Esse fato certamente provocou a ira dos governantes da época.

Um Estado totalitário é aquele que procura inviabilizar qualquer tipo de oposição à sua forma de governo e/ou à sua forma de enxergar a população e suas necessidades. Via de regra, é quando o Estado busca dificultar ou mesmo cessar a liberdade de expressão, incluindo a religiosa.

Alguns países possuem governos totalitários, sendo que, inicialmente, a liberdade de expressão foi sendo retirada, até chegar a situações em que comportamentos e atitudes também passaram a ser monitorados e passíveis de aprovação ou reprovação, sendo essa (reprovação) passível de punição. A liberdade religiosa pode ser seriamente atingida nessas situações, ficando a cargo do Estado o filtro sobre qual confissão religiosa pode ser aceita e qual deve ser repelida.

Esse pensamento acerca de um Estado totalitário vai contra os princípios bíblicos. O livre arbítrio ou a livre oportunidade de pensar são características dadas por Deus, sendo que Ele, mesmo sendo Deus, respeita o livre arbítrio e o livre pensar dos seres humanos, não agindo de forma coercitiva ou proibitiva. Como podemos ver em Apocalipse 3:22:

Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo.

Cristãos e as eleições #8: a liberdade e o perigo de um Estado absoluto
Wagner Rocha é Bacharel em Teologia

Trecho de uma carta endereçada à igreja de Laodicéia. Aqui vemos o Senhor como aquele que bate à porta, ou seja, não como quem impõe alguma coisa ou um relacionamento, muito menos cerceando atitudes e comportamentos, mas um convite a um relacionamento saudável de benefício mútuo, “com ele cearei, e ele, comigo”.

O candidato e a liberdade

Na hora de escolher candidatos para os muitos âmbitos de governo, é importante analisar o que o(a) candidato(a) pensa a esse respeito. Será que a liberdade é valorizada e protegida por ele(a)? Será que a liberdade religiosa é também contemplada por essa escolha feita?

São aspectos que precisam de fato ser analisados com critério. A liberdade não deve ser somente para cristãos ou outro grupo religioso apenas, mas deve contemplar toda a sociedade.

Um Estado absoluto e totalitário pode ser um peso para a vida das pessoas, trazendo opressão e grande tristeza para todas as camadas da sociedade. A liberdade é um direito assegurado pela nossa Constituição em seu artigo 5°, que trata também de forma particular a liberdade de expressão e de consciência no contexto das crenças religiosas.

Em nosso pensamento político, a liberdade de expressão e o livre pensar (incluindo a crença religiosa) devem fazer parte da nossa pauta examinatória para que possamos realizar a escolha pelo(a) candidato(a) da forma mais coerente possível e que possa de fato ser de grande impacto positivo para toda a sociedade.

*Wagner Rocha é Bacharel em Teologia, professor, líder de jovens e adolescentes da Primeira Igreja Batista da Praia da Costa

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Comentários
  1. Carecemos de diálogos como este em nossas organizações, principalmente em dias em que o controle cada vez maior deste novo “estado” tenta esmagar a liberdade do indivíduo em todos os seus aspectos e valores.

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