Surto de esporotricose assusta moradores da Grande Vitória

A doença que provoca lesões na pele e é transmitida por gatos contaminados era rara e restrita ao interior, hoje já atinge toda a Grande Vitória, principalmente Vila Velha, segundo o infectologista Aloisio Falqueto. O especialista afirma, ainda, que o surto da esporotricose foi amplificado pela falta de posição da Secretaria de Estado da Saúde (SESA).

O infectologista explica que a contaminação vem crescendo há 5 anos. “A esporotricose era uma doença rara no ambiente urbano capixaba e mais presente no interior. Em 2016 ela foi introduzida na Grande Vitória em Guarapari por meio de gato doente trazido do interior. Na época eu comuniquei a Secretaria de Estado da Saúde sobre o ocorrido e indiquei a elaboração de um folheto instrutivo, mas não tomaram providência, agora a doença já está em todo o estado e fora de controle”.

Somente no ano passado, Falqueto diagnosticou mais de cem casos de contaminação em humanos. Para ele, o que falta para controle da doença é a informação. ” Todo dia chegam pessoas pedindo revisão ou diagnosticamos novos casos da doença. O que falta para o controle do surto é informação. Para tentar controlar, os médicos deveriam conhecer, pois a maioria ainda não conhece”.

A estudante de medicina veterinária Eliana Moraes Gomes teve dois gatos com a doença e afirma que o disgnóstico pode ser difícil. “A doença é bem singela, vai se manifestando aos poucos. Como sou estudante e já tinha ouvido falar, fiquei atenta e tomei cuidados como isolar o animal, mas muita gente não tem o conhecimento e confunde os primeiros sintomas como uma ferida de briga na rua ou outro machucado”.

Segundo Eliana, ela tem notado muitos casos no bairro em que vive, em Vitória. “Está tendo um surto de esporotricose em muitos bairros, vejo diversos animais com o problema nas ruas. Entrei em contato com a Zoonoses e Prefeitura, mas disseram que não recolhem os gatos de rua, por isso a doença só se alastra”, comenta.

Quem também percebeu a crescente de casos foi a veterinária especialista em felinos, Laís Cunha Franco. “A esporotricose é comum em gatos de rua, porém esse ano estamos tendo um aumento generalizado. Só no último mês atendemos cerca de cinco gatos com a doença. Tem surgido muito, sempre existiu em regões mais periféricas, mas as pessoas deixam os gatos irem para as ruas e contribui com o aumento. Tenho pacientes em que o proprietário foi diagnosticado primeiro que o animal”, afirma.

Problemas causados pela doença

A doença pode ser transmitida do animal para o ser humano “por meio de arranhado ou mordida” e causar inflamações no local em que teve o contato. O especialista explica que ela causa feridas profundas que evoluem para úlceras cutâneas e sucessíveis feridas.

O principal problema da doença para os gatos é que se o animal não tiver possibilidade de tratamento poderá ser sacrificado. Para o ser humano, o tratamento da doença não é gratuito. “A doença em humanos é tratável, mas depende de um medicamento com alto custo. O tratamento custa em torno de R$ 700 e não há disponibilidade gratuitamente. Até novembro tínhamos uma concessão do Ministério da Saúde, mas agora, desde o final do ano passado, estamos sem o medicamento”, afirma Falqueto.

Para uma diminuição dos casos, o repasse da informações sobre a doença deveria ser eficiente, diz o infectologista Aloisio. “O poder público é a melhor maneira de divulgar. Todo estudo da doença já fizemos durante 40 anos, cabe a Secretaria do Estado a informação. Com a pandemia, essas outras doenças ficaram em segundo plano, mas a esporotricose está na cidade e é cada dia mais frequente, ela precisa ser conhecida”.

Surto em Vila Velha

Apesar do infectologista notificar um problema muito maior, a Prefeitura de Vila Velha informou, por nota, que o primeiro caso na cidade foi registrado em 2018.

Segundo a prefeitura, foram registrados 84 casos em humanos em 2020 e 09 casos, em 2021, todos de bairros diferentes. Em felinos foram 140 casos em 2020 e, apenas no incio do ano, 17 casos em 2021.

“Os munícipes estão recebendo atendimento médico. Na Zoonoses são ofertados exame para diagnóstico da doença nos felinos, para isso, o proprietário do animal deverá agendar o exame. No caso do resultado ser positivo, o animal passa por avaliação do veterinário e o profissional irá fazer as devidas orientações quanto ao tratamento e manejo do animal para tratar a doença”.

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Comentários
  1. Os animais que têm quem cuida, ok. Mas, o mais grave é com os gatos de rua, a pergunta é: o que as prefeituras fazem a respeito?

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