O carnaval deste ano, definitivamente, não foi igual aos anteriores. No Sambão do Povo, em Vitória, o batuque das baterias deu espaço ao silêncio. Mas, além da esperança de que a pausa só vai durar um ano, o público poderá se preparar para torcer por sua escola de coração. Há expectativa de que, virtualmente, o desfile competitivo acontecerá em 3 de abril: Sábado de Aleluia.
O projeto, encabeçado pela Liga da Escolas de Samba do grupo especial, garante que o público, só do outro lado da tela – porque haverá impedimento de acesso a área do sambódromo, autorizando, somente, os integrantes das agremiações e com regras em função da pandemia do novo coronavírus.
“Só falta algumas confirmações e algumas situações, mas a ideia é fazermos o carnaval virtual no dia 3 de abril, Sábado de Aleluia. Vai ser transmitido ao vivo, não sei se apenas pela internet ou se alguma emissora além da TV, pois estamos em negociação. Tudo será de forma organizada, com a entrada saída das pessoas, sem desordem, contando com premiações a melhor escola da noite, melhor samba, melhor casal de mestre-sala e porta-bandeira, destaque e etc”, informou a fonte da Liesge.
A intenção da Liga é criar uma forma de as escolas terem renda para organizarem o carnaval de 2022, e não perder o que já tinham investido para a festa de 2021 – que não aconteceu. A Liesge busca, ainda apoio de prefeituras, Governo do Estado e ainda empresas que apoiem o carnaval capixaba.
Este ano a prefeitura de Vitória fez uma apresentação virtual e não decretou ponto facultativo nos dias de carnaval, além de ter proibido qualquer tipo de festa na capital do Espírito Santo, onde está localizado o sambão. O projeto apresentado à PMV neste sentido, no primeiro momento, foi rejeitado, no intuito de aguardar um calendário de vacinação contra a Covid-19 mais robusto.
Com a vacinação avançando lentamente, para evitar que as pessoas queiram participar, além do fechamento do sambódromo, a organização da área será diferente dos anos anteriores. Nada de arquibancadas cheia, camarote ou mesa de pista.
“A gente vai ter todos os métodos de segurança, vai ser feio recuo da bateria um local gigantesco, onde dá para separar todo mundo e não criaremos aglomerações. E não adianta chamar o povo para assistir presencialmente, ninguém vai chegar nem perto, só pelas telas”, explicou.
E acrescentou: “Estamos negociando com a prefeitura porque o primeiro projeto ela recusou, pois queria aguardar o máximo possível de pessoas estarem imunizadas, com a ideia da possibilidade do desfile presidencial. Precisamos desse apoio porque, isso pode gerar uma renda, um investimento na cultura, mas terá custo. Os materiais estão escassos e com valores altos”.
O custo, inclusive, pode fazer toda ideia ficar somente no papel. Mesmo sem as festas desse ano, o preço dos produtos para confecção das fantasias e alegorias está muito mais caro que nos anos anteriores.
“O valor desses materiais também está muito alto, o metro de pano, que era R$ 19, está entre R$28 e R$ 30. Por isso a gente tem que analisar friamente essa situação. O apoio dos governos e patrocinadores é fundamental”, informou um dirigente da Liga carnavalesca.









