“O Cais é de todos. A gente quer que esse equipamento seja apropriado pela sociedade capixaba.” Com essa declaração, o governador Renato Casagrande resumiu o objetivo de uma nova etapa para o Cais das Artes, em Vitória. Após 15 anos de espera, a parte física do museu será inaugurada em dezembro, iniciando uma ocupação gradual do espaço com uma programação que vai desde a arte local até grandes mostras internacionais.
A gestão e a programação do complexo cultural serão realizadas por meio de uma parceria entre o Governo do Estado, a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e a Fundação Roberto Marinho. A proposta é transformar o Cais não apenas em um polo de cultura e inovação, mas também integrá-lo ao sistema educacional capixaba, permitindo que estudantes da rede estadual utilizem o espaço como um extensão da sala de aula.
Educação e cultura integradas
Para João Alegria, diretor de cultura da Fundação Roberto Marinho, a união entre cultura e educação é uma tendência global que ganha força no Espírito Santo. “Educação e cultura não são coisas independentes. A educação está contida na cultura. Projetos educacionais fortemente povoados por vivências culturais são mais bem-sucedidos”, afirmou.
Segundo ele, o modelo adotado no Cais das Artes é inédito no Brasil. “É a primeira vez em que uma escola de ensino médio técnico terá parte da formação acontecendo dentro de um equipamento cultural. As aulas podem ocorrer na biblioteca, no pátio ou em salas dentro do Cais. O diferencial é que o estudante conviverá com curadores, equipes de montagem e mediação, associando teoria e prática de maneira concreta.”
Programação participativa e investimento
A OEI será responsável pela gestão compartilhada do espaço. De acordo com Rafael Callou, diretor de cultura da entidade, a programação será construída de forma participativa, ouvindo artistas, especialistas e a população. “A OEI vai contribuir tanto na programação educativa quanto na expositiva, vinculando produções de artistas capixabas e trazendo exposições itinerantes de alcance regional e internacional”, explicou.
Callou adiantou que um edital público será lançado para selecionar propostas de coletivos e artistas individuais capixabas para os próximos dois anos, com recursos do Tesouro Estadual. A ocupação do espaço ocorrerá gradualmente ao longo de 2025, com destaque para a exposição “Amazônia”, de Sebastião Salgado.

Destaque no cenário cultural
O governador Renato Casagrande ressaltou que o Cais das Artes colocará o Espírito Santo em posição de destaque no cenário cultural. “A partir deste seminário, teremos visitas monitoradas, editais para artistas locais e a programação de grandes eventos. O Cais pode entrar no roteiro de exposições e peças teatrais do país e do mundo”, afirmou.
Nos próximos dois anos, o espaço receberá quatro mostras, cada uma com investimento de R$ 500 mil, totalizando R$ 2 milhões em recursos para fomentar a produção artística local. A inauguração física em dezembro marcará o primeiro passo de uma ocupação que promete transformar o equipamento em um símbolo de desenvolvimento humano, econômico e cultural para o estado.









