A alegação da defesa de que o jovem, Matheus Stein Pinheiro, de 24 anos, suspeito pelo assassinato de Ana Carolina Rocha Kurt, teria agido sob surto psicótico, não convenceu os policiais que investigam o caso. Segundo os agentes, após a divulgação do crime, várias testemunhas afirmaram já terem sofrido violência por parte do suspeito.
As informações foram passadas no fim da manhã desta quinta-feira (18), durante coletiva de impressa da Policia Civil. De acordo com a chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), delegada Raffaella Aguiar, desde quarta-feira (17), a delegacia vem recebendo e formalizando diversas denúncias de que o suspeito já havia praticado violência com outras mulheres e amigos que conviveram com ele, anteriormente.
“Ele é machista, é possessivo, tem o perfil misógino que desqualifica a figura da mulher na sociedade, então a estratégia da defesa no primeiro momento de que ele estava em surto, para nós, não é convincente”, frisou.
Em entrevista, o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Ricardo Almeida, contou que um morador, que faz parte da administração do prédio, subiu até o andar do apartamento de Matheus, após vizinhos alegarem ter ouvido gritos e pedidos de socorro.
“Eles já conheciam o histórico violento do suspeito, que afirmou não ter ouvido nada e estava indo para a faculdade. Tomou banho e, com a mochila nas costas, saiu”, relatou.
As imagens capturadas pela investigação mostram que minutos após o crime, o suspeito foi até a rodoviária de Vitória, comprou uma passagem e embarcou para a cidade de Conceição da Barra, no Norte do Estado.
O delegado informou ainda, que a polícia só foi ter conhecimento do ocorrido após o pai do jovem arrombar a porta do apartamento onde a vítima estava. “Antes da polícia saber do crime ele já estava em outro município, por isso não foi possível nem a polícia civil ou militar realizar a prisão em flagrante”, ressaltou.
Segundo informações, a mãe de Matheus estava junto com o pai no momento em que o corpo da vítima foi encontrado. A polícia acredita que o pai do suspeito foi avisado pelo filho e, por isso, foi até o apartamento e, logo em seguida, chamou a polícia.
Dois dias após o crime, a advogada fez contato informando que o jovem iria se apresentar à polícia. De acordo com Almeida, ao se apresentar na delegacia no dia 17 de maio, Matheus foi questionado pela sua presença, já que não havia nenhum mandado.
“Em nenhum momento ele assumiu o crime, ele apenas falou que estava na delegacia pois o seu nome estava aparecendo na mídia como foragido e, depois disso, não respondeu mais nenhuma pergunta”, contou.
Do dia do crime a prisão

Em entrevista, a Polícia Civil informou que após tomar conhecimento do fato, ocorrido no final da tarde do dia 15 de maio, a polícia iniciou as investigações. No dia seguinte, terça-feira (16), foram feitas as coletas de provas, imagens do apartamento e do prédio e também o depoimento de diversas testemunhas.
Segundo o delegado Almeida, as informações recolhidas no dia 16 já configuravam Matheus como suspeito, mas ainda não haviam elementos suficientes para o pedido de um mandado. “Assim que coletamos todo o material, rapidamente foi pedida a prisão, mas não tivemos tempo hábil para conseguir esse mandado até a chegada dele na delegacia”, frisou.
Horas após o suspeito sair da delegacia, a equipe, que já estava o monitorando, conseguiu o mandado e realizou a prisão. O rapaz segue em prisão temporária, com duração de 30 dias, podendo ser prolongada por mais 30 dias, enquanto dura a tramitação do caso na justiça.









